Sunday, January 20, 2013
Ah, essas sinopses...
Sunday, January 06, 2013
Jornalismo: discurso em terceira pessoa
Segue o trecho:
Nesta semana, o dirigente declarou, em entrevista à rádio Banda B, que "ainda não fomos atrás de contratações, estamos esperando a reapresentação do elenco e analisando a questão dos jogadores que estão acabando seus contratos. Depois disso, vamos em busca de reforços."
Há no trecho uma mistura indevida de discursos em terceira pessoa (a voz do jornalista) e primeira pessoa (a do entrevistado). O narrador jornalista escreve em terceira pessoa. Não deve emendar ao seu discurso o discurso em primeira pessoa do entrevistado. É preciso "passar a palavra" ao entrevistado, utilizando, por exemplo, os dois pontos - assim, faz-se a transição adequada dos discursos. Deveria ficar assim:Nesta semana, o dirigente declarou, em entrevista à rádio Banda B: "Ainda não fomos atrás de contratações, estamos esperando a reapresentação do elenco e analisando a questão dos jogadores que estão acabando seus contratos. Depois disso, vamos em busca de reforços."
Nesta semana, Lopes declarou, em entrevista à rádio Banda B, que os dirigentes ainda não foram atrás de contratações, pois estão esperando a reapresentação do elenco e analisando a situação dos jogadores cujos contratos estão se encerrando. "Depois disso, vamos em busca de reforços", afirmou.
Trecho ininteligível da Agência Estado
"A transferência do FPE é feita, desde 1989, da seguinte forma: 85% do total é repassado aos governos do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e o restante para os estados do Sul e Sudeste. Em seguida, a maior parte desse dinheiro (95%) é distribuída conforme o produto da divisão do tamanho da população pelo inverso da renda per capita, e o restante (5%) segue o tamanho territorial do estado."
Entendeu? Eu não. Pode me explicar?
Erros de concordância
Capa: "58,9% dos eleitores de Curitiba ouvidos PELO Paraná Pesquisas souberam citar o nome do vereador no qual VOTOU em outubro de 2012."
Vida e Cidadania, p. 4: "A ampliação teve início em outubro de 2010 e ESTÃO SENDO FEITAS em etapas."
Deve ser efeito da ressaca das festividades de fim de ano...
Mais considerações sobre Língua Portuguesa
Já escrevi aqui que a flexão do infinitivo é tema dos mais complexos da nossa língua - mas ele deve, em regra, ser flexionado para concordar com o sujeito.
Vejamos a chamada na capa da Gazeta para o artigo de Carlos Ramalhete: "Multidões de analfabetos funcionais lotam os bancos universitários e ganham seus canudos sem nunca ter lido um livro inteiro."
Fui conferir no artigo. Lá, está certo: "... sem nunca terem lido ...". No mínimo, curioso que na chamada tenham incluído o erro que não existe no artigo...
No mesmo artigo, um "erro" de regência que logo não será mais "erro", porque o uso já o está consagrando: "... após um processo judicial que implica em pilhas enormes de papel..." Esse "em" não deveria estar aí. Mas quase ninguém mais percebe, não é? Na fala cotidiana, a grandíssima maiorias das muito poucas pessoas que utilizam o verbo "implicar" o fazem com o "em" - que só caberia em determinadas construções, como: "O deputado foi implicado no crime".
Na Gazeta Esportiva, encontra-se a frase: "A moeda imobiliária é o crédito virtual concedido pelo poder público municipal para se construir imóveis de tamanho acima do estabelecido pela legislação municipal". Acho que todo mundo se lembra da regra: "... para se construírem imóveis ..."
Thursday, December 27, 2012
O "plantão de domingo" no jornal...
Quem foi escalado para ficar o domingo no jornal, sei disso, quer mais é fechar tudo logo e ir para casa. Fica apenas o último dos moicanos até dar a hora final, aguardando para o caso de acontecer algo inesperado.
O resultado pode ser visto na edição de 24/12 da Gazeta. Quase só notícias de agências. Manchete com matéria fria. E alguns textos feitos na correria. Aí, saem coisas como as que seguem.
Paulistas que vieram para Curitiba viraram "imigrantes" (inclusive na capa). "Após o acidente, o sistema de som da Cassol Centerlar anunciou o acidente". E a matéria "Federação lidera 'mensalinho'" é a campeã de errinhos do dia - não erros de informação, mas de digitação, ortografia, vírgulas, nada grave, errinhos típicos de redação feita com pressa.
Quem já fez muito plantão de domingo, como eu, há de entender e ser condescendente...
Natal
Esse homem cujo aniversário se comemora dia 25/12 (ainda que não se saiba a data exata de seu nascimento) merece a comemoração. Quem ousaria dizer coisas como: "Ama teu inimigo" - "Se te baterem na direita, oferece a esquerda" - "Ama ao próximo como a ti mesmo" - "Se te tirarem a capa, dá também a túnica"... E tantas outras coisas espantosas e verdadeiramente revolucionárias?!
Ainda que não se creia na sua existência histórica (creio, mas tenho aqui muitos amigos ateus, agnósticos e não cristãos), não há como negar o enorme papel dessa figura única. E que, muito provavelmente, se esses ensinamentos fossem seguidos em sua simplicidade, o mundo seria bem melhor.
Tive meus tempos de praticante fervoroso (muitos diriam fanático) de uma religião. Hoje, embora responda que sou católico quando me perguntam, sou um tanto avesso às religiões institucionalizadas. Mas tenho minha fé. E minhas muitas dúvidas, inclusive em relação a alguns fatos ligados à vida de Cristo. Mas não deixo de admirar e me espantar com a figura divina de Cristo.
Feliz Ano Novo!
RECEITA DE ANO NOVO
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo. Eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
CONFISSÃO
Depois de muitos anos, consegui perguntar-me por que minha verdade era melhor que a dos outros. Percebi que os defensores de uma "verdade" diferente da minha eram exatamente iguais a mim, só que com outra "verdade".
