Thursday, June 23, 2016

DIREITA E ESQUERDA – O QUE É ISSO?

Você é de direita ou de esquerda? Por quê?
Tenho lido e ouvida tantas ideias confusas a respeito desses conceitos que me arrisco a escrever aqui sobre eles, esperando ser de alguma forma útil… O texto abaixo é aberto a contribuições – espero correções e observações pertinentes.
1) Esquerda e direita são sempre conceitos relativos, nunca absolutos. Evoluem e variam conforme o tempo e o espaço. Não são preto e branco, são tons de cinza. Em relação ao preto, o cinza é claro; em relação ao branco, o cinza é escuro. Esquerda e direita definem-se uma em relação à outra.
2) Historicamente, o termo “esquerda” tem sido carregado de conotação negativa. A língua também marca essa conotação.
Na Bíblia, Cristo “...está sentado à direita de Deus Pai Todo Poderoso, de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.” E no dia do Juízo … “Quando, pois, vier o Filho do homem na sua glória, [...] diante dele serão reunidas todas as nações; e ele separará uns dos outros [...]. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: – Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; [...] Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.” No alto do monte Calvário, ladeando Jesus crucificado, estavam o bom ladrão, à direita, que no mesmo dia estaria com ele no Paraíso, e o mau ladrão, à esquerda.
Em latim, direita é “dextera”, esquerda é “sinistra” – origem da palavra “sinistro”. Os canhotos, em idos tempos, eram tidos como anormais e amaldiçoados.
Uma pessoa “gauche” (“esquerda”, em francês), é “errada”, fora do normal. “Quando nasci, um anjo torto / desses que vivem na sombra / disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.” (Carlos Drummond de Andrade)
Dizer de alguém que é uma pessoa “direita” é elogiá-la. Fazer algo “direito” é fazer bem feito. Etc...
Portanto, carregamos inconscientemente a associação da palavra “esquerda” com o que é errado, ruim.
3) Origem histórica do termo na política
Em termos políticos, contemporaneamente, a divisão entre direita e esquerda originou-se do posicionamento dos parlamentares na Assembleia Nacional durante a Revolução Francesa. Os conservadores, defensores do Antigo Regime, ficavam à direita, enquanto os que queriam mudanças (mais ou menos radicais, conforme os diferentes grupos) sentavam-se à esquerda.
Naquele período de grande efervescência, havia uma enorme variação dentro da escala político-ideológica. O pensamento mais conservador era o dos que defendiam a manutenção de uma monarquia de direito divino, ligada à Igreja Católica. Defendiam uma sociedade teocêntrica e altamente hierarquizada. Esses poderiam ser chamados de “extrema-direita”.
No extremo oposto, estavam os anarquistas. Na Revolução Francesa, a vitória final foi do centro – composto majoritariamente pela burguesia em ascensão.
Portanto, na origem histórica contemporânea dessa divisão política, o direitista extremo era o defensor da monarquia de direito divino, com sociedade altamente hierarquizada e Estado (na pessoa do soberano) forte, absoluto. O esquerdista extremo era o anarquista, aquele que defendia a eliminação de todo governo e a liberdade individual total.
Eliminada a monarquia de direito divino com o desenrolar da Revolução Francesa (e suas idas e vindas pendulares), o que a subsistiu foi a república burguesa. E assim, nessa evolução histórica, a república burguesa (esquerda em relação ao Antigo Regime) passou a ocupar o lugar mais à direita no espectro político. Eliminavam-se os privilégios da nobreza, mas não em favor do povo e sim da burguesia (detentora de um ascendente poder econômico).
No século 20, a Revolução Russa fez do socialismo comunista capitaneado pela União Soviética o representante mais à esquerda em relação à república burguesa. Nesse sistema bipolar, era fácil alguém localizar-se politicamente pelo alinhamento com o “Ocidente” (o capitalismo estadunidense) ou com o “Oriente” (o socialismo soviético).
4) Liberdade x Igualdade
Buscando-se o lema da Revolução Francesa – “Liberdade, Igualdade, Fraternidade” – pode-se definir grosseiramente o dilema entre os dois regimes da Guerra Fria como a prevalência da Liberdade sobre a Igualdade (caso do capitalismo) ou da Igualdade sobre a Liberdade (caso do socialismo). Do ponto de vista econômico, no capitalismo, todos devem ter a liberdade de fazer o que quiserem – o que gera grandes desigualdades; no socialismo, todos devem renunciar a grandes parcelas de liberdade em benefício da igualdade.
No atual panorama mundial, as coisas já não são assim tão simples e dicotômicas. Na situação pré-Revolução Francesa, a defesa da monarquia católica de direito divino estava acompanhada da adoção da moral cristã, enquanto a anarquia pressupunha também a libertação em relação à moral religiosa. O Estado forte da “direita” defensora do Antigo Regime englobava a vigilância da moral – e, portanto, a limitação das liberdades individuais em nome dessa moral (no caso, a moral católica). Contemporaneamente, o liberalismo econômico não esteve necessariamente atrelado ao liberalismo moral. Se a república burguesa decepou o topo da pirâmide (a nobreza) em favor de um regime econômico menos engessado e uma hierarquia social com maior mobilidade e menor desigualdade, sua moral manteve-se bastante atrelada à moral cristã.
Relativamente ao Antigo Regime (monarquia absoluta de direito divino), a república burguesa estava à esquerda. Mas, em relação ao socialismo soviético, passou a representar a posição conservadora e mais à direita. Assim, grupos economicamente “conservadores” (da república burguesa), que pregam a liberdade econômica, são normalmente também conservadores do ponto de vista moral (quando pareceria normal defenderem a liberdade individual também nesse ponto). E nem mesmo a esquerda economicamente coletivista, no socialismo real (ou seja, em países nos quais se adotou um regime comunista), livrou-se da moral burguesa. Já os grupos de esquerda em países capitalistas são mais tendentes a rechaçar a moral judaico-cristã, defendendo a liberdade individual do ponto de vista moral (embora – contradição – o socialismo, do ponto de vista econômico, pregue a restrição à liberdade em favor da igualdade).
Obviamente, a extensão deste texto exige uma abordagem muito simplificada (e, portanto, um tanto simplista), mesmo porque a gradação de posições políticas e morais é muito ampla e variada para se classificar apenas em “esquerda” e “direita”. Nessa simplificação, pode-se dizer que, nas condições de hoje, quanto mais tendente à máxima liberdade econômica individual (e, portanto, à mínima intervenção estatal no sistema econômico), tanto mais “de direita” será a pessoa. E, no sentido contrário, quanto mais tendente a apoiar a intervenção estatal para o controle da economia (de modo a favorecer o interesse coletivo em detrimento dos interesses individuais), tanto mais “de esquerda”. No âmbito moral, será tão mais “direitista” quem mais defender o respeito às regras morais judaico-cristãs (família tradicional, repressão à sexualidade, proibição do uso de drogas etc. – ou seja, o controle das ações morais individuais). E tão mais “esquerdista” será quem mais defender a liberdade individual nessas questões. Ou seja, há uma flagrante contradição entre a defesa da liberdade econômica e da liberdade moral individual nos conceitos atuais de “direita” e “esquerda”.
O Estado forte, que cerceia as liberdades individuais, existia na monarquia absolutista. E também na ditadura do proletariado. E no regime militar brasileiro (estatizante e nacionalista). Hoje, a defesa do Estado intervencionistas é pauta da esquerda.
Nesse panorama um tanto confuso, há os “liberais autênticos”, que adotam a defesa tanto da liberdade econômica quanto da liberdade individual, argumentando ser essa uma posição mais coerente do que a posição “conservadora” tradicional da “direita”, uma vez que repudiam a intervenção estatal tanto na economia quanto no controle das liberdades individuais.
Pois é, as coisas não são tão simples… Hoje, no Brasil, um partido teoricamente “de esquerda”, como o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira, vejam só o nome!) defende as privatizações, pauta tipicamente de direita.
Na política brasileira, quais partidos são de direita ou de esquerda? Teoricamente, a resposta deveria estar nos programas partidários. Mas a realidade é que o comportamento dos políticos frequentemente tem muito pouco a ver com os programas partidários. Na quase totalidade, os partidos brasileiros são amontoados de gente com sede de poder, sem real interesse programático. A ponto de partidos com programas francamente de esquerda, chegando ao poder, tomarem atitudes abertamente “direitistas”. Seria muito bom se os eleitores conhecessem os programas partidários e passassem a cobrar dos políticos ações coerentes com os programas de suas agremiações. Alás, ler os programas pode assustar muita gente...

