Wednesday, September 19, 2012

LIÇÃO BÁSICA DE JORNALISMO

Senhores jornalistas, atenção e muito cuidado para não cometerem um erro grave, mas, infelizmente, comum: assumir a fala da fonte como verdade e transformar o discurso da fonte no discurso do veículo.

Um exemplo pode ser visto no título de uma matéria na Gazeta do Povo de hoje: "Mano ignora sombra de Scolari" (Esportiva, p. 4).

Na verdade, Mano diz que ignora. Mas será que o jornal deve assumir isso como verdade? Aliás, será que alguém acredita que isso seja verdade? Que o Mano não está nem um pouco preocupado com a "sombra" do Felipão?

A solução é simples. O título deveria ser: "Mano diz ignorar sombra de Scolari". Havia espaço para isso, inclusive.

Neste caso concreto, não há graves consequências. Mas podemos pensar em inúmeros títulos e manchetes do tipo: "Governo vai investir XX bilhões no combate à fome". Basta o governo dizer que vai, e lá vão os veículos alardear como verdade o que o governo disse.

Infelizmente, é um erro grave e comum - e possivelmente, muitas vezes, ideologicamente voluntário...

 

Friday, September 07, 2012

CONSIDERAÇÕES SOBRE O DIA DA PÁTRIA


Ouvi ontem matéria no rádio lamentando que as pessoas não sabem cantar o hino nacional... Lembrei-me então da célebre frase de Johnson: "O patriotismo é o último refúgio de um canalha". E me perguntei se sou um "patriota". Não, não sou. Amo o Brasil, gosto de ter nascido aqui. Mas não "daria a vida pela pátria". Não acho nenhuma falha de caráter alguém não saber cantar o hino nacional. Aliás, em geral, os hinos nacionais são horrorosos. Sobre o nosso, o Carlos Alberto Pessoa já publicou uma crítica feroz e muito bem feita (gostaria de lê-la de novo!). As letras, quase sempre, são bélicas, beligerantes, com exaltações descabidas. Mesmo alguns cuja melodia é linda têm letras de espantar - é o caso do hino francês, de melodia empolgante, mas com uma letra cheia de um ódio inacreditável.

Tenho horror às críticas despropositadas que tantas pessoas (dos mais variados níveis culturais) fazem à Argentina e ao Paraguai, por exemplo. Já estive inúmeras vezes no Paraguai, país que merece tanto respeito quanto qualquer outro e onde encontrei gente fantástica e muitas coisas ótimas e interessantes. Tenho nojo de frases do tipo "ganhar é muito bom, mas ganhar da Argentina é muito melhor" (ui!). A rivalidade Brasil-Argentina foi historicamente alimentada por interesses europeus contrários as sul-americanos - e tem "papagaios" que não percebem o que está por trás disso.

Fiquei feliz com a atitude do governo Lula de perdoar as dívidas que muitos países pobres tinham com o Brasil. A fome e a pobreza de um africano me doem tanto quanto a de um brasileiro. Sou cidadão brasileiro (e gosto de sê-lo), assim como sou cidadão italiano, mas sou sobretudo cidadão do mundo, parte do gênero humano, e acredito que um sudanês, um suíço e um brasileiro carregam o mesmo peso de serem humanos - esse bicho ao mesmo tempo tão maravilhoso e tão cheio de defeitos.

Minha pátria é o mundo, meus irmãos são todos os seres humanos. Tenho duas nacionalidades, mas gostaria de ter uma só, a planetária. Porque não se pode exaltar uma "pátria" melhor que outra quando o povo de um país sofre para que o de outro goze de boa vida.

Sunday, September 02, 2012


Qual a utilidade dos “Ramalhetes”?