Hoje, prefiro a dúvida que incomoda à certeza que imobiliza. São as dúvidas que me impulsionam e me levam adiante. Que me dão o gosto da vida - como o alpinista que se compraz em subir a montanha porque sabe que pode cair (caso contrário, não teria graça).
Se alguém me apresenta alguma "verdade", penso nela, analiso, procuro ver o que tem de bom. Se esse alguém se agarra a essa "verdade" como a única possível, a salvação da humanidade, tenho pena. Passo adiante. Por que há incontáveis pessoas cheias dessas "verdades" salvadoras, tão diferentes umas das outras, e com defensores tão igualmente convictos de suas verdades!
Prefiro não procurar sofregamente a verdade, mas buscar o amor, a compaixão, a compreensão, a fraternidade. E não almejo a perfeição das "cartilhas" pré-escritas, iguais para todos. Prefiro a imperfeição da humanidade, com seus erros e "pecados", mas sempre aberta a novas possibilidades.
Muitas vezes, há mais vida no colo da prostituta que no regaço da esposa; visão mais clara no fundo da garrafa do que na abstinência ascética; mais lucidez na loucura do que na sensatez acomodada.
Saturday, December 22, 2012
Algumas lições a partir de textos da Gazeta do Povo desta semana
Saturday, December 15, 2012
Lições a partir da Gazeta do Povo (esportiva) de hoje
2) O segundo caso envolve uma questão ética e, portanto, mais importante e delicada. Matéria sobre o "Barcelona Camp" explica: "Durante uma semana, esses garotos - 40 deles de famílias de baixa renda, beneficiados por bolsas integrais oferecidas pela empresa organizadora do evento - trabalharam como se fossem atletas-mirins do clube catalão". E a matéria não informa qual é a empresa. Isso é sem-vergonhice, falta de ética, sonegação de informação para o leitor. Se o fato merece ser mencionado, se a empresa faz algo digno de se tornar notícia (tanto que o jornal publica), por que seu nome é sonegado? Lamentável...
Wednesday, December 12, 2012
Deslizes jornalísticos...
Mais alguns deslizes extraídos da nossa querida Gazeta do Povo.
Caso 1
Quando um jornalista entrevista alguém que faz referência a uma data que pode não ser compreendida adequadamente pelo leitor de um jornal impresso (que será publicado no dia seguinte - o jornal impresso só tem notícias "velhas"), costuma esclarecer entre colchetes a que dia o entrevistado se referiu.
Por exemplo: o jornalista entrevista o técnico do Corinthians na véspera do jogo, e Tite diz: "Estamos preparados para o jogo de amanhã". Quando o jornal for publicado, o "amanhã" já será "hoje", pois o jornal sai sempre no dia seguinte. Então, se reproduzir a frase entre aspas, o jornalista poderá escrevê-la assim: "Estamos preparados para o jogo de amanhã [hoje]".Até aí, tudo bem. Mas, atenção, senhores jornalistas: se a fala do entrevistado não se prestar a qualquer confusão, não é preciso essa intervenção entre colchetes! Olha só o que achei na Gazeta de 25/11 (esportiva, p. 5): "Segunda-feira [amanhã] começaremos a trazer novidades para vocês". Ora, se o entrevistado disse "segunda-feira", não é preciso qualquer esclarecimento do jornalista, porque o leitor sabe que dia é segunda-feira...Mas o pior de tudo é que o jornal era de domingo (25/11 foi efetivamente um domingo), mas a data anunciada no alto da página era: "Sábado, 25 de novembro de 2012"! Vai ver que foi por isso que o repórter se perdeu...
Caso 2
Esta é inusitada: uma matéria factual com título de artigo. Foi na Gazeta do Povo de sexta-feira, 23/11/12 (Vida e Cidadania, p. 9). A matéria informava que "Um protesto de funcionários da Copel que bloqueou uma rua ontem de manhã, em Curitiba, terminou em confusão com a Polícia Militar" - um lide normal. Mas...
E o título? Ei-lo: "Protesto deve respeitar o direito do próximo"!
Será que estamos voltando explicitamente ao jornalismo publicista de séculos passados? Ou será que o editor esqueceu as lições básicas sobre titulação de matéria factual? Ou quis mesmo expressar opinião explicitamente?
Saturday, December 08, 2012
Apontamentos sobre redação jornalística
1) Observemos a frase: "...desabafa o atleta, que trocou de academia, de treinador e agora é responsável pela própria carreira." Tenho visto com frequência esse tipo de construção, no qual falta um "e". Não sei por que, parece que muita gente acha errado colocar mais de um "e" numa frase. Nesse caso, o "e"
2) Na mesma página 4 da Gazeta esportiva de 07/12, está a seguinte frase: "Tal eficiência, daqui a pouco mais de 72 horas, será apenas história...." Aqui, trata-se de uma falha de redação jornalística. Ao contrário do rádio ou da televisão, um veículo impresso não tem uma hora definida de transmissão. Portanto, não admite esse tipo de construção. No mesmo dia da edição do jornal, o leitor pode ler a matéria às 7h da manhã, antes de ir trabalhar, ou às 23h, depois de chegar da aula, por exemplo. Há uma grande diferença. Por isso, um texto de jornal impresso não pode conter informação desse tipo ("dentro de algumas horas"). Seria melhor escrever, por exemplo: "Tal eficiência, já na segunda-feira, será apenas história."
Wednesday, November 28, 2012
Resultado do Portugal Telecom
Sonegar/alterar informação é falta de ética
Um nojo, dá vontade de vomitar. Jornalista que faz isso não tem vergonha na cara. Sonegar informação básica, alterar a informação, é canalhice, falta contra os preceitos éticos básicos da profissão.
Mancadas no rádio
1) Na Bandnews, do repórter que cobre a F1, a partir de Interlagos - ele explicava que o som não chega no local onde ele estava porque era "isolado sonoricamente".
2) Na Transamérica: "Chegada de reforços no meio da competição foram os fatores determintes para a recuperação do time".
3) Idem: "Elias, ao lado de outros reforços, ajudaram...."
4) Um jogador do Coxa explicando sua situação: "...fiquei quase 40 dias, um pouco mais..." Quase ou um pouco mais que quase?
