Thursday, July 11, 2013

PODEM ME CHAMAR DE CORUJA

No ano passado, aula de Filosofia no 1º ano do Ensino Médio no Bom Jesus. O material didático é muito bom. O capítulo sobre o trabalho incita o espírito crítico dos alunos. Terminado o estudo do capítulo, a professora propõe um exercício: escrever um texto escolhendo uma das duas visões: "O trabalho dignifica o homem" ou "O trabalho escraviza o homem". O texto do meu filho:

Em teoria, o trabalho seria a materialização da criatividade, combinada com as necessidades, do homem. Com o sacrifício, viria a recompensa, em forma de algo pessoal e satisfatório.
Não é bem assim. A partir do momento em que a força de trabalho se tornou o único bem em troca da subexistência, trabalho virou prisão.
A possibilidade de idealizar algo, a satisfação de concluir um projeto, não existem mais. Trabalhamos para viver, vivemos para trabalhar. E não nos identificamos com as nossas obras pois são, na verdade, de outros.
Tentando trespassar tal concepção, muitos interessados quiseram fazer a cabeça (na prática, as mãos e pernas) dos trabalhadores: é um bem árduo, uma provação divina para "fortalecer o espírito".
O único "espírito" a ser fortyalecido é o espírito crítico. Estamos alienados, nossas escolhas já não são feitas por nós. Entretanto, nunca nos damos conta de nossa condição, apenas sobrevivemos, incessantemente, com a esperança de liberdade.
Não é bem assim. A partir do momento em que a força de trabalho se tornou o único bem em troca da subexistência, trabalho virou prisão.
A possibilidade de idealizar algo, a satisfação de concluir um projeto, não existem mais. Trabalhamos para viver, vivemos para trabalhar. E não nos identificamos com as nossas obras pois são, na verdade, de outros.
Tentando trespassar tal concepção, muitos interessados quiseram fazer a cabeça (na prática, as mãos e pernas) dos trabalhadores: é um bem árduo, uma provação divina para "fortalecer o espírito".
O único "espírito" a ser fortyalecido é o espírito crítico. Estamos alienados, nossas escolhas já não são feitas por nós. Entretanto, nunca nos damos conta de nossa condição, apenas sobrevivemos, incessantemente, com a esperança de liberdade.


Wednesday, July 10, 2013

ISTO É BRASIL

Pesquisa indicou que 91% dos professores apontam como principais culpados pala baixa aprendizagem dos estudantes brasileiros... os próprios alunos! A culpa é sempre dos outros. Seria mais ou menos como se os médicos considerassem que os culpados pelas doenças são os pacientes - e que os médicos não têm culpa nenhuma se não conseguem curá-los.

Tuesday, July 09, 2013

VERGONHA

Os salários de presidente, governadores, senadores, deputados, não são altos. Muito pelo contrário. Os salários de presidentes e governadores, p. ex., são muito baixos pela responsabilidade da função.

O problema não é o salário. São as verbas de representação (excessivas e absurdas), os cargos de confiança (em número exageradíssimo).

Salários absurdamente altos são os de outros funcionários dos três Poderes, como garçom que ganha 13 mil, motorista recebendo 7 mil, servidor de café etc. etc. De uma imoralidade escandalosa, aos olhos de todo mundo, e continua tudo igual.

Monday, July 08, 2013

MAL EXPLICADO...

Trecho da nota oficial publicada na capa da Gazeta do Povo pelo Sindicato das Empresas de Transporte Urbano:

"As empresas se solidarizam com a população na busca de mais atenção de nossos governantes por melhorias no transporte coletivo, atividade essencial no dia a dia de todos e que há tanto tempo vem sendo tratada com descaso em nosso país."

Tá. Então, a culpa é dos governantes. Os anunciados lucros estratosféricos das empresas com essa "atividade essencial" são falsos? Pois abram a caixa preta e provem, senhores empresários.

Nada contra os empresários. Também sou empresário. E empresários buscam lucro, obviamente. Mas a atividade empresarial pressupõe risco - que,o que parece, as empresas de ônibus não tem. E numa "atividade essencial", com caráter de serviço público baseado em concessão, o lucro deve razoável.

Sunday, July 07, 2013

"RECEITA" DA POLÍTICA NO PARANÁ

"Receita" da "política" paranaense:

- Roube meio milhão de reais
- Se ninguém perceber, aproveite
- Se descobrirem, peça desculpas, devolva o dinheiro e ganhe uma Secretaria de presente.

Há outro qualificativo para quem deu o presente que não seja "cúmplice" ou "pilantra"?

Escrevo com base no que foi amplamente divulgado na mídia. Se eu estiver com informações erradas, POR FAVOR, CORRIJAM-ME! Porque hoje minha decisão é NUNCA, mas nunca mesmo, votar no sujeito que premia assim um criminoso confesso (repito: conforme o que foi largamente divulgado na mídia). Espero que gente dessa laia seja banida da vida pública.

Saturday, July 06, 2013

FARRA COM O DINHEIRO PÚBLICO

Os salários de políticos no Brasil são baixos. O problema está nas verbas extras e nos privilégios indevidos.

Usar um jato da FAB para se descolar... qual a lógica, qual a justificativa? Ainda que não levasse a família junto (farra absurda). Tinha um almoço com o prefeito? E qual a lógica de utilizar um avião da FAB para ir ao "importantíssimo" almoço? Qual a agenda do almoço? Era urgente? Trouxe benefícios públicos?

Então, qualquer deputado que queira ir passear no RJ só precisa combinar um almoço com uma autoridade qualquer (no sábado!) e requisitar um jato da FAB. VERGONHA, FARRA COM O DINHEIRO PÚBLICO.

E ainda tem a cara de pau de dizer que errou por ter dado carona. Não, senhor deputado, errou por abusar dos bens públicos para coisas inúteis cujo único beneficiário é o sr. mesmo.

CARTA À CBF

Prezados senhores: certamente os senhores sabem que o futebol é um negócio, um negócio grande, importante, que envolve altas cifras e milhares de pessoas e movimenta um mercado considerável.

Então, senhores, quando elaborarem a tabela do Campeonato Brasileiro, por favor, atribuam essa tarefa a alguém que entenda do negócio e não seja um amador. Pois a tabela que tem sido feita só pode ser coisa de amador.

Colocar no mesmo dia e hora dois jogos de times rivais de cidades que só têm dois grandes times (Atlético-PR e Coritiba, Grêmio e Internacional, Cruzeiro e Atlético-MG...) é amadorismo (ou incompetência?).

Pensem nos bares e restaurantes que assinam pacotes pay-per-view e não podem transmitir os dois jogos, pensem nos assinantes individuais de pacotes que gostam de futebol e não podem ver as duas partidas, pensem nos profissionais da mídia esportiva regional que não conseguem acompanhar os dois jogos ao vivo.

É muito prejuízo causado por essa atitude absolutamente amadora. Já que a CBF lucra tanto com o futebol brasileiro, deveria agir mais profissionalmente e não prejudicar terceiros que precisam (ou gostam) do futebol.

