Friday, September 26, 2008

"Bric-a-braque"

A sigla Bric indica um grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia e China - nações emergentes de grande extensão territorial, populosas e com grande potencial econômico. Pois a Gazeta do Povo (Curitiba-PR) publicou um texto (créditado à Agência Estado) com o título "Brics querem influir em políticas globais". Huuummm.... Não existe "Brics". Ou se diz "Bric querem...", concordando o verbo com os nomes dos países abreviados, ou, melhor ainda, "Bric quer...", ficando subentendido "O grupo Bric".

Tem sido notável na grande imprensa os erros de grafia, ortografia, concordância, regência. Sem querer entrar em discussões acadêmicas sobre o uso da língua, o fato é que a mídia tem hoje um papel mais importante na definição desse uso do que a literatura. Neologismos criados e/ou encampados pela mídia (como "lideranças" no lugar de "líderes" e "listagem" no lugar de "lista", por exemplo) têm entrado no uso cotidiano e nos dicionários. Tudo bem. Mas que nossos caríssimos colegas jornalistas fariam bem em escrever corretinho, segundo as atuais normas da língua escrita padrão, ah, fariam sim.

De vez em quando, vou apontar aqui alguns errinhos e errões. Que não são tão graves, aliás, quanto os inúmeros erros de conteúdo que constumam aparecer na mídia.

6 comments:

eriel said...

Não é só. Como sigla própria, deveriam todas as letras serem escritas maiúsculas (inclusive no seu texto): BRIC. Sigla própria: cada letra se refere a um nome; sigla imprópria: mais de uma letra se referem ao mesmo nome (ex.: Detran, Conab, etc.).

eriel de novo said...

opa, como errar é bem humano, meu próprio comentário trouxe um "deveriam serem", por pura distração... conserte na leitura, por favor!

Tomás Barreiros said...

Caríssimo:
Agradeço se você puder indicar uma referência onde se encontre essa idéia de sigla própria e sigla imprópria. De qualquer modo, não é a regra que se aplica no jornalismo. De acordo com os padrões de redação jornalística, siglas com até três letras são escritas sempre em maiúsculas (p. ex, CUT, PT, ONU, PDT, ONG). Se tiverem mais de três letras, serão escritas em maiúsculas apenas quando as letras forem lidas uma a uma (p. ex., FGTS, INSS, PSDB). Quando lidas como uma palavra, levam somente a inicial maiúscula (Bric, Urbs, Proer, Embrapa, Petrobras etc.). Essa recomendação consta em norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Sobre a sigla Petrobras, uma curiosidade: embora devesse ser acentuada (como já o foi), a empresa retirou o acento do nome oficial para facilitar a penetração no mercado internacional.

eriel said...

Olha aí algumas referências, além da concordância da tia Rachel Barreiros, cara professora de Português:

"Siglas: quando e como usar
1.Todas as letras da sigla deverão ser maiúsculas quando forem usadas apenas as iniciais das palavras que compõem o nome: PUC (Pontifícia Universidade Católica). São as chamadas siglas próprias ou puras.
2.Quando se usarem também outras letras que não as iniciais das palavras que formam o nome, prefere-se usar apenas inicial maiúsucula: Bacen (Banco Central), Copesul (Companhia Petroquímica do Sul). São as chamadas siglas impróprias ou impuras.
3.Quando se trata de siglas consagradas, podem ser usadas diretamente, sem escrever o nome das entidades por extenso. Caso contrário, na primeira vez que aparecerem no texto devem ser identificadas, entre parênteses ou separadas por travessão. Em trabalhos mais extensos, pode-se também apresentar lista de siglas no início ou no final."
“in” ICMC - INSTITUTO DE CIÊNCIAS MATEMÁTICAS E DE COMPUTAÇÃO DA USP (encontrado na internet)
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e mais: livro "PORTUGUÊS PARA PROFISSIONAIS Atuais e Futuros", Adalberto J. Kaspary, 17ª ed., Ed. Edita, pp. 75/76.
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Tomás Barreiros said...

Interessante! Não conhecia essa distinção. Valeu pela dica! De qualquer modo, em redação jornalística, valem as regras que apontei anteriormente (indicadas nos livros da área e em normas da ABNT).

Anonymous said...

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