5) A CBN tem um anúncio ("serviço") que avisa que "Curitiba tem coleta domiciliar de lixo tóxico", explicando que um ônibus da Prefeitura fica a cada semana num terminal de ônibus diferente para receber o lixo. Ei, CBN, meu domicílio, graças a Deus, não é um terminal de ônibus!!!
Dica de filme
A falta do "cujo"...
Veja, por exemplo, esta frase na Gazeta 24/11: "Ele [...] é um atleta que nós sabemos do potencial..."
Não ficaria MUITO melhor com o cujo? Assim: "Ele é um atleta cujo potencial nós conhecemos"...
Erros na Gazeta do Povo
1) "Como que você avalia o Atlético?" - o "que" está sobrando...
2) "Das cinco equipes que brigaram de fato pelo acesso, qual que pode servir de exemplo para o Paraná em 2013?" - de novo, na mesma entrevista, um "que" perdido na frase.
3) "Após seis dias de tentativas, o grupo rebelde M23 tomou ontem a cidade de Goma, no Leste do Congo, e prometeu 'libertar' todo país." - aqui, é preciso entender a diferença entre "todo o país" (ou seja, o país inteiro) e "todo país" (qualquer país, todos os países). Do modo como foi escrito, o grupo pretende libertar todos os países. Será que eles vêm ao Brasil?
Wednesday, October 17, 2012
Jornalista precisa "ouvir a outra parte"!
No dia 1º de outubro, a Gazeta publicou reportagem de página inteira sob o título "Programa usa só 7% do previsto em segurança" (clique no título para ler), informando que o governo deixou de investir em área crucial.
A matéria não ouve nem uma fonte sequer do governo, nem publica uma palavra sequer daqueles que são os responsáveis pelo investimento. Pode isso?
Matéria do dia 10 de outubro informa: "Prefeito é acusado de retaliação por suspender serviços" (clique no título para ler). Trata-se do prefeito de Corbélia-PR. O detalhe é que o jornal não ouviu o prefeito. A razão? "A reportagem tentou entrar em contato com Fontana, mas ele havia viajado a Curitiba"...
Ora, a sede do jornal é em Curitiba! Será impossível localizar um prefeito do interior em visita à capital? Ele não tem uma programação oficial a cumprir? Ou terá viajado a passeio?
Enfim, parece que os jornalistas andam muito acomodados e preguiçosos. Quando um jornalista recebe uma pauta, deve fazer todo o possível para cumpri-la da melhor maneira, mas, pelo visto, tornou-se hábito abandonar a busca na primeira dificuldade e "justificar-se" do modo mais fácil.
O direito à liberdade de expressão tem limites.
A facilidade de expressão pública pelos meios atuais (blogs, redes sociais) não isenta o cidadão de cumprir a lei. Quem calunia, difama ou injuria outrem está sujeito a sanções.
E quem se sente caluniado, difamado ou injuriado tem todo direito de pedir que cesse a calúnia, difamação ou injúria, inclusive - e especialmente - havendo difusão pública num blog ou em redes sociais.
Portanto, qualquer pessoa que exceda os limites legais estabelecidos para o direito à liberdade de expressão está sujeito a penas. E pode ter que se submeter a ordem judicial de retirar do ar (em blog ou rede social) a expressão caluniosa, difamante ou injuriosa.
Portanto, não há nada a censurar naqueles que defendem seus direitos de não sofrerem calúnia, difamação ou injúria. E sim, há tudo a criticar em quem acha que porque tem acesso a um blog ou rede social pode caluniar, difamar e injuriar livremente em nome de um mal compreendido direito à liberdade de expressão.
Esclareço que não me refiro particularmente ao caso concreto de nenhum candidato a cargo eletivo - mesmo porque tenho visto casos parecidos envolvendo gente de todos os partidos.
ESTAMOS ENTENDIDOS?
A estupidez humana...
O texto quase perfeito sobre o caso do vídeo foi escrito por Cristovão Tezza e publicado na Gazeta do Povo, sob o título "Que Maomé nos projeta" (clique no título para ler o texto).
Ó, triste humanidade que rasteja nas trevas...
Wednesday, September 19, 2012
LIÇÃO BÁSICA DE JORNALISMO
Um exemplo pode ser visto no título de uma matéria na Gazeta do Povo de hoje: "Mano ignora sombra de Scolari" (Esportiva, p. 4).
Na verdade, Mano diz que ignora. Mas será que o jornal deve assumir isso como verdade? Aliás, será que alguém acredita que isso seja verdade? Que o Mano não está nem um pouco preocupado com a "sombra" do Felipão?
A solução é simples. O título deveria ser: "Mano diz ignorar sombra de Scolari". Havia espaço para isso, inclusive.
Neste caso concreto, não há graves consequências. Mas podemos pensar em inúmeros títulos e manchetes do tipo: "Governo vai investir XX bilhões no combate à fome". Basta o governo dizer que vai, e lá vão os veículos alardear como verdade o que o governo disse.
Infelizmente, é um erro grave e comum - e possivelmente, muitas vezes, ideologicamente voluntário...
Friday, September 07, 2012
CONSIDERAÇÕES SOBRE O DIA DA PÁTRIA
Ouvi ontem matéria no rádio lamentando que as pessoas não sabem cantar o hino nacional... Lembrei-me então da célebre frase de Johnson: "O patriotismo é o último refúgio de um canalha". E me perguntei se sou um "patriota". Não, não sou. Amo o Brasil, gosto de ter nascido aqui. Mas não "daria a vida pela pátria". Não acho nenhuma falha de caráter alguém não saber cantar o hino nacional. Aliás, em geral, os hinos nacionais são horrorosos. Sobre o nosso, o Carlos Alberto Pessoa já publicou uma crítica feroz e muito bem feita (gostaria de lê-la de novo!). As letras, quase sempre, são bélicas, beligerantes, com exaltações descabidas. Mesmo alguns cuja melodia é linda têm letras de espantar - é o caso do hino francês, de melodia empolgante, mas com uma letra cheia de um ódio inacreditável.