Wednesday, June 22, 2016

A tirania da publicidade

"Para reduzir a humanidade à escravidão, a publicidade escolheu a dissimulação, o jeitinho, a persuasão. Vivemos no primeiro sistema de dominação do homem pelo homem contra o qual até a liberdade é impotente. Ao contrário, ele aposta tudo na liberdade, é este seu maior achado. Toda crítica lhe dá o bom papel, todo panfleto reforça a ilusão de sua tolerância melosa. Ele submete a todos com elegância. O sistema atingiu seu objetivo: até a desobediência se tornou uma forma de obediência."
("$29,99" - Frédéric Beigbeder)

Tuesday, June 21, 2016

A importância da arte

Belíssimo texto publicado pelo Alessandro Wainer:

Em 1993, Susan Sontag foi a Sarajevo. A cidade estava destruída por causa da guerra. Ninguém estava seguro na Bósnia.
Ela pensou que iria ajudar a carregar sacos de cimento, cuidar de doentes, enfim, dar pão a quem não tinha.
Mas não.
Pediram que ela montasse uma peça de teatro. Ela escolheu Esperando Godot, de Becket.
Por que pediram que ela montasse uma peça de teatro?
- Não somos animais.
Foi o que disseram.
Não consigo pensar nessa história sem que venham lágrimas aos meus olhos.
- Não somos animais - disseram em Sarajevo, em 1993.
E nós, cá no Brasil, em 2016? O que somos? O que queremos ser em 2026?
E daí, nessa hora, eu penso: não, a arte não está no topo da pirâmide de Maslow. Tampouco está na base. A arte deve permear tudo, cada um dos degraus. De outra forma, até as necessidades mais essenciais, como comer, beber, dormir e cagar, serão feitas como se fôssemos animais.

Monday, June 20, 2016

O hábito não faz o monge, farda não impõe caráter

Atenção, Senhoras e Senhores: o hábito não faz o monge. FARDA NÃO IMPÕE CARÁTER. Militares não são seres impolutos apenas por usarem farda. Ao longo da história, em todas as épocas e lugares, militares foram responsáveis por perpetrar os maiores crimes da humanidade, em qualquer regime, em todos os continentes. Eles podem ser úteis (e são, efetivamente, muitas vezes), caladinhos no canto deles, cumprindo a função de garantir a segurança, sem se meter em política. SEMPRE que se metem, dá merda.

Sunday, June 19, 2016

DIVAGAÇÕES DE UM VIAJANTE

- A grande diferença entre um povo civilizado e outro nem tanto é o espírito de coletividade. Os brasileiros são essencialmente individualistas. Essa é uma das raízes da corrupção, já que qualquer atitude em benefício próprio (ou daqueles que são próximos) é vista com complacência, como aceitável. "Farinha pouca, meu pirão primeiro", "Achado não é roubado" são ditos populares que indicam esse espírito anticoletivo. É uma das grandes diferenças entre o Brasil e a Suíça, por exemplo (lá, o normal é pensar primeiro no bem coletivo).