Tuesday, June 18, 2013

BOLA FORA DE DILMA ROUSSEFF

Um jornalista do Piauí perguntou à presidente Dilma se ela era "homossexual, como estavam dizendo nas redes sociais" (está no Youtube). Ela ficou indignada, tomou como xingatório, disse que não responderia, que tinha filha e era avó, que não conversaria "coisas desse nível" etc.

Que coisa feia, senhora presidente! Que bola fora! Não é uma resposta adequada para quem se diz humanista e progressista. Uma resposta de alguém que combate a discriminação e luta pelos direitos de todos poderia ser, por exemplo:

"Não, não sou. Obrigado por perguntar, é uma pergunta muito oportuna, porque posso dizer que não vejo problema nenhum em ser. Respeito quem é e luto para que os homossexuais não sejam discriminados e tenham todos os seus direitos assegurados."

Fazendo o que fez, a presidente supostamente de esquerda, progressista e humanista só reforçou o preconceito. Será que esses políticos não pensam nesses temas? Não se preparam para enfrentar as polêmicas mais candentes da vida nacional? Não têm uma posição real de defesa dos direitos de todos?

Para dar um resposta antipreconceito, evidentemente, eles precisam pensar assim se quiserem honrar seus ideais humanistas.

Enfim, uma triste constatação: como é raro um político que realmente lute contra os preconceitos. Parece que é quase tudo encenação, sem convicção; parece que quase nada sai do coração, de ideias realmente abraçadas com vontade. Quem deveria estar em primeiro lugar entre os que combatem o preconceito age para reforçá-lo. Triste.

Wednesday, May 01, 2013

A VERDADE DA BÍBLIA. QUE BÍBLIA?

A INFALIBILIDADE DA BÍBLIA - QUE BÍBLIA?

Diferentes denominações religiosas atribuem à Bíblia um valor infalível. Consideram suas palavras como verdades absolutas. Diante dessa realidade, sempre me vêm algumas perguntas....

1) De que Bíblia cada denominação está falando? Sim, porque a Bíblia como geralmente a conhecemos hoje é a compilação de vários escritos, de diferentes épocas e autores, que foram escolhidos por alguém (da Igreja) que lhes atestou o valor de palavra divina. Muitos escritos parecidos foram considerados apócrifos, heréticos, rejeitáveis. A definição hoje mais universalmente aceita dos livros que constituem a Bíblia foi feita pela Igreja Católica.

2) De que tradução se está falando? Sim, pois os vários livros da Bíblia foram escritos em línguas diferentes e antigas (grego, hebraico, aramaico). São escritos milenares, que exigem altíssima expertise para seu entendimento e tradução. Há traduções clássicas que vêm sendo reproduzidas há séculos. E os originais da Bíblia não são conhecidos. Há apenas cópias de cópias. A mais célebre das traduções antigas foi a dos 70 sábios. Depois, a de São Jerônimo para o latim (a "Vulgata"), ordenada pela Igreja Católica e que se tornou a base para a maior parte das traduções que se seguiram.

3) E qual a interpretação? A Igreja Católica considera-se a depositária da Bíblia, por mandado divino, e iluminada pelo Espírito Santo para a interpretação das escrituras. Ideia combatida por Lutero, que pregou o princípio da livre interpretação, do qual, consequentemente, surgiram as interpretações mais díspares possíveis.

Então, quando se fala da Bíblia, é de se pensar no longo e tortuoso caminho percorrido até que alguém no Brasil leia a tradução que tem em mãos (fidedigna? confiável? tecnicamente correta?) e interprete o que leu segundo suas próprias "luzes". Ou trevas... Pode dar em interpretações muito difundidas, como: "os judeus são um povo amaldiçoado por terem matado Jesus Cristo, que amaldiçoou todos os judeus e seus descendentes"; "os africanos são descendentes de um filho amaldiçoado por Noé". E por aí vai...

Quando ouço alguém falar uma "verdade absoluta" em nome da Bíblia, tenho vontade de perguntar: De que Bíblia você está falando? E por que você acha que essa da qual você está falando é a "legítima"?


A VERDADE DA BÍBLIA NA VISÃO CATÓLICA

Eis a resposta católica à questão.

Deus se dá a revelar ao mundo. Sua vontade é revelada aos homens pelos profetas, que são instrumentos divinos no cumprimento dessa missão. Profeta é aquele que aponta o caminho a ser seguido. A vontade divina em relação aos homens foi manifestada por profetas e outros homens inspirados por Deus, alguns dos quais deixaram consignada por escrito Sua mensagem à humanidade.

Para pagar a dívida do pecado original cometido pelo homem, o próprio Deus encarnou-se, tornando-se a um tempo homem e Deus na figura de Jesus Cristo para assim, com seu sacrifício de valor infinito (já que foi o sacrifício de um Deus), resgatar a dívida da humanidade (uma vez que foi também o sacrifício de um homem).

Cristo ressuscitado fundou uma igreja, dando a Pedro a direção dela: “Tu és Pedro, e sobre essa pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado também nos céus”.

Essa igreja por ele fundada tem Seu mandado para difundir e interpretar a mensagem divina, com a garantia da assistência perpétua do Espírito Santo, prometida pelo próprio Cristo. Assim, cabe à Igreja identificar quais os escritos aos quais se pode legitimamente atribuir a inspiração divina de modo a serem considerados mensagem de Deus para os homens. Daí a legitimidade da Igreja para determinar quais livros constituem a Sagrada Escritura. E também para proclamar-se a única intérprete autêntica da Bíblia, evitando a livre interpretação, que leva necessariamente à confusão e à divergência.

Portanto, na visão católica tradicional, a Igreja Católica é a única que pode legitimamente: identificar e indicar quais livros compõem a Sagrada Escritura; interpretar a mensagem contida na Bíblia; aprovar as traduções feitas para as diferentes línguas. Assim, preserva-se a autenticidade da mensagem divina contida nos livros sagrados.

Esse mandado divino dado à Igreja mantem-se na autêntica sucessão apostólica: o papa é o sucessor direto e legítimo de Pedro, assim como os bispos são sucessores dos apóstolos, por transmissão direta e contínua (há séculos manifestada visivelmente na sagração episcopal e na eleição do pontífice).

- - -

Independentemente de se concordar ou não com a visão católica, ela tem coerência interna. Isto posto, se algum católico ou conhecedor da doutrina católica quiser fazer algum reparo, por favor, faça-o.

Tuesday, April 30, 2013

DICA PARA JORNALISTAS:

O Paraná é o sexto estado brasileiro em população, bem perto do Rio Grande do Sul, que é o quinto. Então, não convém dar manchete dizendo que "O Paraná é o quinto/sexto estado em etc." em qualquer coisa que tenha relação direta com o tamanho da população. Não merece manchete por ser o normal a se esperar.
Não fosse assim, os jornais chineses poderiam dar todo dia uma manchete anunciando que a China é a primeira do mundo nisso ou naquilo...