Tenho horror às críticas despropositadas que tantas pessoas (dos mais variados níveis culturais) fazem à Argentina e ao Paraguai, por exemplo. Já estive inúmeras vezes no Paraguai, país que merece tanto respeito quanto qualquer outro e onde encontrei gente fantástica e muitas coisas ótimas e interessantes. Tenho nojo de frases do tipo "ganhar é muito bom, mas ganhar da Argentina é muito melhor" (ui!). A rivalidade Brasil-Argentina foi historicamente alimentada por interesses europeus contrários as sul-americanos - e tem "papagaios" que não percebem o que está por trás disso.
Fiquei feliz com a atitude do governo Lula de perdoar as dívidas que muitos países pobres tinham com o Brasil. A fome e a pobreza de um africano me doem tanto quanto a de um brasileiro. Sou cidadão brasileiro (e gosto de sê-lo), assim como sou cidadão italiano, mas sou sobretudo cidadão do mundo, parte do gênero humano, e acredito que um sudanês, um suíço e um brasileiro carregam o mesmo peso de serem humanos - esse bicho ao mesmo tempo tão maravilhoso e tão cheio de defeitos.
Minha pátria é o mundo, meus irmãos são todos os seres humanos. Tenho duas nacionalidades, mas gostaria de ter uma só, a planetária. Porque não se pode exaltar uma "pátria" melhor que outra quando o povo de um país sofre para que o de outro goze de boa vida.
Sunday, September 02, 2012
Tuesday, August 28, 2012
Sociedade midiática
"Cerca de 50 simpatizantes de Assange ouviram seu discurso debaixo da embaixada do Equador, número equivalente ao de policiais que monitoravam a situação, enquanto 300 jornalistas acompanharam o pronunciamento."
Na sociedade midiática, o importante não é quanta gente vê, mas quantos jornalistas transmitem. Muito mais importante, aliás!
Vejam-se, por exemplo, as manifestações da Peta e do Femen... São feitas por pouquíssimas manifestantes, presenciadas por públicos reduzidos, mas sempre noticiadas no mundo inteiro!
Friday, July 20, 2012
Mais erros...
O pior é que a origem é de uma agência noticiosa que todos os sites reproduzem sem nenhuma correção!
Tuesday, June 05, 2012
Falha na capa da Gazeta do Povo
"Rogerio Galindo fala das dificuldades dos brasileiros distinguir entre o público e o privado".
A coluna é ótima, como sempre são as do Rogério (um dos melhores colunistas da GP). Mas quem fez a chamada escorregou no português. Deveria ser: "...dificuldades de os brasileiros distinguirem..."
Friday, April 27, 2012
FILMES...
Primeiro, os filmes que vi em casa:
1) "Qual é o seu número?" Hummmm.... fraquinho, fraquinho... nota 5.
2) "Vestígios do dia": belo filme, com um ótimo Anthony Hopkins. Bom para levantar a reflexão sobre o que cada um faz com sua vida a partir dos caminhos que escolhe e das decisões que toma (que, muitas vezes, torna a pessoa cega para tanta coisa em volta de si!). Nota 8.
3) "Um beijo roubado". Interessante, diferente pela direção/edição/montagem. Dirigido por Kar-Wai Wong. Só o elenco já é um colírio: Jude Law, Norah Jones, Rachel Weisz, Natalie Portman... Nota 7.
4) "Segredo em família", com Robert Duvall (excelente) e James Earl Jones. Bonito filme sobre... família. Gostei, nota 8.
5) "A outra" - história das irmãs Ana e Maria Bolena e seu relacionamento com o rei Henrique VIII da Inglaterra. O figurino é bonito, o elenco de peso... mas não consigo engolir esses filmes retratando histórias de séculos atrás com personagens de trejeitos, falas e comportamentos típicos de hoje que certamente não tinham lugar naquele tempo... Nota 6.
1) "Espelho, espelho meu". Apesar da insuportável Julia Roberts, o filme deve divertir a criançada. Curiosa a cena em que o rei faz um discurso: "Pelo poder de que fui investido por.... mim!"... Já que se tratava de uma monarquia absoluta, o poder não vinha do povo. Se fosse uma monarquia medieval, seria "investido por Deus" - o que o filme não ia por, né? Daí a brincadeira... Nota 6.
2) "A separação". Sensacional. Merece todos os elogios que têm recebido. Nem gosto de elogiar muito, porque alguém pode ficar com grandes expectativas e não achar lá essas coisas... Mas para que ama CINEMA de verdade, feito com base em uma boa história, diálogos inteligentes, conflitos bem trabalhados, atuações convicentes e um final sensacional (que resume a mensagem do filme), é imperdível. O filme não tem "efeitos especiais", e a trilha sonora quase não aparece. Há tempos me apaixonei pelo cinema iraniano, desde "O balão branco", um de meus filmes prediletos, cuja lista agora inclui "A separação". Nota 10.
3) "Xingu". É um bom filme, com bela fotografia. Tem seus méritos. Boa mostra do que era a filosofia desenvolvimentista do governo militar e a ação dos irmãos pioneiros da proteção ao índio. E confirma João Miguel (do ótimo "Estômago", outro filme imperdível) como um dos melhores atores brasileiros da atualidade. Nota 7.
4) "Habemus papam". Uma ideia sensacional, mas mal executada. Se o filme seguisse mais a linha do drama, que é estragado pelo exagero da comédia, poderia ser um filme fantástico. Saí decepcionado por causa da expectativa que tinha, mas vale a pena assistir. A parte inicial, que mostra a pompa e a suntuosidade do Vaticano e do conclave, com cenas belíssimas, é de arrepiar. Pena que o filme mude de tom, pois faz tempo que não aparece um filme interessante sobre os bastidores da eleição de um papa. Nota 6 para o filme, mas a experiência de assisti-lo vale um 9. Aliás, vi na confortabilíssima sala VIP do novo Itaú do Shopping Crystal, em Curitiba.