- O ser humano é porco por natureza. Suja tudo. Mas é notável a diferença de limpeza nos locais públicos de sociedades civilizadas e outras menos. As cidades brasileiras são muito sujas em comparação com várias grandes cidades do hemisfério norte.

- O fumante é exceção: é porco em qualquer lugar. Não encontrei cidade no mundo onde as bitucas de cigarro não emporcalhem locais públicos. Fumante é uma desgraça mundial.

- Câmbio de moedas não tem lógica.

- Mendigos e moradores de rua estão por toda parte.

- Imigrantes trabalhando em subempregos estão por toda parte.

- A reciclagem é obrigatória em muitos locais, e as pessoas estão acostumadas com ela. Alguns países adotam multas para quem mistura o lixo.

- Em alguns países, não há sacolas descartáveis nos mercados. Ou os clientes levam as próprias sacolas, ou têm que comprar sacolas permanentes no mercado. Há países em que as sacolas estão disponíveis, mas são cobradas por unidade utilizada.

Saturday, June 18, 2016

As correntes que arrastamos...

"Queremos transformar o mundo e somos incapazes de nos transformar a nós próprios. Queremos ser livres, fazer a nossa vontade, e a todo o momento arranjamos desculpas para reprimir os nossos desejos. E o pior é que nos convencemos com as nossas próprias desculpas, deixamos de ser lúcidos. só covardia. É medo de nos enfrentarmos, é um medo que nos ficou dos tempos em que temíamos Deus, ou o pai ou o professor, é sempre o mesmo agente repressivo. Somos uns alienados. O escravo era totalmente alienado. Nós somos piores, porque nos alienamos a nós próprios. Há correntes que já se quebraram mas continuamos a transportá-las conosco, por medo de as deitarmos fora e depois nos sentirmos nus."
(Do romance "Mayombe", de Pepetela)

Friday, June 17, 2016

Cuidado ao usar a palavra "bagatela"

"Bagatela: Coisa de pouco valor."
Se você for escrever uma frase como: Pagou a "bagatela" de R$ 2 mil no almoço, use sempre "bagatela" entre aspas, para indicar que é ironia. Porque, numa construção como essa, só cabe a palavra "bagatela" como ironia. Bagatela, no sentido próprio, significa coisa de pouco valor, quantia baixa, ninharia.
Tenho visto dezenas de frases em que se usa a palavra como se ela tivesse o sentido oposto do seu sentido próprio - e sem qualquer indício de ironia.

Thursday, June 16, 2016

PÉROLAS NA FACULDADE DE DIREITO

Na aula de Direito, o professor insiste com os alunos para que escrevam tudo em vernáculo. Quer que os futuros advogados não se deixem contaminar com hábitos arcaicos do mundo jurídico. Vendo um aluno com cara de dúvida, pergunta se ele entendeu. O aluno responde: "Entendi, professor! A gente tem que escrever os documentos jurídicos bem ordenados, como na Bíblia: capítulos, vernáculos..." 
* * *
O professor de Direito discorre sobre o arcabouço jurídico brasileiro. Percebe um aluno com "cara de interrogação". E pergunta: "Você está entendendo o que eu estou dizendo? Entende o que é arcabouço?" O aluno responde: "Sim, professor, era aquele porão dos castelos onde eles punham os prisioneiros."

