Tuesday, February 09, 2010

Os crimes da escola

Estou de volta! Depois das férias, espero atualizar mais frequentemente o blog.

Para recomeçar, um tema de minha preocupação permanente: o papel da escola como elemento de controle social (uma “aparelho ideológico do Estado”, no dizer de Althusser).

A escola, como geralmente tem sido, é uma instituição criminosa, feita para embotar as mentes. Mais adiante, colocarei outras reflexões sobre o tema. Por ora, reproduzo abaixo um texto bem difundido, de cuja origem não estou certo, mas que conheço há muito tempo e que sempre revejo publicado aqui e acolá. É um texto magnífico que revela a pior face da escola...



O menininho

Helen E. Buckley

Era uma vez um menininho que contrastava com sua escola, bastante grande. Uma manhã, a professora disse que os alunos iriam fazer um desenho.
– Que bom! – pensou o menininho. Ele gostava de fazer desenhos.
Ele pegou sua caixa de lápis de cor e começou a desenhar. Mas a professora disse para esperar, que ainda não era hora de começar. E ela esperou até que todos estivessem prontos.
– Agora – disse a professora –, nós iremos desenhar flores.
– Que bom! – pensou o menininho. Ele gostava de desenhar flores e começou a desenhar flores com lápis rosa, azul e laranja. Mas a professora disse que ia mostrar como fazer.
E a flor da professora era vermelha com caule verde.
– Assim – disse a professora –, agora vocês podem começar.
O menininho olhou para a flor da professora, então olhou para a sua flor. Gostou mais da sua flor, mas não podia dizer isso. Ele virou o papel e desenhou uma flor igual à da professora.
Num outro dia, quando o menininho estava numa aula ao ar livre, a professora disse que os alunos iriam fazer alguma coisa com o barro.
– Que bom! – pensou. Ele gostava de trabalhar com o barro. Ele pensou que podia fazer com o barro todos os tipos de coisas: elefantes, camundongos, carros e caminhões. Começou a juntar e amassar a sua bola de barro. Mas a professora disse para esperar.
E ela esperou até que todos estivessem prontos.
– Agora – disse a professora –, nós iremos fazer um prato.
– Que bom! – pensou o menininho. Ele gostava de fazer pratos de todas as formas e tamanhos.
Mas a professora disse que era para esperar, que iria mostrar como fazer.
E ela mostrou a todos como fazer um prato fundo.
– Assim – disse a professora –, agora vocês podem começar.
O menininho olhou para o prato da professora, olhou para o próprio prato e gostou mais do seu, mas ele não podia dizer isso. Amassou seu barro numa grande bola novamente e fez um prato fundo igualzinho ao da professora.
E muito cedo o menininho aprendeu a esperar e a olhar e a fazer as coisas exatamente como a professora. E muito cedo ele não fazia mais coisas por si próprio.
Então, aconteceu que o menininho e a sua família se mudaram para outra cidade, e o menininho teve que ir para outra escola.
Essa escola era ainda maior que a primeira.
No primeiro dia, a professora disse que os alunos fariam um desenho.
– Que bom! – pensou o menininho. E esperou que a professora dissesse o que fazer. Ela não disse. Apenas andava pela sala. Quando chegou perto do menininho, perguntou:
– Você não quer desenhar?
– Sim, mas o que vamos desenhar?
– Eu não sei, até que você desenhe.
– Como posso fazer meu desenho?
– Da maneira que você gostar.
– E de que cor?
– Se todo mundo fizer o mesmo desenho e usar as mesmas cores, como eu posso saber qual o desenho de cada um?
– Eu não sei... – disse o menininho.
E começou a desenhar uma flor vermelha com caule verde.

5 comments:

eriel said...

e por aí vai, inclusive na vida profissional, social, etc. Pena que vc não voltou das férias uma semana antes, porque na última quinta-feira fiz uma palestra para professores municipais e teria sido muito interessante ilustrar um determinado tema com o texto que vc trouxe!

Waléria Pereira said...

Muito interessante esse texto Tomás, não é atoa que o peguei de você...Beijos Waléria

Cintia Pereira said...

Foucault fala que a escola é uma instituição criada, assim como outras, para vigiar e punir. Muitas vezes, a educação não passa de um processo de docilização dos corpos. Em vez de criarmos indivíduos questionadores, criamos indivíduos ajustados forçadamente á ordem pré-estabelecida.

Anonymous said...

Infelizmente, a maioria das escolas parece usar o método da primeira professora do texto. Acham que o importante é obedecer, seguir regras. Quantas pessoas existem que não descobrem o seu talento, tem uma vida e um emprego monótonos porque não foram incentivadas a inovar!
Noara

Anonymous said...

Infelizmente, a maioria das escolas parece usar o método da primeira professora do texto. Acham que o importante é obedecer, seguir regras. Quantas pessoas existem que não descobrem o seu talento, tem uma vida e um emprego monótonos porque não foram incentivadas a inovar!
Noara