5) "Jovens adultos". Mais um bom filme. Muitos adolescentes de "Operação X", quando crescem, podem tornar-se um homem como o protagonista de "Shame", ou uma mulher como a protagonista de "Jovens Adultos". Este é um bom retrato do jovem vazio, criado num ambiente hedonista, desacostumado a ouvir "não" - e que acaba não aprendendo a lidar com o mundo, já que este mundo não pode dar o que pede seu incrível egoísmo, um egoísmo exacerbado que faz de tudo e de todos meros instrumentos para satisfação de seus desejos.
TOCA DE ASSIS
ROGER HODGSON EM CURITIBA
"CROUTONS", POR FAVOR!
Friday, April 06, 2012
Filme: "Projeto X"
Conclusões:
1) Toda "censura", como sempre, é burra e ridícula. O filme tem quase zero de sexo. Se a classificação dele é 18 anos, então, American Pie deveria ser 21, pelo menos. Drogas? Nada diferente do que costuma aparecer em filmes tipo "sessão da tarde". De passagem: o filme "Drive", superviolento, com vários assassinatos de grande crueza (num deles, a vítima tem a cabeça esmagada a pisões), está classificado como impróprio para menores de 16 anos... Então, a violência extrema é totalmente aceitável, natural para um adolescente. Já o sexo, é coisa horrorosa, que deve ser proibida... A esse propósito, sugiro a leitura da crônica "O travesseiro de Lenny Bruce", de Luis Fernando Veríssimo (clique no título).
2) Achei o filme bastante relevante. É um retrato do comportamento e dos valores de muitos adolescentes de hoje, educados para o hedonismo e o egoísmo sem consequências. Tudo justifica a busca pelo prazer e pela diversão - que se resume a sexo e drogas. Não importam as consequências, nem o preço a pagar. Deve-se buscar o paroxismo da "diversão", sem se importar com os outros nem se preocupar com qualquer consequência. E quem faz isso ainda pode virar herói e ver sua popularidade "explodir".
Apesar dos naturais exageros de um filme anunciado como comédia, é assustador, pela mensagem que transmite. E que, pior, tem eco e verossimilhança. Recomendo o filme para quem tem contato com adolescentes. Pena que não pude levar meu filho - seria ponto de partida para ótimas conversas.
Friday, March 30, 2012
Declaração infeliz no evento pró-golpe de 64
Sim, muito curioso. Primeiro, porque os manifestantes não pretendiam "proibir" nada, apenas protestar contra o evento. Segundo, porque foi exatamente o que o regime militar fez, com uma diferença BÁSICA: os milicos tinham poder (usurpado) para isso, e efetivamente proibiam com violência, constrangimento, perseguição, prisões e assassinatos.
Decisão correta do STJ sobre a "Lei Seca"
Dupla "cidadania"?
Tuesday, March 27, 2012
Mais uma da Gazeta de hoje...
Meus filmes mais recentes
"Protegendo o inimigo" - Um filme honesto, que dá o que promete. Ação, tiros, explosões, correria, muita violência (nossa catarse cinematográfica...). Roteiro parecido com tantos outros, final igual a quase todos - mas, como diz minha colega Viviane Peixe, "o importante é a narrativa, não a história"...
"Jogos vorazes" - Para quem gosta de BBB, uma edição completa num só filme... Tem até o Boninho e o Bial. Mas nada de sexo, afinal, é para adolescentes! Se dizem que é o substituto do Harry Potter, está muito longo da riqueza das histórias do bruxo. É interessante a visão de futuro do filme: um mundo cheio de gente idiotizada, vivendo num regime ditatorial que dá circo, sem pão.
"Shame" - Pela primeira vez, minha impressão final vai no sentido oposto ao dos comentários sempre brilhantes do Marcio L. Santos (meu crítico predileto) em amoscabranca.com. Embora tudo que ele tenha dito sobre o filme "Shame" seja verdadeiro, a história me pareceu vazia, linear, chocha, sem revelações. Não acontece nada de inesperado. A situação-padrão de um viciado (qualquer que seja o vício) é sempre aquela retratada no filme. Não vi nada de novo ou diferente. A realidade é mais terrível que o filme. Quem já conheceu pessoas viciadas conhece o roteiro, sempre igual. Aliás, algo que me pareceu francamente mal colocado no filme é a cena em que ele cheira cocaína – isso tira totalmente a força do vício em sexo. Devo dizer também que fui influenciado pelo incômodo causado pelo ambiente do cinema: eu estava sozinho, cercado por casais jovens praticamente “se comendo” durante o filme, como se estivessem num filme pornográfico, numa espécie de “antiexpectativa” completa… Nada contra, adoro fazer o que eles fazem, mas nos locais e ocasiões apropriados. Os casais me pareceram francamente deslocados, o que me incomodou (assim como os ruídos típicos emitidos por eles durante o filme). Como pontos positivos do filme, as atuações e a capacidade de comunicar a angústia do protagonista.
"A condenação" - Gostei. Tem partes meio arrastadas, mas no geral vale a pena. Fazia tempo que não chorava no cinema - matei saudades das minhas lágrimas cinematográficas.
Outro bom filme é "Drive". O mais interessante é ver como um bom diretor pode dar o ritmo que deseja a um filme. O que mais me impressionou foi a qualidade da direção - além da boa atuação do protagonista.
"O artista" - Um belo filme, uma homenagem ao cinema, feita por um diretor que sabe o que é fazer um filme - tanto que fez um bom filme mudo e em preto e branco!
"A invenção de Hugo Cabret" - Outro belo filme, mais uma homenagem ao cinema (como "O Artista"). Vale a pena ver e divertir-se (sem esperar um "filmão", mas um filme bom de assistir). De passagem: é difícil fazer um filme com atores mirins, não é? Não é fácil achar alguém com o talento de um Haley Joel Osment, por exemplo (alguém que nos faça esquecer que estamos vendo um ator interpretando um personagem e prestar atenção apenas no personagem).
"Um dia" - Filme romântico com a Anne Hathaway. Nada de muito especial, mas assistível. Aliás, tem sim algo especial: Anne Hathaway, sempre agradável de ver.