Wednesday, June 15, 2016

Curiosidades sobre... mim

Entrei na brincadeira do Facebook que incentiva as pessoas a contarem algumas "curiosidades" sobre si. Seguem algumas minhas, se é que interessam a alguém...
1) Fui católico tradicionalista (fanático) por uns 15 anos. Hoje, não frequento nenhuma igreja, tenho minha fé particular e discordo de várias coisas na Igreja Católica. Mas ainda sei todas as orações de cor em latim. E rezo regularmente, uso escapulário e medalhas religiosas e frequentemente carrego comigo um terço. Entretanto, tenho certa ojeriza a pregações religiosas. Por minha experiência pessoal, me arrepia o fanatismo, bem como a adesão a rituais e comportamentos automatizados sem base racional.
2) Na infância e na juventude, fui atleta e pratiquei inúmeras modalidades esportivas. Ganhei medalhas de natação, handebol, vôlei, futsal, futebol e xadrez, além de participar de competições de atletismo e basquete. Também fiz judô, karatê-do tradicional, karatê kioko shin kai e taekwondo. Parei de praticar esportes há poucos anos, depois de descolar o ombro jogando futebol, o que me obrigou a fazer artroscopia e seis penosos meses de fisioterapia. Atualmente, só esteira para não ficar sedentário.
3) Quando criança, antes de mudar-me para a capital (com 14 anos), vivi muito ligado à vida rural. Meus avós maternos tinham fazenda a 6 km da minha casa (que ficava no centro da cidade), e meu pai tinha um sítio a seis quadras de casa (propriedade rural colada na cidade, no final da rua em que morávamos). Hoje, sou extremamente urbano – achou que teria grande dificuldade em viver fora de uma metrópole.
4) Atividades da minha infância “rural” incluíam abater animais. Fiz isso com minhas próprias mãos incontáveis vezes com aves e participei do abate e preparação de animais para consumo (porco, boi, cabra e até uma paca). Hoje, me horroriza a ideia de matar um frango como eu fazia quando era criança.
5) A vida “rural” também tinha suas agruras: levei muitos tombos de cavalo e fui vítima de sanguessuga, carrapato, bicho-de-pé e berne.
6) Durante os 15 anos em que fui militante católico, vivi de doações, e todos os meus pertences cabiam em uma única mala. Nas minhas missões em viagem, houve algumas noites em que eu não tinha onde dormir e pouco que comer. Cheguei a passar fome e dormir dentro de um Fusca algumas vezes. Dormir em saco de dormir, no chão, tomar banho de caneca e comer refeições doadas também foram parte da rotina de muitas dessas viagens.
7) Morei pelo menos dois anos em outras três capitais, além de Curitiba: São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.
8) Gosto de estudar línguas – tenho certificados de proficiência em inglês e francês, me viro em espanhol e estou aprendendo italiano, mas tenho uma imensa dificuldade de ouvido. Meu grande problema é na compreensão da fala, em qualquer língua (menos português).
9) Aliás, tenho certa obsessão por estudo. Ingressei em cinco cursos superiores (Medicina, Direito, Jornalismo, Odontologia, Psicologia), fiz três especializações, mestrado e doutorado. E já estou incomodado por não estar cursando nada neste semestre.
10) Na juventude, viajei bastante de carona – de carro, caminhão e até avião. Por incrível que pareça: eu ia ao aeroporto, falava com os pilotos e pedia carona. Consegui algumas vezes. Também viajei de carona em voos do Correio Aéreo Nacional.
11) Sou extremamente fraco para bebidas, por isso, bebo pouco. Beber muito, para mim, é chegar a duas garrafas de cerveja (raríssimo). Nunca fiquei bêbado, nem experimentei drogas ilícitas – não por caretice (sou favorável à liberação do uso), mas porque tenho repulsa à ideia de perder o autocontrole. Gosto especialmente de cervejas artesanais, gin e alguns licores (Cointreau, Chartreuse, Bénédictine etc.). De resto, experimento qualquer bebida, mas sempre em pouca quantidade.
12) Adoro viajar. Viajo sempre que posso, geralmente sozinho. Mas não curto as viagens tipo excursão de turista. Prefiro ficar mais tempo num só lugar que percorrer vários em poucos dias. Quando viajo, ando muito a pé. Sou andarilho, gasto a sola do sapato andando pelas cidades que visito. E adoro visitar lugares com neve.
13) A arte sempre fez parte da minha vida. Literatura, poesia, teatro, cinema, música, pintura, dança... E não apenas como “consumidor”. Escrevo contos, romances e poemas, aprendi um pouco de piano (consigo tirar músicas não muito difíceis) e violão (não toco mais), sou ator profissional (adoro o palco e a câmera!), já participei de corais, até me arrisquei em aulas de flamenco (parei porque era muito difícil) e fiz também aulas de pintura em óleo sobre tela (não levo jeito pra isso). Tive uma obra de assemblage selecionada para uma mostra coletiva. Uma das coisas que ainda pretendo fazer na vida é aprender a dançar. Meu primeiro livro individual de poemas vai ser lançado em breve.
14) Não tenho medo de mudanças, não gosto de ficar muito acomodado, tenho dificuldade com rotina prolongada. Já mudei radicalmente de vida duas vezes, deixando tudo para trás e começando uma vida completamente diferente. Saí de casa com 17 anos, apenas com a roupa do corpo. Aos 32 anos, larguei a vida anterior e comecei tudo de novo, praticamente do zero. Não tenho problemas em mudar tudo e recomeçar, a estabilidade não está entre meus valores principais.
15) Tenho pouquíssimos amigos próximos. Sei que em geral a primeira impressão que causo não é favorável, pois várias pessoas que se aproximaram de mim já disseram que “de perto” sou bem melhor do que pareço. Talvez isso se deva a meu passado de “luta contra o mundo”, que me fez criar um escudo de aparência inamistosa e beligerante – procuro superar isso, mas não é fácil.
16) Assisto a muitos filmes e séries, leio bastante e sou capaz de chorar copiosamente numa passagem triste no livro ou na tela. Aliás, algumas músicas também me fazem chorar.
17) Sou pessimista em relação à humanidade, em geral atrasada e primitiva, embora eu saiba que há muitas almas elevadas que dignificam isso de ser humano. Ver alguns horrores que aparecem na internet me deprime. Evito assistir a vídeos de desgraças humanas – se acontece por acaso, posso ficar mal por vários dias.
18) Rejeito ideologicamente coisas como racismo, homofobia, machismo (e tenho que lutar cotidianamente contra as tendências culturais e sociais do meio que me puxam para atitudes em sentido contrário a essa rejeição). Incluo nessa lista o chauvinismo e certo patriotismo. Fronteiras são convenções, não acho que qualquer “estrangeiro” seja melhor ou pior por haver nascido em outro país, sinto-me irmão de todos. Fico irritado, por exemplo, quando vejo gente falando mal do Paraguai e colocando o adjetivo “paraguaio” no que é ruim (mesma atitude que algumas pessoas do hemisfério norte têm em relação aos brasileiros).
19) Medo é um sentimento muito raro em mim. Mas tenho horror de brinquedos radicais do tipo montanha-russa - pra mim, não são diversão, mas tortura.
20) Acumulo papel. Mas estou vencendo esse hábito. De vez em quando, consigo jogar fora sacos de papeis velhos, como contas pagas. Recentemente, me desfiz de uma pilha enorme. Tinha contas guardadas há mais de 15 anos! Isso engloba livros: tenho grande dificuldade de desfazer-me dos meus, mas também estou conseguindo me desapegar e tenho doado muitos. Por outro lado, há um papel que não consigo acumular: dinheiro. Não sou "guardião de tesouro". Se tenho, gasto; se não tenho, não gasto. Mas agora também estou lutando para guardar alguma reserva.
21) Tenho daltonismo leve. Fico indignado com designers que não pensam nos daltônicos e utilizam cores que nos confundem (como vermelho e verde: nunca as coloquem juntas, por exemplo, num gráfico ou num mapa, por favor!).
22) Tenho certa queda por gente fora do comum, alternativa, fora da casinha, párias etc.
23) Sou uma metamorfose ambulante, cheio de contradições. E não me sinto nem um pouco mal por isso.