Monday, April 29, 2013

JORNALISMO "COMUNISTA"

Parece que o comunismo chegou de vez no jornalismo on-line. O direito autoral, pelo visto, foi abolido. É tanta reprodução de textos alheios sem citação de fonte que já está imperando, na prática, o comunismo intelectual em muitas redações. Pelo jeito, a criação intelectual agora é sempre propriedade coletiva...

Pior quando o "reprodutor" publica "barriga" alheia e depois tem que responder que a matéria não é dele. Aí a gente tem o direito de pensar que todas outras também não são!

Aliás, houve um caso mais ou menos recente até na TV (no mundo on-line, é corriqueiro). Uma fábrica de colchões em São Paulo pegou fogo, e um site publicou que um avião avia caído sobre a fábrica - uma "barriga" total, invenção pura! Segundos depois, vários sites já reproduziam a notícia errada, e até uma emissora de TV entrou na onda.

DICA PARA JORNALISTAS E ESTUDANTES

Sempre que forem escreve o nome dos dois maiores jornais paulistanos, escrevam corretamente: "Folha de S. Paulo" e "O Estado de S. Paulo". "São" é abreviado no nome de ambos.

Deus e os loucos

Até em Rambo aparecem frases interessantes...

"- Deus ama os loucos."
"- Por quê?"
"- Porque fez muitos deles."

Palavras agonizantes...

Cujo... Poetisa...

Palavras que estão morrendo, agonizantes, quase desaparecidas. Fico enlutado.

Alguém chora por alguma outra?

Tuesday, March 12, 2013

A IGREJA CATÓLICA NÃO MUDARÁ


Começa o conclave que escolherá o novo papa. Católicos e muitos não católicos esperam ansiosos, muitos rezam, vários torcem por um ou outro cardeal “papável”. Os ditos “progressistas” esperam por um papa atualizado, que promova mudanças na Igreja. Entretanto, é preciso que se diga: a Igreja não mudará essencialmente. Ao contrário do que possam pensar muitas pessoas pouco afeitas ao Catolicismo, a Igreja não mudará porque ela não pode mudar, sob pena de deixar de ser ela mesma.

Claro que pode haver transformações no modo como a Igreja se comunica com os fiéis e com o mundo. Mas, em essência, a Igreja jamais deixará de proclamar as verdades da fé que sempre proclamou. Há muitos pontos intocáveis na doutrina católica. Os dogmas não serão jamais “revogados”. A moral católica não se adaptará aos tempos. A condenação ao aborto e à contracepção, por exemplo, permanecerão.

Na perspectiva católica, se algum papa tocar na doutrina católica tradicional e secular, ele poderá ser considerado um antipapa, e a sede se deduzirá vacante, e será um sinal do fim dos tempos.

Questões que não são de doutrina estabelecida podem ter novas definições. Regras da vida eclesiástica e normas disciplinares, estas sim, podem ser alteradas. A liturgia pode ser modernizada. Até o celibato sacerdotal pode ser abolido. Mas em termos doutrinários nada mudará. E essa é uma das razões da perpetuação da Igreja ao longo dos séculos.

Thursday, February 28, 2013

BOMBA! FURO! DOIS PAPAS NOS TELHADOS DO VATICANO!

Deve ser um sacrifício pelo bem da Igreja. O futuro "papa emérito" Bento XVI e seu sucessor viverão nos telhados do Vaticano. Sofrerão ao desabrigo, com a chuva, o frio, a neve...

É o que posso deduzir da notícia da Agência O Globo reproduzida ontem na mídia brasileira.

Textualmente: Pela primeira vez em 600 anos, a Igreja Católica vai se encontrar na situação inusitada de ter duas pessoas com o título de “Sua Santidade” - o atual e o que ainda será eleito - convivendo SOBRE O MESMO TETO, o Vaticano.

Ou será que devo deduzir que um repórter de uma das maiores agências de notícias do Brasil não sabe a diferença entre SOBRE e SOB?

Aliás, vale reparar também a redundância: "Pela primeira vez... situação inusitada..."

Ademais, “Sua Santidade” não é um título, mas uma forma de tratamento.

Outras "pérolas" dessa incrível matéria:

"Neste momento, INICIA o período chamado pelo Vaticano de Sé Vacante - aquele ONDE a Igreja Católica não tem um chefe de Estado, e todas as decisões importantes são suspensas."

Primeiro, o verbo destacado deve ser pronominal: INICIA-SE.

Depois (mais grave), "período" refere-se a TEMPO e não a LUGAR. Portanto, o pronome adequado é QUANDO e não ONDE.

E mais um problema de conteúdo: "a Igreja Católica não tem um chefe de Estado"... Não tem mesmo, pois quem tem um chefe de Estado é o Vaticano, não a Igreja Católica. A Igreja tem um papa. O papa é o chefe de estado do Vaticano, mas não é o "chefe de Estado da Igreja Católica".

Aproveitando: "sé vacante" nada mais significa, em bom português, que "cadeira vazia".


Sobre a punição ao Corinthians


1) Tanto no Brasil quanto na Bolívia (e em quase todo lugar da Terra), a lei prevê punições para quem comete o crime de assassinato, seja culposo ou doloso. Portanto, a polícia e a Justiça boliviana estão agindo corretamente ao investigar e pretender punir os suspeitos da morte do torcedor boliviano.

2) Princípio básico do Direito Penal: a punição pelo crime não pode ir além da pessoa do agente. Portanto, punir todos os torcedores do Corinthians por um crime que não cometeram é gritantemente irregular.

3) Quem deve ser punido é quem cometeu o crime, inclusive, se for o caso, os copartícipes e cúmplices. E pronto. Punir o time, ou torcedores que sequer foram à Bolívia, é um atendado ao Direito.

4) A punição de inocentes pelo crime de um terceiro é brutalidade medieval. Faz lembrar horrores como, por exemplo, as punições previstas nas Ordenações Filipinas a alguns crimes - entre eles, a homossexualidade: pena de morte, confisco dos bens, perseguição à família do "criminoso". Atitude brutal e incrivelmente retrógrada.

Sunday, February 24, 2013

Jornalismo por telefone?


Estou ficando cansado da frase: “A redação tentou contato com Fulano, mas ele não atendeu as ligações”.
Senhores repórteres, por favor: larguem um pouco o telefone e a internet, tirem a bunda da cadeira e vão até a fonte! Especialmente nos casos em que o local de trabalho ou residência da fonte é conhecido. E, às vezes, fica a algumas quadras do veículo de comunicação...
É muito cômodo dizer que “o outro lado não atendeu as ligações”. O repórter faz isso para “tirar o dele da reta” e não ser acusado por não ouvir o outro lado (princípio básico do bom jornalismo). Só que não cola...
O repórter deveria ir atrás da fonte pessoalmente, encará-la e fazer a pergunta incômoda - e depois, aí sim, relatar o resultado, ainda que seja: “Procurado pela reportagem, Fulano recusou-se a falar”. Pronto: cumprida a obrigação básica! Dizer que a fonte “não atendeu as ligações” não revela nada. Ela podia não estar no local. Ou ocupada. Ou nem saber quem estava ligando para “recusar-se a atender”.
A não ser que o entrevistado atenda, fale com o repórter e recuse-se explicitamente a responder, essa desculpa não cola.