"John Carter - Entre dois mundos" - OK, podem dizer que é totalmente inverossímel, cheio de falhas, elenco mais ou menos etc. etc.... Mas eu curti. Passei a infância lendo Edgar Rice Burroughs, e foi legal ver seus mundos fantásticos na telona em IMax 3D. Cinema é (também) diversão!
"Histórias cruzadas" - Tem cenas superexageradas? Tem. É permeado por passagens piegas? É. Assume vários "clichês"? Sim. Seus personagens são planos, talhados a partir de uma divisão maniqueísta de 100% bons x 100% maus? São. É um bom filme? Sim. E vale a pena assistir. Afinal, de tempos em tempos, precisamos de clichês, obviedades e exageros que nos lembrem algumas coisas importantes. Se isso é feito num belo filme, com algumas ótimas performances, melhor ainda.
Errinhos no jornal...
Frase engraçada da Gazeta do Povo de hoje, 27/03, p. 3 do caderno de Esportes:
"Não podemos prejudicar o policiamento ordinário da cidade em detrimento a um evento esportivo", afirmou o major Marcel Soffner, porta-voz da Polícia Militar de São Paulo.
Que bom usar um termo "chique", né? Dá pra entender?
É mesmo divertido ler jornal... Viram a chamada de capa da Gazeta no sábado? "GP da Malásia abre temporada da F1"... E o GP foi o segundo da temporada...
Saturday, March 10, 2012
"Decréscimo de 111%"?!
Gazeta do Povo (Curitiba-PR), 09/03/2012, caderno de Esportes, página 3:
"Apenas 9.110 torcedores acompanharam os dois jogos do Rubro-Negro na Vila Capanema, incluindo nesta conta o clássico Atletiba. Se comparado com a média de público do Paranaense 2012 [deve ser 2011, né?], de 9.618 pagantes por jogo, houve um decréscimo de 111%".
Decréscimo de 111%? Então o CAP teve um público negativo de 11%? O que é um público negativo? São fantasmas assistindo ao jogo?
E como comparar a média de um campeonato com o público total de duas partidas? Alguém consegue explicar essa "matemágica"?
Thursday, March 01, 2012
Pérola do dia
Rir ou chorar?
Tuesday, February 21, 2012
POEMINHA
(by Tomás Barreiros)
por que cagou
na janela
o pássaro?
cores sublimes
nas penas,
voo elegante,
agradável canto
e merda cinzenta fosca
na janela
(a minha janela)
a me lembrar:
olha o mundo,
pés no chão,
que a perfeição
não é nossa.
Monday, January 30, 2012
FILMES
FILME DA SEMANA 2 - "Milleninum". O filme é bom, atraente. O diretor consegue manter a tensão do começo ao fim. É um policial-suspense como tantos, mas com boas atuações, bela fotografia, boa direção e alguns lugares-comuns. Claro que, graças ao meu renitente gosto pelos marginais, me apaixonei pela personagem de Rooney Mara, em ótima atuação.
FILME DA SEMANA 3 - "2 Coelhos" - NÃO LEIA SE NÃO QUISER ENCONTRAR "SPOILERS". Um filme interessante, curioso. Vale pela atuação brilhante de Fernando Alves Pinto, que faz o protagonista. Aliás, o elenco pouco conhecido (preparado, é claro, pela Fátima Toledo) é muito bom mesmo, com destaque para Marat Descartes (que nome!). Elenco tão bom que Alessandra Negrini destoa - é a mais fraquinha. O roteiro é tão intrincado que, para entendê-lo bem, é melhor ver o filme duas vezes. O filme, é claro, tem suas falhas... Todos os personagens mais importantes são bandidos, amorais e/ou imorais. O que seria aceitável, mas não é o normal, especialmente no que diz respeito ao personagem Wagner, que de vítima se transforma em criminoso. Mas o mais difícil é aceitar que a personagem de Alessandra Negrini seja tão desejada, por quatro homens diferentes. Nem a atriz, nem a personagem (sem-vergonha, corrupta e interesseira) dão pra tanto... Que presente de grego Edgar dá a Wagner: uma mulherzinha daquelas, com uma filha de outro no ventre... Presente de grego. A ideia do filme lembra "7 Vidas" - que desenvolveu a ideia bem melhor... E o deputado corrupto não parece nosso ilustre ministro Paulo Bernardo? Mera coincidência? Ou estou enxergando demais?
Ausência
Mas estou planejando para breve um site próprio, no qual colocarei tudo: minhas produções passadas, presentes e futuras.
Por ora, coloco aqui comentários de filmes que assisti recentemente (no próximo post).
Friday, December 23, 2011
Categorias de amor
1) O amor "comum", de quem ama alguém que lhe traz benefício, vantagem, prazer, alegria.
2) O amor da pessoa que ama alguém porque esse alguém é digno de amor, independentemente da relação entre os dois.
3) O amor incondicional motivado por uma relação consolidada: é o caso, muitas vezes, do amor paterno/materno, filial, conjugal, de pessoas que se amam independentemente do comportamento ou do caráter da pessoa amada.
4) Por fim, o amor dos santos, que amam a todos porque amam; amam porque veem no outro a luz divina, o semelhante, o "próximo"; um amor que não se condiciona a nada, a não ser à atitude de quem ama. É o amor de uma Madre Teresa de Calcutá, por exemplo.
Wednesday, December 21, 2011
Por que amo alguém?
Saturday, December 17, 2011
Cinema - 2
Peguei então "A bruxa de Blair" - a que ainda não tinha assistido! - na esperança de encontrar algo bom. Santo Deus! É lastimável...
Em primeiro lugar, os personagens são patéticos. Gente muito muito burra. Pobre da faculdade de Cinema que os acolheu - um amostra de que nos EUA deve ter faculdadezinha furreba. Os coitados não sabem usar uma câmera, não são capazes de captar uma imagem decente - e olha que tinham uma filmadora de película! Não conseguem consultar uma bússola. Não sabem sequer que, quando alguém está perdido na mata e encontra um rio, deve seguir o curso do rio que inevitavelmente achará uma saída.