Tomás Barreiros

O professor de filosofia Carlos Ramalhete publicou no dia 30/08 em sua coluna no jornal Gazeta do Povo (principal diário impresso do Paraná) artigo intitulado “Perversão da adoção”, no qual critica duramente a possibilidade de adoção de crianças por casais homossexuais. O texto causou polêmica e provocou reações justamente indignadas contra suas posições extremadamente conservadoras e “reacionárias” (entre aspas, para indicar que se adota aqui o sentido vulgar do termo).
O professor fez uso do seu direito democrático de expressão. Não há o que reparar quanto a isso. Felizmente, gozamos da total liberdade de pensamento (que não pode ser coibida senão pelo sutil domínio das consciências, geralmente obtido pela indução do medo interior, como o medo do pecado, por exemplo, que condena “os maus pensamentos”) e da liberdade de expressão do pensamento, esta regulada por lei – pois tem limites, como acontece com toda liberdade cujo exercício possa interferir em direitos de terceiros: é o caso da interdição legal à calúnia, à difamação e à injúria.
Entretanto, cabe questionar se um veículo de comunicação importante como é a Gazeta deve, em nome da pluralidade, abrigar qualquer opinião, por mais absurda que possa parecer ao juízo de muitos. Alguns argumentam que não cabe à imprensa acolher todas as opiniões, o que poderia afetar a ética jornalística, já que ser imparcial (dever teórico do jornalista) não significa “dar a Hitler o mesmo tempo que aos judeus”, conforme a irônica frase de Godard. De qualquer modo, o jornal escolhe quem deseja ver em suas páginas. E a divergência de opiniões sempre é salutar numa sociedade madura a ponto de não precisar temer sequer os argumentos de um Hitler.
Obviamente, quando escolhe alguém para ser seu colunista, um veículo de comunicação indica sua linha editorial. E isso é um dado útil para que o leitor conheça o veículo que lê. Um dos modos de expressão da ideologia de um jornal, para além dos editoriais, é a escolha de seu corpo de articulistas. Portanto, saber da existência de um Ramalhete entre os colunistas da Gazeta tem sua utilidade. Em relação ao padrão corrente da grande imprensa brasileira, a Gazeta do Povo é um bom jornal. Que ela abrigue em suas páginas os artigos frequentemente retrógrados de um Ramalhete é um dado importante para o leitor identificar melhor o alinhamento do jornal.
Entretanto, há outra utilidade mais relevante na publicação de artigos de tal jaez num jornal de grande circulação: é preciso que o leitor se posicione, explique-se a si mesmo diante das mudanças importantes pelas quais passa a sociedade atual. Deparar-se com as ideias de uma mentalidade mumificada como aquelas frequentemente apresentadas pelo colunista obriga o leitor a se posicionar ante o desvelamento do pensamento conservador que por séculos dominou a sociedade brasileira e que ainda subsiste em considerável parcela da população.
Portanto, independentemente da conveniência ou não de um grande veículo de comunicação publicar pensamentos como os de Ramalhete (que, evidentemente, não está só na grande mídia), eles são importantes para que o leitor reflita e se posicione ante temas cruciais que, mais dia, menos dia, afetarão a todos.

Tuesday, August 28, 2012

Sociedade midiática

Curiosa a nota publicada na Gazeta quando o Assange discursou na sacada da embaixada do Equador:

"Cerca de 50 simpatizantes de Assange ouviram seu discurso debaixo da embaixada do Equador, número equivalente ao de policiais que monitoravam a situação, enquanto 300 jornalistas acompanharam o pronunciamento."

Na sociedade midiática, o importante não é quanta gente vê, mas quantos jornalistas transmitem. Muito mais importante, aliás!

Vejam-se, por exemplo, as manifestações da Peta e do Femen... São feitas por pouquíssimas manifestantes, presenciadas por públicos reduzidos, mas sempre noticiadas no mundo inteiro!

Friday, July 20, 2012

Mais erros...

Mais erros crassos correndo em sites informativos de peso... Veja o título: "Jornalista morta na estreia de Batman sobreviveu à tiroteio em Toronto". Primeiro, o erro de crase (qual a dificuldade que tantas pessoas encontram no uso da crase? Não consigo entender...). Depois, o uso do tempo verbal inadequado, que deixa a frase risível (como a morta pode sobreviver?). O tempo correto de "sobreviver" é o "passado antes de outro passado": "sobrevivera" ou, na forma composta, "tinha sobrevivido".
O pior é que a origem é de uma agência noticiosa que todos os sites reproduzem sem nenhuma correção!

Tuesday, June 05, 2012

Falha na capa da Gazeta do Povo

Capa da Gazeta de ontem (04/06/12):

"Rogerio Galindo fala das dificuldades dos brasileiros distinguir entre o público e o privado".

A coluna é ótima, como sempre são as do Rogério (um dos melhores colunistas da GP). Mas quem fez a chamada escorregou no português. Deveria ser: "...dificuldades de os brasileiros distinguirem..."

Friday, April 27, 2012

FILMES...