Thursday, February 07, 2013

Potencial construtivo: licença para piorar a cidade?


A realização da Copa do Mundo no Brasil, a princípio, parecia ser uma dádiva para o país, – não apenas, nem principalmente, pela promoção do evento em si e por seus aspectos esportivos, mas sobretudo pelo “legado” (palavra tão repetida) que a Copa deixaria, em forma de obras perenes para o bem de toda a população e não apenas dos amantes do futebol. Entretanto, até agora, pelo menos, não tem sido fácil vislumbrar algum legado para além dos estádios construídos principalmente com verbas públicas, alguns em lugares onde a quantidade e a qualidade dos jogos de futebol habituais não justificam tais obras caríssimas.

Em Curitiba, onde há futebol de qualidade e muitos apaixonados pelo esporte bretão, é difícil ao cidadão comum apontar, a cerca de um ano e meio da Copa, algum benefício de porte que o evento já tenha trazido ou venha a trazer em breve. A maior parte (quase tudo!) das obras e melhorias anunciadas continua no papel, e é difícil crer que algo significativo, algo que realmente mude a “cara” da cidade, ainda aconteça até a Copa. Esta a maior das decepções relacionadas ao Mundial no Brasil.

No caso da capital paranaense, no entanto, ainda se deve acrescentar à lista de desconfianças o imbróglio do financiamento das obras do estádio da Copa. A intrincada operação financeira montada para viabilizar a reforma e conclusão da arena do Clube Atlético Paranaense envolve aspectos nebulosos, como bem tem sido denunciado por esta Gazeta do Povo. O financiamento público de obra privada, que inclui (agravante enorme) até a desapropriação de casas particulares pelo Poder Público para entregá-las ao clube, é de envergonhar, mesmo diante da alegação do “benefício final” que a cidade supostamente terá com a vinda do evento esportivo. Ainda mais que, como já dito, tal benefício está longe de ser visto e sentido pela população, ao menos até o momento. Ademais, é espantoso ouvir a justificativa de que não importam os “meros” cem milhões de reais, aproximadamente, de dinheiro público usado em obra particular diante de supostos benefícios na casa do bilhão – argumento digno de Machiavel, para não dizer criminoso.

Um tema pouco destacado nessa história é uma questão que o “xadrez” financeiro trouxe à tona (ou seja, às luzes da mídia): os efeitos do potencial construtivo, mecanismo raramente comentado nos veículos de comunicação antes dos acontecimentos relacionados aos preparativos para a Copa. Como tem sido explicado pela imprensa, o potencial construtivo, concebido inicialmente para gerar recursos destinados ao financiamento de habitações de interesse social, é uma forma de arrecadação prevista pela Prefeitura que consiste na “venda” de uma licença para que os construtores possam levantar edificações com área maior do que a inicialmente autorizada na região onde será feita a obra.

Ora, parece então que a venda do potencial construtivo consiste em uma autorização para que os construtores piorem a qualidade de vida nos locais onde serão desrespeitados os limites impostos por uma lógica pré-estabelecida a partir de razões bem estudadas. Sim, pois, se a organização urbanística da cidade considera que em determinada região não se deve construir mais do que uma determinada área, a autorização para que essa área máxima seja extrapolada implica a criação de uma obra que destoará dos padrões estabelecidos como ideais para essa região. Ao menos, é o que parece dizer a lógica e o que um leitor habitual de jornal pode depreender das explicações publicadas. Esse “prejuízo” para uma região específica seria compensado com o investimento do valor arrecadado em obras de interesse público.

Como o potencial construtivo utilizado como garantia para as obras da Arena atinge um montante maior do que todo o utilizado em 2011, deduz-se que a construção do estádio com o uso desse mecanismo consiste na autorização para exceder as áreas ideias de edificação em muitas outras regiões da cidade, em benefício do estádio e seu entorno. A “compensação” seria então destinada a uma única obra, e particular.
Como atleticano, ficarei feliz em ver que o clube do qual sou sócio e o time do qual sou torcedor terão um belíssimo e supermoderno estádio. E como morador do Água Verde também me satisfaz a valorização do bairro por conta desta e de outras obras ligadas ao Mundial, como a reforma das calçadas. No entanto, é constrangedor pensar que esse benefício a um público específico e a determinada área da cidade surgirá em prejuízo de outras regiões da capital que provavelmente serão afetadas pela “autorização para piorar a cidade” em que pode consistir-se a venda de potencial construtivo em montante tão elevado.

Se este raciocínio tem alguma falha, visto não ter sido elaborado por um especialista no assunto, faltam na mídia esclarecimentos a respeito de tema tão importante para a vida da cidade, pois é isso que um cidadão curitibano comum pode deduzir a partir do que tem sido divulgado.

Tuesday, January 22, 2013

Lições de Jornalismo


Para não perder o hábito, vamos lá: lições a partir da Gazeta do Povo (esportiva) de domingo (20/01).

1) "Cenário que para os paranistas endossa o status de um dos 'times a ser batido'."
Bem, aí está mais um erro de concordância verbal. O verbo precisa concordar com o sujeito, regra básica da nossa língua no nível formal. Então, o correto é: "um dos times a serem batidos".

2) "Após três meses de preparação, onde o time enfrentou uma sequência de amistosos, ...."
Isso me dói nos olhos e nos ouvidos. Por favor, aprendam de uma vez por todos: ONDE sempre se refere a um LUGAR. Como "três meses de preparação" não é um lugar, não cabe usar o onde aqui. "Três meses" é tempo. Portanto, o correto seria usar "quando" e não onde. Ou então, "durante os quais".

3) Agora, uma lição de bom jornalismo: a reportagem "Terra estéril", de Leonardo Mendes Júnior, sobre a situação do futebol no Norte Pioneiro do Paraná. Numa época em que as pautas factuais sobre futebol estão raras, com os campeonatos estaduais apenas começando, uma reportagem desse gênero cai muito bem. E não só nessas épocas: com a concorrência do imediatismo de outros veículos, uma das alternativas para o jornal impresso é buscar esse tipo de material, diferente, exclusivo, mais aprofundado. Muito boa a entrevista com o Serafim Meneghel. E o texto sobre o De Sordi é um belo exemplo de texto bem trabalhado, de um jornalismo longe do factual e mais literário, que tem informações relevantes, mas se destaca sobretudo pela qualidade da redação. Pus o link para a matéria AQUI. Na versão impressa, o título é de revista: apenas "Terra estéril".

4) Por fim, um apelo aos colegas de rádio e TV: por favor, não maltratem ouvidos francófilos (como os meus) chamando a torre Eiffel de "Êifel". A sílaba tônica é a última (aberta), não a primeira (fechada).

Monday, January 21, 2013

Amor x razão...