A única coisa de aterrorizante no filme é a burrice dos personagens. Realmente, um horror!
Cinema
Neste ano, vi alguns filmes ótimos: "Meia-noite em Paris", "A pele que habito", "O palhaço"... E hoje, outro muito bom: A chave de Sarah.
Quando quero um filme mais denso, eles geralmente estão no Cineplex Batel, onde os filmes, felizmente, ficam várias semanas em cartaz. Foi onde vi "A chave..." e também "Esses amores", outro filme muito bom.
Friday, September 30, 2011
Mundo atrasado
É difícil não ser etnocêntrico. Como aceitar esse tipo de coisa? A liberdade de crença deve ou não ser um valor universal? As mulheres devem ou não ter os mesmos direitos que os homens?
“Depende da cultura”, dirão alguns... Então, para que serve a Declaração Universal dos Direitos do Homem? Apenas para algumas culturas ocidentais? Deveria ser “Declaração Ocidental...”
E mais: como não relacionar a determinadas práticas religiosas certas atitudes que consideramos incrivelmente atrasadas?
Um dado preocupante: o islamismo tem crescido muito no Ocidente. Líderes muçulmanos há muito declaram que a Europa vai ser inexoravelmente conquistada pelo islamismo, por uma simples questão matemática: os europeus têm cada vez menos filhos, e os muçulmanos que vivem na Europa têm cada vez mais.
Você viveria num país regido pela sharia, o código dos muçulmanos? No futuro, o seu país pode estar assim - ao menos, é o desejo declarado por muitos líderes islâmicos.
Sunday, September 11, 2011
Cuidado com a informação
Coisas de TV...
Algumas coisas que se podem ver na TV são no mínimo... curiosas.
Sunday, August 28, 2011
Piada pronta
Wednesday, August 24, 2011
Caça-erros
Carlos Alberto e Ricardinho tiveram influência decisiva na saída de Jóbson do Bahia.
Líderes do time baiano, os dois jogadores exigiram que o técnico Rene Simões e a diretoria do clube tomassem providências em relação aos casos de indisciplina de Jóbson.
Até mesmo Fahel, antigo companheiro de Jóbson no Botafogo, teria sido contrário à permanência do jogador no Bahia. Fahel chegou a dar conselhos ao atacante pedido que ele se afastasse de festas e evitasse as noitadas em Salvador.
Jóbson, segundo o blog apurou, já estava sendo alertado pelos jogadores mais experientes do time, de que seu comportamento não estava sendo adequado e que privilégios não seriam abertos para nenhum atleta do elenco.
A decisão da diretoria de afastar Jóbson do jogo contra o Santos no último dia 20, não foi por causa da discussão do jogador com o meia Carlos Alberto e muito menos, como foi divulgado, porque Jóbson estaria dividindo o grupo.
Na véspera da partida contra o Santos, dia 21, Jóbson foi flagrado numa festa na praia de Ipitanga, no Vilage Bahia Tropical. O jogador chegou a concentração atrasado, muito além do horário combinado, cheirando a bebida e deixou os líderes do time, Carlos Alberto e Ricardinho, chateados.
Imediatamente, apoiados pela maioria do elenco, os dois pediram que Rene Simões usasse o bom senso e afastasse o jogador do jogo diante do Santos.
‘Eu quero ver deixarem o menino jogar, mas, para isso, o menino terá que virar homem’.
A frase teria sido dita dentro da concentração do Bahia por um dos jogadores envolvidos e irritados com os constantes atos de indisciplina de Jóbson.
Monday, August 15, 2011
SER PAI

Neste domingo, admirava meu filho. Vi seus dedos ágeis e rápidos tocando ao piano uma música difícil que nunca ousei tentar. Contemplei seu desenho mais recente, que eu jamais seria capaz de fazer. Lembrei-me de suas frases de efeito, tão bem humoradas. De sua incrível habilidade no computador, digitando em inglês com os dez dedos sem nunca ter feito um “curso de datilografia”....
Comovi-me ao rememorar tantas atitudes suas que revelaram um coração bondoso e solidário. Pensei nas noites que ele passou em claro para terminar um livro pelo qual se apaixonara. Recordei tantas outras coisas... Pensei inclusive em suas fraquezas, lacunas e falhas, que me dão a oportunidade de ajudá-lo.
E concluí que, ainda que eu nada possuísse, nada tivesse feito e não fosse ninguém, minha vida já teria valido a pena.
(Acima, o desenho, feito em nanquim)
Friday, March 18, 2011
Foto trocada
Sunday, February 06, 2011
O “mistério” de Berlusconi
1) Gostaria de ser muito rico?
2) Gostaria de ser poderoso - por exemplo, mandatário máximo de um país importante?
3) Gostaria de ser dono de um dos melhores times de futebol do mundo?
4) Gostaria de ser dono de uma influente rede de comunicação?
5) Gostaria de ter as mulheres que desejasse?
Uma pesquisa recente de intenção de votos realizada na Itália indicou fácil reeleição de Silvio Berlusconi como primeiro-ministro. A Gazeta do Povo publicou nota a respeito, concluída com a frase: “Difícil é explicar a preferência italiana ao resto do mundo”.
Será mesmo “difícil” explicar? Será que os homens italianos vêem no primeiro-ministro alguém desprezível ou um modelo de tudo que desejam para si?
Não estou fazendo um julgamento ético, apenas especulando sobre o que não parece nada difícil de esclarecer.
Thursday, February 03, 2011
Foto da tribo “isolada”
Olhando-se a fotografia, percebe-se que a criança no centro tem em mãos um enorme facão. Bem, talvez uma tribo “isolada” não seja exatamente aquela que nunca teve contato com o homem branco. Mas não é o que o leitor não especializado em questões indígenas vai pensar, obviamente. Todo o significado da divulgação da foto como algo inusitado deve-se à ideia de que a tribo não teve contato com o homem branco.
Provavelmente, trata-se de um erro jornalístico na divulgação da imagem: o leitor é levado a pensar que se trata de uma tribo sem contato com os brancos, embora essa não seja a verdade. Ou então o objeto tão parecido com o facão é outra coisa, o que também demanda esclarecimento.