Tuesday, June 14, 2016

Futebol e mau caráter

A par da nossa seleçãozinha vergonhosa (que provavelmente se livrou de ser massacrada pela Colômbia), o cara que fez o gol com a mão devia ser o primeiro a pedir desculpas e avisar o árbitro. Porque jogar mal é ruim, mas sustentar o mau caráter ante o mundo inteiro é nojento.

Monday, June 13, 2016

Alguém pode existir para um único ato?

Sensacional o episódio de Game of Thrones com as revelações sobre Hodor.
A vida de uma pessoa pode ser justificada por um ato específico para o qual ela foi criada?
Alguém pode viver toda sua vida em função dessa hora específica em que cumprirá sua missão, que é parte de um "plano" maior?
Questões filosóficas interessantes...

Monday, July 06, 2015

Um pouco sobre mim

- Não sou defensor da "família tradicional brasileira". Sou favorável à livre união entre pessoas do mesmo sexo. Acredito que a divisão binária de gêneros e orientações sexuais é antiquada e inadequada. Já fiz trabalhos voluntários para o Grupo Dignidade.

- Nunca fui nem sou filiado a qualquer partido político. Não tenho simpatia especial pelo PT, nem pelo PSDB. Reprovo o envolvimento de ambos os partidos em enormes escândalos de corrupção. Penso que é obrigação de qualquer governo procurar melhorar a situação dos menos favorecidos.

- Também não tenho grande simpatia por pregações religiosas. Para efeitos estatísticos e censitários, declaro-me católico, mas não sou praticante e discordo de várias coisas na Igreja Católica. Tenho minha fé particular, que não interessa a ninguém e sobre a qual eu mesmo sempre me questiono. Rechaço a ideia de que a religiosidade defina o caráter. Alguns de meus melhores amigos são ateus, e são gente ótima. Há religiosos péssimos e ateus excelentes - e vice-versa.


- Sou moralmente liberal, ideologicamente falando. Mantenho um ótimo relacionamento monogâmico estável há mais de 20 anos, mas não acho que esse seja o único modelo possível de relacionamento. Cabe a cada um decidir.

Sunday, July 05, 2015

HOMEM É PRESO POR DESORDEM NO BATEL

Atendendo queixas de moradores da região, a Polícia Militar prendeu ontem um homem que estava causando incômodo nas proximidades da Praça do Batel. Identificado como Eduardo Nazário, o homem, aparentando pouco mais de 30 anos, é suspeito de dirigir uma gangue de moradores de rua e trabalhadores desempregados. Quando foi preso, vestia roupas velhas e estava sem tomar banho e barbear-se havia vários dias.

Alguns moradores da região comentaram o comportamento do homem e do seu grupo. “Eles viviam vagabundeando pelas ruas, conversando em voz alta até de madrugada, incomodando com o barulho. O líder da gangue costumava subir nos bancos da praça e ficava fazendo discursos para eles. Comiam na praça, bebiam e deixavam tudo uma sujeira”, contou a dona de casa Ruth Pereira. Indignado, o comerciante Paulo Costa reclamou que a gangue “reunia todo espécie de escória”. Embora fazendo questão de dizer que “não tem preconceito contra ninguém”, Costa afirmou que “o bando tinha drogados, bêbados, prostitutas, gays, travestis, um bando de desocupados”, que, segundo ele, estavam deixando os moradores inseguros. Uma senhora de cerca de 50 anos, que não quis se identificar, disse que se sentia incomodada porque as pessoas do bando vivem “na promiscuidade”: “Cheguei a ver mulheres abraçadas com mulheres, homens com homens, uma pouca vergonha, tudo incentivado pelo líder deles”, declarou.

Frequentadores de uma igreja das proximidades queixaram-se de que o homem e seu grupo os hostilizavam. “O homem chegou a subir num caixote na calçada da igreja para falar que os pastores só queriam dinheiro, que estavam enganando o povo. Ele ficou o tempo todo desafiando a autoridade dos homens de Deus”, relatou o funcionário da Coletoria Estadual Ernesto Pereira, frequentador do templo.


Um grupo de moradores conseguiu mobilizar alguns deputados e líderes religiosos para a formação de uma comissão que foi conversar com o governador do Estado para pedir punição rigorosa ao “líder baderneiro”, como qualificaram o homem. Sensível à demanda da população, o governador entrou em contato com o Judiciário e solicitou uma solução urgente para o caso. Atendendo ao pedido do governador, o desembargador Antonio da Silveira determinou que o prisioneiro seja executado em praça pública nesta sexta-feira, determinando o meio para cumprimento da pena: a crucificação.

Saturday, July 04, 2015

PROCURO MULHER JOVEM...

PROCURO!...
Mulher jovem, pelo menos dez anos mais nova que eu.
Muito inteligente e culta, com ao menos duas graduações, duas especializações e doutorado (no qual tenha sido aprovada com nota máxima e muitos elogios da banca examinadora). Sim, sou exigente!
Precisa ser intelectual. Que tenha livro editado e produção acadêmica consistente, com dezenas de artigos publicados. Que goste de ler, mas leitura de profundidade, como Nietzsche, por exemplo – mas que, ao mesmo tempo, se
ja capaz de acompanhar e curtir uma novela.
Que seja conectada e entenda muito de tecnologia, a ponto de conseguir resolver os problemas de computadores e smartphones.
E, exigência absoluta: bonita, aliás, muito bonita, linda, em tudo – rosto, corpo, cabelos, gestos, postura. E elegante, muito elegante, e vaidosa.
Que tenha pelo menos uma grande tatuagem. Que goste de malhar todo dia e cuide do corpo. Mas que não abandone a cerveja por causa disso e seja capaz de beber tanto quanto tiver vontade.
E também saiba cozinhar maravilhosamente bem, qualquer coisa, de cabeça, sem receitas, criando a partir do seu talento.
Que seja sincera e diga o que pensa quando necessário, sem se preocupar com a opinião alheia. Mas que tenha grande sensibilidade para perceber os ambientes e entender perfeitamente que atitude tomar e o que dizer em cada situação.
E que seja generosa e disposta a ajudar o próximo, a ponto de fazer disso seu trabalho cotidiano.
Que respeite as diferenças, inclusive as nossas, e seja tolerante com elas.
E, importantíssimo: não seja cheia de medos. Melhor: não tenha medo de nada, não se intimide diante de ninguém.
E seja compreensiva e capaz de perdoar. E aconselhar, sempre com simplicidade e sabedoria.
E seja constante apoio e incentivo.