Por que às vezes o amor parece tão irracional? Simples: a razão é limitada, mas não a paixão. Há muitas coisas que os limites da nossa inteligência não conseguem abarcar. O amor, entretanto, não tem limites. Por isso, transcende a razão. Não há quem não tenha conhecido um ato de amor irracional. Da mãe que se imola para proteger o filho. Do pai que faz loucuras pela prole. Do coração apaixonado que se anula pelo bem de quem ama... Nossa complexa natureza comporta um cérebro estreito e um largo coração!

Na Gazeta do Povo (esportiva) de hoje...


CUIDADO COM AS METÁFORAS...
É preciso ter cuidado para utilizar metáforas no texto. Podem sair coisas muito engraçadas. Como esta: "... o Tricolor quebrou esse indigesto jejum..." Dei muita risada ao ler! Um "jejum indigesto"? Só rindo mesmo!
Outra: "O pênalti muito mal batido [...] coroou uma tarde em que nada deu certo para o atacante." Quem quer essa coroa do reino da desgraça? Rsrsrsrsrsrs....

DE NOVO, A CONCORDÂNCIA VERBAL
E continuam a aparecer os problemas de concordância verbal. É bom repetir: pela regras da Língua Portuguesa formal, o verbo deve concordar com o sujeito. Não foi o que aconteceu mas frases seguintes: "As polêmicas e trocas de notas oficiais no ano passado deixaram várias arestas a ser [SEREM] aparadas pelos cartolas." "Ao proibir os jogadores e a comissão técnica de falar [FALAREM] antes, durante e após o jogo..."

Sunday, January 20, 2013

Afonso Pena: aeroporto "internacional"?


Êta, província... Olha só o título de extensa matéria da Gazeta do Povo de ontem, sexta-feira: "Na contramão do país, Afonso Pena tem queda de passageiros".

Nosso glorioso Aeroporto Internacional Afonso Pena (que título pomposo!), em vez de crescer, diminui... As reforminhas (insuficientes) previstas para a Copa vão a passo de tartaruga - e ainda não incluem a imprescindível terceira pista.

Sabe quantos voos internacionais diretos tem o Afonso Pena? Apena UM! Sim, isso mesmo, nosso aeroporto internacional tem um único voo internacional direto, da Gol, para Buenos Aires.

Para nomear adequadamente nosso aeroporto, deveríamos chamá-lo de Aeroporto Internacional-com-escala-em-Cumbica Afonso-Pena...

A sutil opinião...


A coluna "Notas Políticas" da Gazeta, cuja responsável é Caroline Olinda, mas que está sendo feita interinamente pelo ótimoRogerio Galindo, publicou na sexta-feira a seguinte nota:

O ministro do STF Ricardo Lewandowski recebeu um “voto de solidariedade” da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) pela “dedicação, independência e imparcialidade” que teria demonstrado na corte. Lewandowski é professor titular da faculdade e teve sua atuação no STF em evidência em 2012 como revisor da ação penal do mensalão, a maior já julgada pelo tribunal. Ao contrário de Joaquim Barbosa, relator do processo, que foi rigoroso com os réus, Lewandowski pediu a absolvição de vários acusados que acabaram condenados.

OK, normal, é uma nota informativa. É o título que lhe dá um sabor diferente. A opinião está no título. São essas sutilezas do jornalismo que o fazem tão interessante! Esse tipo de coluna, na classificação de Marques de Melo, é "mista", ou seja, informativa e opinativa, pois mescla textos estritamente informativos com pílulas de opinião.

Ah, o título! Ei-lo: "Alguém gostou". Que tal?

As dívidas da Prefeitura de Curitiba e o "argumento" de Ducci


Nosso querido ex-prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, pelo visto, gosta de uma piadinha, né? Gustavo Fruet noticiou que assumiu a prefeitura com R$ 330 milhões de dívidas.

A cada pedaço da dívida que é divulgado, como aconteceu com a coleta de lixo (pagamento atrasado há seis meses!), Ducci responde: "Bastam 15 dias de arrecadação para cobrir essa dívida".

Tá bom. Então, é só o Fruet cruzar os braços e ficar esperando15 dias, depois mais 30, depois mais 60... e assim por diante, até a arrecadação cobrir todos os R$ 330 milhões?

Fazendo as contas com base no "argumento" de Ducci para a dívida do lixo, é só Fruet esperar 361 dias de arrecadação que todas as dívidas serão pagas...

Rir ou chorar? O mais incrível é ter que ouvir essa espécie de "argumento" de quem já foi prefeito da capital paranaense.

É claro que um prefeito não deve deixar dívidas de sua gestão para a gestão seguinte. Mas este é o problema da reeleição: o prefeito candidato se endivida para fazer obras que o ajudem na reeleição - mas, se não é reeleito, quem paga a dívida é o prefeito seguinte.

Emprego do "e" em enumerações


Lição de redação de hoje, a partir de uma frase da Gazeta do Povo:

"Para evitar o colapso, ainda no ano passado, as empresas começaram a reduzir a oferta de assentos, rotas e a demitir funcionários."

Percebem o erro? Tenho visto esse problema em muitos textos. Não há razão para "economizar" o "e" quando ele se faz necessário. São enumerações diferentes - ambas exigem o "e".

Dissecando... Primeira enumeração: ...começaram a: 1) reduzir a oferta; 2) demitir. Segunda enumeração: ... reduzir a oferta de: 1) assentos; 2) rotas.

Portanto, a frase deveria ser escrita assim: "... as empresas começaram a reduzir a oferta de assentos e rotas e a demitir funcionários."

Entendido?

Declaração infeliz...


Uma incrível declaração de Leopoldo Jorge Alves Neto, um dos líderes da juventude do PT que participou do já célebre jantar (frango com polenta) para arrecadação de dinheiro destinado a pagar as multas dos condenados no processo do Mensalão:

"O projeto do partido é que foi julgado. Então a gente achou importante ajudar os companheiros."

É mesmo, senhor Alves Neto? Então, os ministros do STF não julgaram crimes de corrupção, mas o projeto do partido? Nesse caso, compra de votos de deputados faz parte do projeto do partido?

Francamente...

VIOLÊNCIA E VINGANÇA, A ESTUPIDEZ...


Dia desses, vi na TV o filme "O Reino". Sinopse: uma colônia de trabalhadores americanos na Arábia Saudita sofre um ataque terrorista que mata 100 pessoas, entre elas um agente do FBI. Uma equipe de agentes especiais vai dos EUA até lá para investigar. Descobrem o líder terrorista idealizador do atentado, encontram-no e o matam.

Nada de excepcional. Entretanto, o final do filme chama a atenção e faz com que ele seja diferente de tantos outros parecidos. No início do filme, o chefe dos agentes anuncia a morte dos americanos, entre eles o homem do FBI. Uma mulher (que tinha algum relacionamento especial com o morto) começa a chorar, O chefe da missão se aproxima dela e diz alguma coisa no seu ouvido para consolá-la. Já quase no final, após os americanos atingirem o líder terrorista (que estava num apartamento com sua família), sua neta se aproxima e ele cochicha algo no seu ouvido antes de morrer.