Wednesday, February 02, 2011
Escorregões na língua...
Mesmo após escândalos, 47,8%
não lembram em quem votou
Trechos do texto “Um rosto na multidão”, de Carlos Heitor Cony, ótimo cronista, escritor consagrado e membro da Academia Brasileira de Letras (Gazeta do Povo, p. 10, caderno Vida e Cidadania, 1º/02/2011):
“...ele dava a impressão de buscar câmeras e holofotes onde houvessem câmeras e holofotes.”
“...Lula dava a impressão de estar dizendo para todos: ‘Veja aonde cheguei!’”
Trecho da matéria “Atlético encara ‘panela de pressão’ na Arena” (Gazeta do Povo, 30/01/2011, p. 4 do caderno de Esportes):
“O volante Fransérgio [...] começou o ano renegado ao ‘time C’ do Atlético...”
Tuesday, February 01, 2011
“Dossiê Battisti”: o erro fatal
Ao menos, desta vez, aparece algum contrapeso. A matéria cita intelectuais franceses que defendem a inocência de Battisti e uma historiadora que alega que as assinaturas de Battisti nas procurações ao advogado que o defendeu ante a justiça italiana eram falsificadas.
A edição dá voz também a uma das advogadas de defesa de Battisti no Brasil, sob o título “Reação da Itália mostra que Lula estava certo, diz defesa”. E também ouve Arrigo Cavallina, identificado como “um dos idealizadores do PAC [o movimento Proletários Armados pelo Comunismo, do qual Battisti fazia parte] e espécie de ‘mentor’ de Cesare Battisti”. Um trecho: “Cavallina diz que a mídia e o governo italiano exageram ao falar do caso, já que há outros italianos condenados que também não foram extraditados pela França.”
Entretanto, o mais curioso, o indicador do erro fatal, é o “Depoimento” da repórter enviada à Itália. A jornalista acredita que Battisti é criminoso porque, na Itália, o vulgo assim pensa. “Será que um país inteiro está errado e a decisão de um presidente - que já virou ex - é que está certa?” - pergunta ela, encerrando o texto. Incrível. Antes de tudo, porque ela ficou uma semana em algumas poucas cidades da Itália - algo absolutamente insuficiente para ter um panorama do pensamento dominante no país todo. Mas, pior, por tomar como verdade absoluta a opinião da maioria.
Se a mesma jornalista fosse enviada ao Irã, certamente voltaria qualificando Sakineh Ashtiani de adúltera, criminosa, assassina. Afinal, a quase unanimidade das autoridades e do povo iraniano assim pensa. E se fosse à China ou à Coreia do Norte, voltaria tecendo loas às ditaduras que lá imperam, pois nada ouviria contra. Ou não, nesse caso, já que, dada a linha editorial do periódico, provavelmente já partisse de uma posição previamente tomada...
Este é o erro: não se faz bom jornalismo a partir de uma posição prévia que se busca apenas confirmar, nem com base na opinião do vulgo. B0m jornalismo é feito com apuração e apresentação de fatos e dados, bem como da palavra de fontes qualificadas, como especialistas tanto quanto possível neutros em relação ao caso que se apura. Se em março de 1994 a Gazeta tivesse feito um “Dossiê Escola Base” com o mesmo espírito, teria condenado previamente os proprietários da escola - naquela época, “o país todo” tinha certeza de que eles eram culpados... Na deontologia jornalística, não cabe o jornalista pautar-se pela opinião da maioria. Por vezes, é preciso ir contra um país inteiro. Não é a visão da maioria que indica o que é “verdade” ou “certo”.
Repito: não defendo Battisti, nem tenho posição formada quanto à extradição (tema tão complexo que dividiu o STF). Mas defendo, sim, um jornalismo de qualidade (o que, diga-se, não é raridade na Gazeta do Povo, um jornal realmente bom no panorama do jornalismo brasileiro).
Monday, January 24, 2011
Tudo é novidade?
Claro que isso não é regra geral para cadernos especiais ou publicações semanais. Um caderno de gastronomia poderia tratar da história da cerveja em qualquer tempo - o gancho, nesse caso, é temático, ligado à proposta do caderno. Uma revista mensal sobre automóveis antigos poderia fazer uma reportagem especial sobre os carros mais raros em mãos de colecionadores brasileiros - em qualquer edição, sem necessidade de outro “gancho” que o tema da revista.
Faço esses comentários prévios para manifestar minha surpresa ante uma matéria de página inteira publicada no caderno Vida e Cidadania da Gazeta do Povo de 22 de janeiro de 2011 sob o título “Um novo olhar sobre a Idade Média”. O que justifica a publicação desse texto? Não consegui perceber. Pensei que tratasse do lançamento de um livro sobre o tema, mas não, não havia nada disso na matéria.
Bem, isso também não é assim tão grave. Os jornais estão, com o perdão do neologismo, se “revistizando”. As edições dominicais dos grandes diários de há muito se assemelham, em grande parte de suas páginas, a uma revista semanal. Mais recentemente, com a concorrência da internet e seu imediatismo, os diários passaram a publicar mais textos com “estilo de revista”. De qualquer maneira, caberia ao autor indicar ao leitor a razão da publicação do texto.
Entretanto, isso não é o que mais chama a atenção na página em questão, mas o seu conteúdo. Esse “novo olhar”, na verdade, é muito, muito velho. Há pelo menos 30 anos leio livros com conteúdo revisionista em relação à Idade Média. Na Europa, a “revisão” é muito anterior. Realmente, não há como apresentar o fato como algo novo. Se fosse mesmo novo, teria um “gancho” na atualidade, que a reportagem não apresenta.
A impressão que tenho lendo certos textos nos jornais de hoje, cheios de gente jovem, é que para essa juventude (como é natural) tudo é novidade, como o caso do cinema fechado há “distantes” 16 anos (veja o post anterior “Coisa de inexperiência”). Parecem adolescentes escrevendo para adolescentes. Será mesmo esse o público dos jornais impressos de hoje?