Filmes a que assisti recentemente...


Primeiro, os filmes que vi em casa:

1) "Qual é o seu número?" Hummmm.... fraquinho, fraquinho... nota 5.

2) "Vestígios do dia": belo filme, com um ótimo Anthony Hopkins. Bom para levantar a reflexão sobre o que cada um faz com sua vida a partir dos caminhos que escolhe e das decisões que toma (que, muitas vezes, torna a pessoa cega para tanta coisa em volta de si!). Nota 8.

3) "Um beijo roubado". Interessante, diferente pela direção/edição/montagem. Dirigido por Kar-Wai Wong. Só o elenco já é um colírio: Jude Law, Norah Jones, Rachel Weisz, Natalie Portman... Nota 7.

4) "Segredo em família", com Robert Duvall (excelente) e James Earl Jones. Bonito filme sobre... família. Gostei, nota 8.

5) "A outra" - história das irmãs Ana e Maria Bolena e seu relacionamento com o rei Henrique VIII da Inglaterra. O figurino é bonito, o elenco de peso... mas não consigo engolir esses filmes retratando histórias de séculos atrás com personagens de trejeitos, falas e comportamentos típicos de hoje que certamente não tinham lugar naquele tempo... Nota 6.

No cinema:

1) "Espelho, espelho meu". Apesar da insuportável Julia Roberts, o filme deve divertir a criançada. Curiosa a cena em que o rei faz um discurso: "Pelo poder de que fui investido por.... mim!"... Já que se tratava de uma monarquia absoluta, o poder não vinha do povo. Se fosse uma monarquia medieval, seria "investido por Deus" - o que o filme não ia por, né? Daí a brincadeira... Nota 6.

2) "A separação". Sensacional. Merece todos os elogios que têm recebido. Nem gosto de elogiar muito, porque alguém pode ficar com grandes expectativas e não achar lá essas coisas... Mas para que ama CINEMA de verdade, feito com base em uma boa história, diálogos inteligentes, conflitos bem trabalhados, atuações convicentes e um final sensacional (que resume a mensagem do filme), é imperdível. O filme não tem "efeitos especiais", e a trilha sonora quase não aparece. Há tempos me apaixonei pelo cinema iraniano, desde "O balão branco", um de meus filmes prediletos, cuja lista agora inclui "A separação". Nota 10.

3) "Xingu". É um bom filme, com bela fotografia. Tem seus méritos. Boa mostra do que era a filosofia desenvolvimentista do governo militar e a ação dos irmãos pioneiros da proteção ao índio. E confirma João Miguel (do ótimo "Estômago", outro filme imperdível) como um dos melhores atores brasileiros da atualidade. Nota 7.

4) "Habemus papam". Uma ideia sensacional, mas mal executada. Se o filme seguisse mais a linha do drama, que é estragado pelo exagero da comédia, poderia ser um filme fantástico. Saí decepcionado por causa da expectativa que tinha, mas vale a pena assistir. A parte inicial, que mostra a pompa e a suntuosidade do Vaticano e do conclave, com cenas belíssimas, é de arrepiar. Pena que o filme mude de tom, pois faz tempo que não aparece um filme interessante sobre os bastidores da eleição de um papa. Nota 6 para o filme, mas a experiência de assisti-lo vale um 9. Aliás, vi na confortabilíssima sala VIP do novo Itaú do Shopping Crystal, em Curitiba.

5) "Jovens adultos". Mais um bom filme. Muitos adolescentes de "Operação X", quando crescem, podem tornar-se um homem como o protagonista de "Shame", ou uma mulher como a protagonista de "Jovens Adultos". Este é um bom retrato do jovem vazio, criado num ambiente hedonista, desacostumado a ouvir "não" - e que acaba não aprendendo a lidar com o mundo, já que este mundo não pode dar o que pede seu incrível egoísmo, um egoísmo exacerbado que faz de tudo e de todos meros instrumentos para satisfação de seus desejos.

TOCA DE ASSIS

Há tempos que não sou o que se possa chamar de um frequentador de qualquer culto religioso, embora tenha minhas devoções. Mas, assim como abomino certas ações e ideias de diferentes religiões, admiro coisas que me parecem realmente boas em algumas. Dias atrás, fui conhecer a "Toca de Assis" (Rua Visconde do Rio Branco, 56). Obra admirável de gente que segue os passos de São Francisco de Assis na pobreza e na humildade, acolhendo moradores de rua e dando-lhes aquilo que ninguém lhes dá e de que mais precisam: amor e atenção. Recomendo: vale uma visita. E quem for e puder, aproveite para levar alguma doação, seja em dinheiro, roupas ou alimentos etc.