O desfecho do filme alterna duas sequências, uma nos EUA e outra na Arábia. Alguém pergunta ao agente chefe da missão o que ele havia cochichado no ouvido da mulher (lá no início do filme) para consolá-la. Na Arábia, alguém pergunta à neta do terrorista o que ele lhe disse antes de morrer. As respostas são idênticas: "Disse que não se/me preocupasse, porque nós iríamos matar todos os responsáveis por isso".

Essa é a estupidez da guerra, que a faz interminável. Não interessam as razões do outro lado, o inimigo deve ser destruído - ele é o "errado", nós somos os "certos". E isso simplesmente não se discute.

Essa visão maniqueísta perpetua a violência, em todos os níveis. Por isso, achei lamentável aquela manifestação supostamente anti-homofóbica feita na PUCSP que incitava o ódio ao papa e simulava sua decapitação. É sempre ódio contra ódio, não importam as razões. Os que odeiam tornam-se odiáveis. Qualquer diálogo é impossível. E nenhum lado percebe que a incitação do ódio alimenta as "razões" do inimigo. E, assim, a guerra não tem fim.

Título confuso!


É pra rir ou pra chorar?

Olha só o título de uma notícia do Yahoo:

"Após morte, Zezé Polessa é denunciada"

O Estado não deve tutelar a moral individual


Fico enojado com notícias como a deste link (aqui). A meu ver, tem o ranço mais obscurantista possível. Não cabe ao Estado tutelar a moral individual. Quem acredita que livros presentes nas livrarias atentam contra crianças e adolescentes? Ridículo.

Tenho horror à censura. Se uma criança ou adolescente estiver sozinha, sem seus pais ou responsáveis, e entrar em uma livraria para matar a curiosidade de folhear o tal "50 tons de cinza", então, aí estaria pelo menos uma coisa boa que esse livro (que, ao que tudo indica, é de baixíssima qualidade literária) terá feito!

Nenhum criança ficará moral ou mentalmente prejudicada por folhear em público um livro em uma livraria. Felizmente, não estamos no tempo nem no lugar em que "iluminados" que se julgavam donos da moral e da verdade promoviam fogueiras públicas de livros "imorais". Mas, tristemente, de tempos em tempos ressurge, cá e lá, um ou outro retrógrado ávido por publicar seu "index librorum prohibitorum".

Ó horror, ó infâmia, ó ignorância. Uma sociedade de censura, na qual o Estado julga ter o papel de tutelar a moral individual, está podre. Um horror!

Mais erros em jornal


Foi só o governo anunciar (para minha decepção) a prorrogação para a entrada oficial em vigor da nova ortografia que a nossa querida Gazeta já começou a deixar de lado as novas regras de uso do hífen. Na mesma página da edição de 16/01 (p. 24 - Mundo), há dois títulos com problemas:

"Estado de Nova York aprova leis anti-armas"

"Mega-engavetamento"

Pelas "novas" regras, não se deve utilizar o hífen nesses casos.

Como entender a diretoria do CAP?


Estupidez. Não vejo como classificar de outra forma a atitude dos dirigentes do Atletico Paranaense em não aceitar a verba de 1,1 milhão oferecida pela TV para transmissão dos jogos do time no Campeonato Paranaense.

Se fosse parte de um movimento organizado dos clubes, tudo bem. Mas a atitude isolada não traz NENHUM benefício para o clube. A TV não vai aumentar as verbas por isso. Consequências:torcedores frustrados e furiosos porque não poderão ver os jogos do time, diminuição no número de torcedores, pouca divulgação do time no interior, descontentamento de patrocinadores que não terão suas marcas expostas na TV.

Será que os dirigentes têm medo antecipado do possível fiasco do time tri-vice no Paranaense? Time que subiu para a série A nacional a duras penas, conseguindo a penúltima vaga, na último rodada, no sufoco! E que até hoje não tem NENHUM REFORÇO.

R$ 1,1 milhão poderia garantir pelo menos um reforço razoável... Equivale a 1.309 sócios pagando mensalidade integral durante um ano!

Onde essa diretoria arrogante está com a cabeça? Acham que o time trivice e recém-saído da série B vale mais do que os outros? Com base em quê?

"Orientação" sexual e não "opção"


Mexendo em arquivos antigos, achei este texto (Gazeta do Povo, 29/03/2011, Vida Pública – Coluna de Reinaldo Bessa):

“O que nos preocupa é o incentivo à escolha sexual da criança ainda em fase de crescimento.” Da deputada Mara Lima, evangélica, que ontem protestou na Assembleia contra a distribuição nas escolas de kits do Ministério da Educação condenando a homofobia.

É muita ignorância da deputada, não? Falar em "escolha sexual"... É o problema de muita gente que pretende debater temas que não conhece, com base apenas nos seus pré-conceitos, gerando debates desqualificados. Não existe "escolha sexual". Pergunte a um heterossexual quando ele "escolheu" ser hetero - ele provavelmente vai rir e dizer que nunca precisou escolher. Não é uma questão de "escolha". Ou a pessoa é homossexual ou não é, não escolhe, assim como acontece com os heterossexuais.

Ah, essas sinopses...


Humm... Deve ser difícil escrever sinopses de filme, né? Olha só a sinopse de "Intocáveis" que tem saído na Gazeta:

"Um rico aristocrata que vive em uma mansão em Paris fica tetraplégico em um acidente e contrata um jovem para auxiliá-lo. Os dois acabam tornando-se grandes amigos e EMBARCAM NUMA GRANDE AVENTURA."

O destaque é meu. Não me lembro de eles terem "embarcado numa grande aventura" no filme. Mas certamente me lembro de ter visto essa mesma frase em outras quinhentas sinopses...

Sunday, January 06, 2013

Jornalismo: discurso em terceira pessoa

Aproveito um trecho da Gazeta do Povo de hoje (06/01) para dar uma dica sobre redação jornalística.

Segue o trecho:

Nesta semana, o dirigente declarou, em entrevista à rádio Banda B, que "ainda não fomos atrás de contratações, estamos esperando a reapresentação do elenco e analisando a questão dos jogadores que estão acabando seus contratos. Depois disso, vamos em busca de reforços."

Há no trecho uma mistura indevida de discursos em terceira pessoa (a voz do jornalista) e primeira pessoa (a do entrevistado). O narrador jornalista escreve em terceira pessoa. Não deve emendar ao seu discurso o discurso em primeira pessoa do entrevistado. É preciso "passar a palavra" ao entrevistado, utilizando, por exemplo, os dois pontos - assim, faz-se a transição adequada dos discursos. Deveria ficar assim:

Nesta semana, o dirigente declarou, em entrevista à rádio Banda B: "Ainda não fomos atrás de contratações, estamos esperando a reapresentação do elenco e analisando a questão dos jogadores que estão acabando seus contratos. Depois disso, vamos em busca de reforços."