...E ENCONTRO!
Todos os dias, há 20 anos, eu a encontro, nas horas alegres e tristes. Desde que, no dia 30/06/1995, eu disse o mais importante “sim” da vida.
Nem sei o que dizer, senão agradecer, do fundo da alma, de coração inteiro, por esses 20 anos de imerecido privilégio!
E, sim, a
 Yvana é exatamente assim, é tudo isso e mais ainda. Claro que tem seus defeitos (ainda bem!), para me lembrar de que é humana, mas que são ínfimos ante tantas qualidades...


Friday, July 03, 2015

O QUE PENSO SOBRE HOMOSSEXUALIDADE

- A homossexualidade não é “antinatural”. Está presente na natureza, entre os animais e entre os seres humanos. Entre estes, sempre houve uma porcentagem minoritária de homossexuais.
- A homossexualidade não é uma “aberração”. Assim como há pessoas com cores de pele diferentes, há pessoas com sexualidades distintas. É um fato.
- A homossexualidade sempre esteve presente na sociedade. Culturalmente, os homossexuais, ao longo da história, foram mais ou menos aceitos ou reprimidos conforme o lugar e a época.
- A homossexualidade não é uma “doença”, daí não haver sentido em se falar em “cura” nesse caso.
- Não há prova científica de que a homossexualidade tenha uma causa determinada, como a ausência da figura paterna, uma educação repressiva ou outros mitos geralmente espalhados por aí. Há muitos homossexuais que tiveram ótima educação familiar, com presença efetiva dos pais etc.
- A riqueza da variedade de gêneros e variações de sexualidade humana não cabe nos rótulos binários “homem” x “mulher”, “hetero” x “homo”. Há uma infinidade de variações que não podem ser definidas binariamente. Essa definição binária é totalmente arcaica e irreal, cultural e socialmente construída. Já passou da hora de ser desconstruída.
- Os homossexuais não são “destruidores de famílias”. Nada fazem para destruir qualquer família. Nunca entendi essa afirmação. Será que os heterossexuais têm medo de serem “transformados” pelos homossexuais e assim abandonarem suas famílias em busca de parceiros do mesmo sexo? Como os homossexuais podem “destruir” famílias? Afirmação ridícula!
- Há muitas famílias, verdadeiras famílias, formadas por pai e filho/filha, mãe e filho/filha, avô/ó e neto/a, casais sem filhos etc. Então, qual a importância da designação sexual binária de quem forma a família??? Se um homem solteiro adotar um filho, não formará uma família? Claro que sim, sob todos os pontos de vista! Não há razão lógica para recusar uma família com base em determinadas combinações da designação sexual binária dos que a compõem.
- Pessoas que acham que a reivindicação de tratamento igualitário por parte dos homossexuais pode “destruir famílias” parecem estar afirmando implicitamente que têm medo de serem “transformados” em homossexuais – sinal de uma enorme insegurança quanto à própria sexualidade.
- Convivo há décadas, cotidianamente, com homossexuais. Tenho vários amig@s homossexuais. Ente @s homossexuais com @s quais tenho convivido, conheci gente ótima, gente normal, gente medíocre e gente escrota – ou seja, exatamente igual aos heterossexuais. Mas, como experiência pessoal (portanto, sem validade estatística, apenas com o valor de uma constatação particular), dentre esse público específico, a porcentagem de pessoas com grandes qualidades (inteligência privilegiada, dons artísticos, generosidade etc.) é bem maior. Admiro muito alguns de meus/minhas amig@s homossexuais que têm qualidades maravilhosas!
- Os homossexuais merecem tratamento absolutamente igualitário, inclusive quanto a manifestações públicas de afeto. Deve lhes ser permitido tudo que é permitido aos heterossexuais.
- Há pessoas religiosas que afirmam que a Bíblia condena a homossexualidade. Pois é, ela proíbe também: comer frutos do mar, comer carne de porco, cortar cabelo e barba de determinado modo, fazer tatuagens, ter animais de espécies diferentes, divorciar-se, fazer sexo fora do casamento, a mulher querer ensinar o marido (ela deve ser submissa e silenciosa) etc. Espero que os seguidores fiéis da Bíblia que a usam para discriminar os homossexuais sigam todas as determinações do livro, para serem coerentes, né?

Thursday, July 02, 2015

Alterar a idade penal é aumentar a criminalidade

Difícil lutar contra a ignorância e a desinformação, inclusive espalhadas pela grande mídia. Que finge não saber que NO BRASIL, A PUNIBILIDADE COMEÇA AOS 12 ANOS. Uma das menores idades DO MUNDO. Com punições severas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Se querem realmente resolver/amenizar o problema da criminalidade, deviam exigir investimentos nos estabelecimentos de acolhimento de adolescentes em conflito com a lei. Nos quais, hoje, apesar da precariedade do sistema, a reincidência é MUITO MENOR que nas prisões para adultos (20% x 70%).
Baixar a idade penal de 18 para 16 significa transferir os adolescentes infratores dessa faixa dos estabelecimentos específicos (focados na reabilitação) para as prisões comuns (escolas do crime). Ou seja, é AUMENTAR a criminalidade.
Pena que eu não sei desenhar...