ROGER HODGSON EM CURITIBA

Durante o show de Roger Hodgson (ótimo), ele reclamou (bem humorado, nada no estilo Nana Caymmi) do espaço vazio excessivo no palco, entre a banda e o público. "Por que todo esse espaço? Vai ter dançarinas? Cadê as dançarinas?" Acho que ninguém soube traduzir (ou não quis revelar): "distanciamento curitibano".

"CROUTONS", POR FAVOR!

Não aguento mais ouvir (e até ler já li!) “crótons”. Sim, aqueles quadradinhos de pão torrado que ficam tão bem em algumas composições gastronômicas. Por favor, todos que forem dar nome a eles: a palavra é “croutons”, em francês, e se pronuncia “crrruton”, OK? Isso mesmo, como se juntássemos as palavras “cru” e “tom”. Claro que esse “r” é “raspado” em francês. Mas também não faço tanta exigência. Apenas poupem, por gentileza, meus ouvidos sensivelmente francófilos dessa deturpação total da pronúncia (provavelmente, nefasta influência do inglês...).

Friday, April 06, 2012

Filme: "Projeto X"

Filme da semana: "Projeto X - Uma festa fora de controle". Fui ver sozinho, sem a companhia de meu filho, não porque a "censura" é 18 anos, mas porque vi num cinema um cartaz intimidador em letras grandes dizendo que era "absolutamente proibida a entrada de menores, mesmo acompanhados dos pais, por causa das cenas de sexo e drogas". Bem, então, fui preparado para ver uma comédia fraca (pela avaliação da Gazeta do Povo) e um pouco de sexo na tela grande (o que tinha visto em Shame, depois de muuuito tempo).

Conclusões:


1) Toda "censura", como sempre, é burra e ridícula. O filme tem quase zero de sexo. Se a classificação dele é 18 anos, então, American Pie deveria ser 21, pelo menos. Drogas? Nada diferente do que costuma aparecer em filmes tipo "sessão da tarde". De passagem: o filme "Drive", superviolento, com vários assassinatos de grande crueza (num deles, a vítima tem a cabeça esmagada a pisões), está classificado como impróprio para menores de 16 anos... Então, a violência extrema é totalmente aceitável, natural para um adolescente. Já o sexo, é coisa horrorosa, que deve ser proibida... A esse propósito, sugiro a leitura da crônica "O travesseiro de Lenny Bruce", de Luis Fernando Veríssimo (clique no título).

2) Achei o filme bastante relevante. É um retrato do comportamento e dos valores de muitos adolescentes de hoje, educados para o hedonismo e o egoísmo sem consequências. Tudo justifica a busca pelo prazer e pela diversão - que se resume a sexo e drogas. Não importam as consequências, nem o preço a pagar. Deve-se buscar o paroxismo da "diversão", sem se importar com os outros nem se preocupar com qualquer consequência. E quem faz isso ainda pode virar herói e ver sua popularidade "explodir".

Apesar dos naturais exageros de um filme anunciado como comédia, é assustador, pela mensagem que transmite. E que, pior, tem eco e verossimilhança. Recomendo o filme para quem tem contato com adolescentes. Pena que não pude levar meu filho - seria ponto de partida para ótimas conversas.

Friday, March 30, 2012

Declaração infeliz no evento pró-golpe de 64

INCRÍVEL a declaração de um tal Clóvis Bandeira, vice-presidente do Clube Militar, sobre os manifestantes que protestavam ontem contra o evento de comemoração e louvor ao golpe de 64: "Vejo com tristeza uma ação dessas. Um monte de gente que quer proibir que outras façam reunião só porque têm pensamento diferente deles. Curioso, não?"
Sim, muito curioso. Primeiro, porque os manifestantes não pretendiam "proibir" nada, apenas protestar contra o evento. Segundo, porque foi exatamente o que o regime militar fez, com uma diferença BÁSICA: os milicos tinham poder (usurpado) para isso, e efetivamente proibiam com violência, constrangimento, perseguição, prisões e assassinatos.