Outra solução seria relatar o discurso do entrevistado em terceira pessoa. Como no exemplo que segue.

Nesta semana, Lopes declarou, em entrevista à rádio Banda B, que os dirigentes ainda não foram atrás de contratações, pois estão esperando a reapresentação do elenco e analisando a situação dos jogadores cujos contratos estão se encerrando. "Depois disso, vamos em busca de reforços", afirmou.

Espero ter conseguido ser claro. Futuramente, comentarei outra questão ligada a isso: o excesso de citações entre aspas que tem campeado nos jornais.

Trecho ininteligível da Agência Estado

Trecho de matéria publicada sábado na Gazeta (despacho da Agência Estado), sobre a divisão do Fundo de Participação dos Estados:

"A transferência do FPE é feita, desde 1989, da seguinte forma: 85% do total é repassado aos governos do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e o restante para os estados do Sul e Sudeste. Em seguida, a maior parte desse dinheiro (95%) é distribuída conforme o produto da divisão do tamanho da população pelo inverso da renda per capita, e o restante (5%) segue o tamanho territorial do estado."

Entendeu? Eu não. Pode me explicar?

Erros de concordância

Na Gazeta do Povo de sexta-feira passada:

Capa: "58,9% dos eleitores de Curitiba ouvidos PELO Paraná Pesquisas souberam citar o nome do vereador no qual VOTOU em outubro de 2012."

Vida e Cidadania, p. 4: "A ampliação teve início em outubro de 2010 e ESTÃO SENDO FEITAS em etapas."

Deve ser efeito da ressaca das festividades de fim de ano...

Mais considerações sobre Língua Portuguesa

Mais algumas considerações sobre Língua Portuguesa a partir do nosso instrumento diário, a Gazeta do Povo.

Já escrevi aqui que a flexão do infinitivo é tema dos mais complexos da nossa língua - mas ele deve, em regra, ser flexionado para concordar com o sujeito.

Vejamos a chamada na capa da Gazeta para o artigo de Carlos Ramalhete: "Multidões de analfabetos funcionais lotam os bancos universitários e ganham seus canudos sem nunca ter lido um livro inteiro."

Fui conferir no artigo. Lá, está certo: "... sem nunca terem lido ...". No mínimo, curioso que na chamada tenham incluído o erro que não existe no artigo...

No mesmo artigo, um "erro" de regência que logo não será mais "erro", porque o uso já o está consagrando: "... após um processo judicial que implica em pilhas enormes de papel..." Esse "em" não deveria estar aí. Mas quase ninguém mais percebe, não é? Na fala cotidiana, a grandíssima maiorias das muito poucas pessoas que utilizam o verbo "implicar" o fazem com o "em" - que só caberia em determinadas construções, como: "O deputado foi implicado no crime".

Na Gazeta Esportiva, encontra-se a frase: "A moeda imobiliária é o crédito virtual concedido pelo poder público municipal para se construir imóveis de tamanho acima do estabelecido pela legislação municipal". Acho que todo mundo se lembra da regra: "... para se construírem imóveis ..."

Thursday, December 27, 2012

O "plantão de domingo" no jornal...

Ser jornalista é muito bom. É uma profissão bacana. Mas tem suas agruras. Uma delas é o plantão em domingos e feriados: jornalista caçando notícias em época em que as importantes são raras, enquanto todo mundo descansa ou se diverte. Imagine então plantão de domingo antevéspera de Natal! Um horror!

Quem foi escalado para ficar o domingo no jornal, sei disso, quer mais é fechar tudo logo e ir para casa. Fica apenas o último dos moicanos até dar a hora final, aguardando para o caso de acontecer algo inesperado.

O resultado pode ser visto na edição de 24/12 da Gazeta. Quase só notícias de agências. Manchete com matéria fria. E alguns textos feitos na correria. Aí, saem coisas como as que seguem.

Paulistas que vieram para Curitiba viraram "imigrantes" (inclusive na capa). "Após o acidente, o sistema de som da Cassol Centerlar anunciou o acidente". E a matéria "Federação lidera 'mensalinho'" é a campeã de errinhos do dia - não erros de informação, mas de digitação, ortografia, vírgulas, nada grave, errinhos típicos de redação feita com pressa.

Quem já fez muito plantão de domingo, como eu, há de entender e ser condescendente...

Natal

Independentemente de religião...

Esse homem cujo aniversário se comemora dia 25/12 (ainda que não se saiba a data exata de seu nascimento) merece a comemoração. Quem ousaria dizer coisas como: "Ama teu inimigo" - "Se te baterem na direita, oferece a esquerda" - "Ama ao próximo como a ti mesmo" - "Se te tirarem a capa, dá também a túnica"... E tantas outras coisas espantosas e verdadeiramente revolucionárias?!

Ainda que não se creia na sua existência histórica (creio, mas tenho aqui muitos amigos ateus, agnósticos e não cristãos), não há como negar o enorme papel dessa figura única. E que, muito provavelmente, se esses ensinamentos fossem seguidos em sua simplicidade, o mundo seria bem melhor.

Tive meus tempos de praticante fervoroso (muitos diriam fanático) de uma religião. Hoje, embora responda que sou católico quando me perguntam, sou um tanto avesso às religiões institucionalizadas. Mas tenho minha fé. E minhas muitas dúvidas, inclusive em relação a alguns fatos ligados à vida de Cristo. Mas não deixo de admirar e me espantar com a figura divina de Cristo.

Feliz Ano Novo!

Difícil uma mensagem de Ano Novo melhor do que a clássica do Drummond. Então, lá vai ela, com o desejo de um 2013 MARAVILHOSO para todos os meus amigos!

RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo 
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
(mal vivido talvez ou sem sentido) 
para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo. Eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

CONFISSÃO

Já fui homem de pensamento único. Já acreditei que eu tinha a verdade e que minha missão era dar a conhecê-la aos outros.

Depois de muitos anos, consegui perguntar-me por que minha verdade era melhor que a dos outros. Percebi que os defensores de uma "verdade" diferente da minha eram exatamente iguais a mim, só que com outra "verdade".

Hoje, prefiro a dúvida que incomoda à certeza que imobiliza. São as dúvidas que me impulsionam e me levam adiante. Que me dão o gosto da vida - como o alpinista que se compraz em subir a montanha porque sabe que pode cair (caso contrário, não teria graça).

Se alguém me apresenta alguma "verdade", penso nela, analiso, procuro ver o que tem de bom. Se esse alguém se agarra a essa "verdade" como a única possível, a salvação da humanidade, tenho pena. Passo adiante. Por que há incontáveis pessoas cheias dessas "verdades" salvadoras, tão diferentes umas das outras, e com defensores tão igualmente convictos de suas verdades!

Prefiro não procurar sofregamente a verdade, mas buscar o amor, a compaixão, a compreensão, a fraternidade. E não almejo a perfeição das "cartilhas" pré-escritas, iguais para todos. Prefiro a imperfeição da humanidade, com seus erros e "pecados", mas sempre aberta a novas possibilidades.