Tuesday, December 23, 2014

MERRY CHRISTMAS! (Canadian inspiration)

Jogou seu último resto de cigarro na rua. Acabara de decidir que seria mesmo o último – e quando ele decidia, estava decidido: seria efetivamente o último cigarro da sua vida.
“Vida”, pensou – “é isto que eu quero.”
Saiu a perambular livremente pelas ruas, apenas absorvendo as sensações que a cidade lhe passava por osmose.
Sentiu no rosto o vento gelado do inverno abaixo de zero. Respirou fundo, colocando nos pulmões as imagens do mundo que o cercava. Sorriu para o mendigo que esperava um café na porta da Tim Hortons. Sentou-se ao lado dele na rua, passou-lhe o derradeiro maço de cigarros ainda pela metade. “Se você gosta, vai lhe fazer bem – e mal a seus pulmões.”
Uma senhora saiu da cafeteria com um grande copo de café quente que entregou ao mendigo, desejou-lhe "Merry Christmas" e sumiu entre as pessoas que desciam para o metrô.
Partilharam o copo até o fim – era agradável sentir o calor do café naquele gélido início de noite. Trocaram poucas palavras, um inesperado afeto e um abraço de despedida.
Começavam a cair os primeiros flocos de neve. Ele postou-se calmamente bem no meio do movimentado cruzamento das avenidas. Dirigiu o olhar para o céu, abriu os braços, fechou os olhos e começou a girar. As buzinas irritadas serviram-lhe de fundo musical. Girou até não conseguir mais. Tonto, tomou a direção que lhe apontava o nariz.
Viu uma belíssima jovem andando pela calçada. “Ei, vamos tomar uma cerveja? Eu pago!” Assustada, ela olhou no fundo dos olhos do rapaz e enxergou a sinceridade dos inocentes. Aceitou o convite.

Foram intensamente felizes até o último badalar dos sinos.

Tuesday, July 15, 2014

Novo espetáculo de Deborah Colker em Curitiba

[Divulgação]

Chega a Curitiba o mais novo espetáculo da dançarina e coreógrafa Deborah Colker, com duas apresentações no Teatro Guaíra, em 19 e 20 de julho (sábado e domingo). Sensualidade e instinto permeiam “Belle”, trabalho levemente inspirado no romance francês de Joseph Kessel, “Belle de Jour”, e que celebra 21 anos da Companhia de Dança Deborah Colker. Ingressos já estão à venda na bilheteria do Teatro e nos quiosques do Disk Ingressos.


Escrito em 1928, “Belle de Jour” conta a história de uma dona de casa que passa as tardes num bordel buscando fugir da monotonia. A história foi adaptada para o cinema em 1967 por Luis Buñuel, e ganha agora os palcos com os movimentos e coreografias de Deborah. Em um espetáculo que flutua entre um mundo ideal e um submundo, refletindo imagens duplicadas e contrastantes, duas bailarinas interpretam a protagonista Séverine, em dois atos.


Para a construção dessa duplicidade, Deborah (que divide a direção com João Elias e assina a coreografia) escolheu momentos distintos, com mudanças de cenário, figurinos e trilha sonora. Gringo Cardia é o responsável pelo cenário, que vai do mobiliário tradicional ao bordel preto e branco. Já Samuel Cirnansck inclui nos figurinos tons fortes de roupas sensuais e acessórios dos anos 60, assim como trajes bem comportados. A trilha de Berna Cepas vai de Miles Davis a Velvet Undeground, acompanhando as transições do espetáculo.


“Belle” tem apenas duas apresentações em Curitiba: no dia 19 de julho (sábado), Pas 21h, e 20 (domingo), às 18h. Os ingressos à venda custam a partir de R$ 60 (2º balcão), R$ 80 (primeiro balcão) e R$ 100(plateia). O espetáculo é recomendado para maiores de 14 anos.


A COMPANHIA

Criada em 1993, a Companhia de Dança Deborah Colker estreou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro no ano seguinte, como parte do projeto “Globo em Movimento”. Em 95, conquistou patrocínio exclusivo da Petrobras, com o qual desenvolveu seus dez espetáculos seguintes. Conquistou importantes prêmios nacionais, como do Ministério da Cultura e dos jornais Do Brasil e O Globo, e o internacional Laurence Olivier (Grã-Bretanha) e viajou por países como Singapura, Irlanda, Portugal, Japão, Áustria e Alemanha, entre outros.

BELLE, DA COMPANHIA DE DANÇA DEBORAH COLKER

Datas: 19 e 20 de julho, sábado e domingoHorários: Sábado às 21h e domingo às 18hLocal: Teatro Guaíra – Rua XV de Novembro, 971 – CentroInformações: (41) 3304-7900Ingressos: a partir de R$ 60 (2º balcão), R$ 80 (primeiro balcão) e R$ 100 (plateia) – à venda nos quiosques Disk Ingressos (Shoppings Mueller, Estação e Palladium), no site www.diskingressos.com.br ou na bilheteria do teatro.

Sunday, July 13, 2014

URGENTE! ABSURDO! POLÍCIA FEDERAL DESCOBRE ESQUEMA DE SUBORNO DA COPA

BERNA, Suíça (13/07/14, Agência TEB) – Em investigação realizada a mando da Fifa, a Polícia Federal brasileira, com o auxílio da Interpol, descobriu um esquema de suborno para a derrota do Brasil na Copa do Mundo de 2014. Após várias escutas telefônicas realizadas ao longo dos últimos meses, a PF apurou que o PSDB, preocupado com a possível reeleição de Dilma, “comprou” a derrota brasileira, com o auxílio da CIA, já que o governo dos EUA está muito preocupado com o “avanço do comunismo na América Latina”, informou o delegado Thomas Edwon Barshop, responsável pelas investigações.