Decisão correta do STJ sobre a "Lei Seca"

Coisa que me irrita: jornal tomando partido em assunto de que não entende. Ridículas as críticas ao STJ pela decisão sobre a "Lei Seca". Ainda bem que nossos tribunais nos protegem do arbítrio! O STJ, felizmente, foi fiel ao que diz a lei. Os idiotas que legislam é que deveriam fazê-lo com mais cuidado, em vez de criarem leis burras e cheias de falhas. O caminho institucional é a correção do texto da lei, e não uma decisão de tribunal superior contrária ao que diz a lei - ou, pior ainda, a Constituição!

Dupla "cidadania"?

OK, não é tão simples assim... Mas bem que a Gazeta do Povo podia ter evitado confundir "nacionalidade" com "cidadania" na reportagem de hoje ("Tirar dupla cidadania exige pesquisa e muita paciência" - Vida e Cidadania, p. 12). São conceitos diferentes.

Tuesday, March 27, 2012

Mais uma da Gazeta de hoje...

Mais uma curiosidade da Gazeta do Povo de hoje, 27/03. Quando um editor recebe um texto, como o jornal só sairá publicado no dia seguinte, ele precisa atualizar o tempo mencionado. Se o texto diz "hoje", ele alterará para "ontem" (já que o jornal só sairá no dia seguinte - jornal impresso é sempre velho, notícia do dia anterior). Acontece que, com a atual velocidade das notícias, algumas duram poucas horas, o que pode criar confusão. Foi o que causou a incogruente frase da p. 6 do caderno Mundo, na matéria "Reforma da saúde vai à Suprema Corte": "A audiência de ontem deve durar 90 minutos"!!! Escorregadinha do editor, que deveria ter esperado a última atualização da notícia...

Meus filmes mais recentes

Meus comentários sobre filmes não têm qualquer pretensão de serem crítica especializada. Apenas uma opinião ligeira de alguém que a-do-ra ir ao cinema. Então, lá vão breves comentários sobre os que vi mais recentemente...

"Protegendo o inimigo" - Um filme honesto, que dá o que promete. Ação, tiros, explosões, correria, muita violência (nossa catarse cinematográfica...). Roteiro parecido com tantos outros, final igual a quase todos - mas, como diz minha colega Viviane Peixe, "o importante é a narrativa, não a história"...

"Jogos vorazes" - Para quem gosta de BBB, uma edição completa num só filme... Tem até o Boninho e o Bial. Mas nada de sexo, afinal, é para adolescentes! Se dizem que é o substituto do Harry Potter, está muito longo da riqueza das histórias do bruxo. É interessante a visão de futuro do filme: um mundo cheio de gente idiotizada, vivendo num regime ditatorial que dá circo, sem pão.

"Shame" - Pela primeira vez, minha impressão final vai no sentido oposto ao dos comentários sempre brilhantes do Marcio L. Santos (meu crítico predileto) em amoscabranca.com. Embora tudo que ele tenha dito sobre o filme "Shame" seja verdadeiro, a história me pareceu vazia, linear, chocha, sem revelações. Não acontece nada de inesperado. A situação-padrão de um viciado (qualquer que seja o vício) é sempre aquela retratada no filme. Não vi nada de novo ou diferente. A realidade é mais terrível que o filme. Quem já conheceu pessoas viciadas conhece o roteiro, sempre igual. Aliás, algo que me pareceu francamente mal colocado no filme é a cena em que ele cheira cocaína – isso tira totalmente a força do vício em sexo. Devo dizer também que fui influenciado pelo incômodo causado pelo ambiente do cinema: eu estava sozinho, cercado por casais jovens praticamente “se comendo” durante o filme, como se estivessem num filme pornográfico, numa espécie de “antiexpectativa” completa… Nada contra, adoro fazer o que eles fazem, mas nos locais e ocasiões apropriados. Os casais me pareceram francamente deslocados, o que me incomodou (assim como os ruídos típicos emitidos por eles durante o filme). Como pontos positivos do filme, as atuações e a capacidade de comunicar a angústia do protagonista.

"A condenação" - Gostei. Tem partes meio arrastadas, mas no geral vale a pena. Fazia tempo que não chorava no cinema - matei saudades das minhas lágrimas cinematográficas.

Outro bom filme é "Drive". O mais interessante é ver como um bom diretor pode dar o ritmo que deseja a um filme. O que mais me impressionou foi a qualidade da direção - além da boa atuação do protagonista.