Muitas vezes, há mais vida no colo da prostituta que no regaço da esposa; visão mais clara no fundo da garrafa do que na abstinência ascética; mais lucidez na loucura do que na sensatez acomodada.

Saturday, December 22, 2012

Algumas lições a partir de textos da Gazeta do Povo desta semana


1) “O STF deve lembrar de Adauto Lúcio Cardoso”
O verbo “lembrar” é transitivo direto. O verbo “lembrar-se” é transitivo indireto.
Portanto, a frase correta deveria ter “... lembrar Adauto ...” ou “... lembrar-se de Adauto ...”

2) “Gustavo Fruet disse [...] que ‘não se auditou 5% dos dados que chegaram à CPI’.”
Erro de concordância. O correto: “... não se auditaram 5% dos dados ...”

3) “... Benjamin corta uma mexa do cabelo do religioso ...”
Erro de ortografia: “mecha do cabelo” é o correto.

4) “Essas emendas, além de garantir maior contrapartida ...”
A flexão do infinitivo é dos temas mais complexos da língua portuguesa. Mas, neste caso, precisam concordar com o sujeito: garantirem.

5) “Por fim, o que lhe motiva a participar de uma corrida como as 500 milhas de kart”
Este erro de regência está se tornando tão comum que logo deve ser “incorporado” ao padrão da língua, tornando norma o que o uso vem consagrando. O correto seria “... o que o motiva ...”.

6) “A crença de que a localização da cidade pode protegê-la do apocalipse fez as vendas de terrenos explodir este ano.”
Mesma questão do item 4: o infinitivo deve ser flexionado para concordar com o sujeito: “... fez as vendas de terrenos explodirem ...”
Além disso, deve-se escrever “neste ano” e não “este ano”. A preposição é obrigatória e, mesmo que não fosse, seria necessária para evitar a ambiguidade (foram as vendas que explodiram, não o ano).

Saturday, December 15, 2012

Lições a partir da Gazeta do Povo (esportiva) de hoje

1) "ONDE" só deve ser usado quando se referir a um LUGAR. Cansei de ver esse erro, tanto que já estou quase desistindo... A língua é dinâmica, não é? E já estão mudando o sentido de "onde". Enfim, vou resistir enquanto puder. A frase da Gazeta: "Os 2 melhores de cada chave foram para as semifinais, de onde Bairro Alto e Iguaçu saíram vitoriosos". O correto seria: "Os dois [por extenso, em respeito ao padrão de redação jornalística e às normas da ABNT] melhores ... foram para as semifinais, das quais [já que "semifinais" não é um lugar] Bairro Alto..."

2) O segundo caso envolve uma questão ética e, portanto, mais importante e delicada. Matéria sobre o "Barcelona Camp" explica: "Durante uma semana, esses garotos - 40 deles de famílias de baixa renda, beneficiados por bolsas integrais oferecidas pela empresa organizadora do evento - trabalharam como se fossem atletas-mirins do clube catalão". E a matéria não informa qual é a empresa. Isso é sem-vergonhice, falta de ética, sonegação de informação para o leitor. Se o fato merece ser mencionado, se a empresa faz algo digno de se tornar notícia (tanto que o jornal publica), por que seu nome é sonegado? Lamentável...

Wednesday, December 12, 2012

Deslizes jornalísticos...

Mais alguns deslizes extraídos da nossa querida Gazeta do Povo.


Caso 1


Quando um jornalista entrevista alguém que faz referência a uma data que pode não ser compreendida adequadamente pelo leitor de um jornal impresso (que será publicado no dia seguinte - o jornal impresso só tem notícias "velhas"), costuma esclarecer entre colchetes a que dia o entrevistado se referiu.

Por exemplo: o jornalista entrevista o técnico do Corinthians na véspera do jogo, e Tite diz: "Estamos preparados para o jogo de amanhã". Quando o jornal for publicado, o "amanhã" já será "hoje", pois o jornal sai sempre no dia seguinte. Então, se reproduzir a frase entre aspas, o jornalista poderá escrevê-la assim: "Estamos preparados para o jogo de amanhã [hoje]".Até aí, tudo bem. Mas, atenção, senhores jornalistas: se a fala do entrevistado não se prestar a qualquer confusão, não é preciso essa intervenção entre colchetes! Olha só o que achei na Gazeta de 25/11 (esportiva, p. 5): "Segunda-feira [amanhã] começaremos a trazer novidades para vocês". Ora, se o entrevistado disse "segunda-feira", não é preciso qualquer esclarecimento do jornalista, porque o leitor sabe que dia é segunda-feira...Mas o pior de tudo é que o jornal era de domingo (25/11 foi efetivamente um domingo), mas a data anunciada no alto da página era: "Sábado, 25 de novembro de 2012"! Vai ver que foi por isso que o repórter se perdeu...

Caso 2


Esta é inusitada: uma matéria factual com título de artigo. Foi na Gazeta do Povo de sexta-feira, 23/11/12 (Vida e Cidadania, p. 9). A matéria informava que "Um protesto de funcionários da Copel que bloqueou uma rua ontem de manhã, em Curitiba, terminou em confusão com a Polícia Militar" - um lide normal. Mas...

E o título? Ei-lo: "Protesto deve respeitar o direito do próximo"!
Será que estamos voltando explicitamente ao jornalismo publicista de séculos passados? Ou será que o editor esqueceu as lições básicas sobre titulação de matéria factual? Ou quis mesmo expressar opinião explicitamente?


Saturday, December 08, 2012

Apontamentos sobre redação jornalística

Aproveitando a Gazeta de ontem para uma aulinha de Redação Jornalística/Língua Portuguesa:

1) Observemos a frase: "...desabafa o atleta, que trocou de academia, de treinador e agora é responsável pela própria carreira." Tenho visto com frequência esse tipo de construção, no qual falta um "e". Não sei por que, parece que muita gente acha errado colocar mais de um "e" numa frase. Nesse caso, o "e" 
está faltando. São duas orações com verbos diferentes: 1) "o atleta trocou de academia e de treinador"; 2) "o atleta... agora é responsável pela própria carreira". A construção correta é: "...desabafa o atleta, que trocou de academia e de treinador e agora é responsável pela própria carreira."

2) Na mesma página 4 da Gazeta esportiva de 07/12, está a seguinte frase: "Tal eficiência, daqui a pouco mais de 72 horas, será apenas história...." Aqui, trata-se de uma falha de redação jornalística. Ao contrário do rádio ou da televisão, um veículo impresso não tem uma hora definida de transmissão. Portanto, não admite esse tipo de construção. No mesmo dia da edição do jornal, o leitor pode ler a matéria às 7h da manhã, antes de ir trabalhar, ou às 23h, depois de chegar da aula, por exemplo. Há uma grande diferença. Por isso, um texto de jornal impresso não pode conter informação desse tipo ("dentro de algumas horas"). Seria melhor escrever, por exemplo: "Tal eficiência, já na segunda-feira, será apenas história."