As gravações comprovaram diversos contatos dos meliantes com o técnico da seleção brasileira, Luís Felipe Scolari. Os agentes do crime, que serão denunciados por corrupção ativa, garantiram uma série de benefícios a Felipão, todos estendidos até a Copa de 2018 na Rússia: livre consumo nas unidades do McDonald´s em qualquer parte do mundo, suprimento de Nescau para todas as crianças da família Scolari, voos grátis na TAM para Felipão e familiares, fornecimento gratuito de aparelhos de barbear e shampoo anticaspa nesse período, compras semanais livres em qualquer unidade do Grupo Wallmart, fornecimento de pares de sandálias Havaianas para toda a família do técnico, ligações gratuitas entre telefones da operadora Vivo até 2018, entre outras vantagens.

Os criminosos exigiram de Scolari a convocação e escalação, em todos os jogos da Copa, de Hulk e Fred (ou, opcionalmente, Jô) e a não adoção de qualquer esquema tático para a seleção brasileira durante o mundial. Scolari, por sua vez, teria feito uma única exigência não incluída inicialmente na proposta: participar das peças publicitárias do Sebrae referentes à Copa do Mundo de 2018 na Rússia.

A PF apurou ainda, paralelamente, que Neymar foi alertado do complô por um tucano fanático por futebol, e que o atacante teria então combinado com o jogador colombiano Zuñiga – conforme pode ser visto claramente nos vídeos da partida entre Brasil e Colômbia – que o lesionasse a ponto de tirá-lo dos jogos seguintes.

Segundo a PF, fez parte também da estratégia do PSDB a divulgação de um texto após o jogo contra a Alemanha, depreciando o Brasil (o país, não a seleção). O texto teria sido escrito pelo senador Paulo Bauer, de Santa Catarina (não confundir com o jogador Paulo Baier, que, coincidentemente, atua num time do mesmo estado e cuja convocação poderia ter sido benéfica ao meio-campo da seleção), que, entretanto, para divulgação, o teria passado a um colega de partido com sobrenome menos suspeito.

Sunday, June 22, 2014

De que "grei" o Sr. está falando, Sr. Ministro?

Se um dia eu for acusado de um crime, quero ter um advogado competente, que lute por meus direitos, e um juiz isento, que julgue conforme a lei. Qualquer pessoa está sujeita a uma acusação, ainda que injusta – ser acusado não significa ser culpado, por óbvio.

É questão de sobrevivência para a democracia a existência de um Judiciário livre e isento. E por isso fiquei muito assustado com a reação do Ministro Joaquim Barbosa à interpelação de um advogado numa sessão do STF.

O advogado cumpria sua obrigação: defender os interesses de seu cliente. Não importa qual seja o cliente, pois qualquer cidadão tem direito a defesa. E o advogado não é cúmplice daquele que defende: é um profissional cujo dever de ofício é defender seu cliente. Mesmo que o acusado seja um assassino, um criminoso confesso, um ladrão contumaz, tem o sagrado direito constitucional a defesa.

Pois bem, era o que fazia o advogado em questão, Luiz Fernando Pacheco. Pois o ilustre Ministro cassou-lhe a palavra, sem dar resposta à sua demanda, e mandou que fosse retirado à força, num gesto de autoritarismo condenado até por seu colega Ministro Marco Aurélio Mello (que disse: “Achei péssimo. Nada surge sem uma causa, e deve haver uma causa. E a causa, aponto como não haver ainda o presidente trazido os agravos à mesa. [...] Foi ruim em termos de estado democrático de direito. O regime é essencialmente democrático, e advogado tem, pelo Estatuto da Advocacia, o direito à palavra”).

O mais espantoso do caso, entretanto, foram as frases ditas pelo Ministro Barbosa quando o advogado o acusou de abuso de autoridade: “Quem está abusando de autoridade é Vossa Excelência. A República não pertence a Vossa Excelência e nem à sua grei.”

Em primeiro lugar, quem pode cometer abuso de autoridade é... a autoridade! No texto da lei: “as autoridades que, no exercício de suas funções, cometerem abusos”. E a lei define explicitamente no seu texto, como abuso de autoridade, o “atentado ... aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional.” A autoridade, ali, era o Ministro, não o advogado, que foi cerceado no seu direito de exercício profissional. Inconcebível que um magistrado do porte do Ministro Barbosa ignore esse fato básico.

Mas o pior em suas palavras é a afirmação: “A República não pertence a Vossa Excelência e nem à sua grei.” A que “grei” estaria ele se referindo? À grei dos advogados? À dos defensores dos acusados no caso do “Mensalão”? Ora, tais palavras revelam uma predisposição do julgador contra um determinado grupo de pessoas por serem quem são (uma “grei”) e não em função de crimes que tenham cometido (e, repita-se, o advogado não comete crime algum por defender seu cliente).

É princípio básico do Direito Penal que o acusado seja julgado em função do que fez e não do que é. Não se julga a pessoa como tal, mas como agente de uma determinada conduta tipificada como delituosa. Quando um Ministro do STF identifica uma “grei” contra a qual se insurge, está perigosa e escandalosamente fugindo desse princípio básico. O que aponta para uma posição ditatorial. É de dar medo.

Quem comete algum delito deve ser julgado com justiça e, se condenado, receber a pena determinada conforme a lei. Se um magistrado deixa escapar uma posição de repúdio prévio a alguém por supor que pertença a um determinado grupo – e não em função dos delitos cometidos –, está expondo sua incapacidade de julgar com isenção.


Lembro-me sempre de uma frase de Tomás Morus, que vi num antigo filme sobre sua vida (“O homem que não vendeu sua alma”, ou “A man for all seasons”, no original). Dizia ele que até ao diabo deveriam ser garantidos todos os direitos da lei. Porque, se um dia destruíssemos o edifício legal a pretexto de facilitar a condenação do diabo, não teríamos depois onde nos abrigar.