"O artista" - Um belo filme, uma homenagem ao cinema, feita por um diretor que sabe o que é fazer um filme - tanto que fez um bom filme mudo e em preto e branco!

"A invenção de Hugo Cabret" - Outro belo filme, mais uma homenagem ao cinema (como "O Artista"). Vale a pena ver e divertir-se (sem esperar um "filmão", mas um filme bom de assistir). De passagem: é difícil fazer um filme com atores mirins, não é? Não é fácil achar alguém com o talento de um Haley Joel Osment, por exemplo (alguém que nos faça esquecer que estamos vendo um ator interpretando um personagem e prestar atenção apenas no personagem).

"Um dia" - Filme romântico com a Anne Hathaway. Nada de muito especial, mas assistível. Aliás, tem sim algo especial: Anne Hathaway, sempre agradável de ver.

"John Carter - Entre dois mundos" - OK, podem dizer que é totalmente inverossímel, cheio de falhas, elenco mais ou menos etc. etc.... Mas eu curti. Passei a infância lendo Edgar Rice Burroughs, e foi legal ver seus mundos fantásticos na telona em IMax 3D. Cinema é (também) diversão!

"Histórias cruzadas" - Tem cenas superexageradas? Tem. É permeado por passagens piegas? É. Assume vários "clichês"? Sim. Seus personagens são planos, talhados a partir de uma divisão maniqueísta de 100% bons x 100% maus? São. É um bom filme? Sim. E vale a pena assistir. Afinal, de tempos em tempos, precisamos de clichês, obviedades e exageros que nos lembrem algumas coisas importantes. Se isso é feito num belo filme, com algumas ótimas performances, melhor ainda.

Errinhos no jornal...

Depois de criar "São Verde" (quando o Paraná Clube foi jogar contra o Luverdense, pela Copa do Brasil, em Lucas do Rio Verde, matéria falava em "Lucas de São Verde"), a Gazeta do Povo hoje inventou um novo gentílico, talvez influenciada por outro santo (São Cipriano): texto na p. 4 do caderno de esportes de hoje, 27/03, chama o Apoel, time do Chipre, de "time cipriano" em vez de cipriota...

Frase engraçada da Gazeta do Povo de hoje, 27/03, p. 3 do caderno de Esportes:
"Não podemos prejudicar o policiamento ordinário da cidade em detrimento a um evento esportivo", afirmou o major Marcel Soffner, porta-voz da Polícia Militar de São Paulo.
Que bom usar um termo "chique", né? Dá pra entender?

É mesmo divertido ler jornal... Viram a chamada de capa da Gazeta no sábado? "GP da Malásia abre temporada da F1"... E o GP foi o segundo da temporada...

Saturday, March 10, 2012

"Decréscimo de 111%"?!

Alguém consegue me explicar o que é isto?

Gazeta do Povo (Curitiba-PR), 09/03/2012, caderno de Esportes, página 3:

"Apenas 9.110 torcedores acompanharam os dois jogos do Rubro-Negro na Vila Capanema, incluindo nesta conta o clássico Atletiba. Se comparado com a média de público do Paranaense 2012 [deve ser 2011, né?], de 9.618 pagantes por jogo, houve um decréscimo de 111%".

Decréscimo de 111%? Então o CAP teve um público negativo de 11%? O que é um público negativo? São fantasmas assistindo ao jogo?

E como comparar a média de um campeonato com o público total de duas partidas? Alguém consegue explicar essa "matemágica"?

Thursday, March 01, 2012

Pérola do dia

Aproximadamente 7h20 do dia 1º/03, o apresentador local da rádio BandNews comenta as possíveis dificuldades de uma pessoa nascida no dia 29 de fevereiro. Diz algo mais ou menos assim: "Vinte pessoas nasceram ontem em Curitiba. O hospital dá um documento chamado Declaração de Nascido Vivo. Todo um esquema para facilitar o registro de pessoas nascidas nesse dia".
Rir ou chorar?

Tuesday, February 21, 2012

POEMINHA

POEMINHA
(by Tomás Barreiros)

por que cagou
na janela
o pássaro?
cores sublimes
nas penas,
voo elegante,
agradável canto
e merda cinzenta fosca
na janela
(a minha janela)
a me lembrar:
olha o mundo,
pés no chão,
que a perfeição
não é nossa.