Embora a notícia já seja da semana passada, não resisto a comentar, ainda que de passagem, o texto "Carta aberta aos defensores de democracia brasileira", assinado por Daniela Bueno e publicado na Gazeta do Povo de 17/09/2008. A autora conta que seu perfil e todos os comentários por ela postados no Orkut foram excluídos do site de relacionamento por ordem da Justiça Eleitoral, sob o pretexto de ela estar fazendo propaganda eleitoral ilegal.
Leia o texto. Dou todo apoio a Daniela Bueno. Indigno-me com a atitude ditatorial e anticonstitucional ordenada pela "Justiça".
Friday, September 26, 2008
Ditadura à vista?
Responda rápido: você gostaria de viver num país cujo governo seguisse uma linda religiosa fundamentalista? Responda mais rápido ainda: o que você faria se isso acontecesse no Brasil? Pois é. Informações publicadas recentemente na imprensa dão conta de que Edir Macedo, o milionário todo-poderoso da Igreja Universal do Reino de Deus, lançou um livro intitulado "Plano de Poder", no qual estimularia os fiéis da igreja a participarem da política.
O título da matéria publicada na Gazeta do Povo (Curitiba-PR), a partir de despacho da Agência O Globo, é: "Edir Macedo revela plano político em livro". O subtítulo: "Líder da Igreja Universal incita os evangélicos a tomar o poder. Objetivo seria construir o projeto de nação que Deus teria sonhado para os hebreus". Você é capaz de imaginar como seria esse "projeto de nação"?
Vale lembrar que o ex-bispo da Iurd Marcelo Crivella é candidato à prefeitura do Rio de Janeiro e já esteve à frente nas pesquisas de intenção de voto. Felizmente, deixou o primeiro lugar, especialmente depois de constatadas as obras eleitoreiras que promovia numa favela, como foi amplamente noticiado.
É sabido que uma eleição se ganha quase sempre de acordo com a quantia de dinheiro investida. Até onde os milhões da Iurd poderão ir numa eleição?
O título da matéria publicada na Gazeta do Povo (Curitiba-PR), a partir de despacho da Agência O Globo, é: "Edir Macedo revela plano político em livro". O subtítulo: "Líder da Igreja Universal incita os evangélicos a tomar o poder. Objetivo seria construir o projeto de nação que Deus teria sonhado para os hebreus". Você é capaz de imaginar como seria esse "projeto de nação"?
Vale lembrar que o ex-bispo da Iurd Marcelo Crivella é candidato à prefeitura do Rio de Janeiro e já esteve à frente nas pesquisas de intenção de voto. Felizmente, deixou o primeiro lugar, especialmente depois de constatadas as obras eleitoreiras que promovia numa favela, como foi amplamente noticiado.
É sabido que uma eleição se ganha quase sempre de acordo com a quantia de dinheiro investida. Até onde os milhões da Iurd poderão ir numa eleição?
"Bric-a-braque"
A sigla Bric indica um grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia e China - nações emergentes de grande extensão territorial, populosas e com grande potencial econômico. Pois a Gazeta do Povo (Curitiba-PR) publicou um texto (créditado à Agência Estado) com o título "Brics querem influir em políticas globais". Huuummm.... Não existe "Brics". Ou se diz "Bric querem...", concordando o verbo com os nomes dos países abreviados, ou, melhor ainda, "Bric quer...", ficando subentendido "O grupo Bric".
Tem sido notável na grande imprensa os erros de grafia, ortografia, concordância, regência. Sem querer entrar em discussões acadêmicas sobre o uso da língua, o fato é que a mídia tem hoje um papel mais importante na definição desse uso do que a literatura. Neologismos criados e/ou encampados pela mídia (como "lideranças" no lugar de "líderes" e "listagem" no lugar de "lista", por exemplo) têm entrado no uso cotidiano e nos dicionários. Tudo bem. Mas que nossos caríssimos colegas jornalistas fariam bem em escrever corretinho, segundo as atuais normas da língua escrita padrão, ah, fariam sim.
De vez em quando, vou apontar aqui alguns errinhos e errões. Que não são tão graves, aliás, quanto os inúmeros erros de conteúdo que constumam aparecer na mídia.
Tem sido notável na grande imprensa os erros de grafia, ortografia, concordância, regência. Sem querer entrar em discussões acadêmicas sobre o uso da língua, o fato é que a mídia tem hoje um papel mais importante na definição desse uso do que a literatura. Neologismos criados e/ou encampados pela mídia (como "lideranças" no lugar de "líderes" e "listagem" no lugar de "lista", por exemplo) têm entrado no uso cotidiano e nos dicionários. Tudo bem. Mas que nossos caríssimos colegas jornalistas fariam bem em escrever corretinho, segundo as atuais normas da língua escrita padrão, ah, fariam sim.
De vez em quando, vou apontar aqui alguns errinhos e errões. Que não são tão graves, aliás, quanto os inúmeros erros de conteúdo que constumam aparecer na mídia.
Wednesday, September 17, 2008
Morreu Diaféria
Morreu hoje o jornalista Lourenço Diaféria, que foi cronista da Folha de S. Paulo. Fiquei triste. Diaféria possibilitou-me o primeiro contato com as arbitrariedades da ditadura. Explico...
Minha cidadezinha natal, Cambará, na década de 60, tinha um sistema de vida muito ligado à vida rural e uma predominante mentalidade conservadora típica dos proprietários de terras. Meu pai era eleitor da Arena e assinante do Estadão. Eu vivia na alienação típica desse ambiente e de uma infância e pré-adolescência despreocupadas. O horror da ditadura não chegava àquela família classe média bem "encaixada" no sistema.
Quando nos mudamos para Curitiba, em 1976, Papai tentou assinar o Estadão, mas o serviço de entrega do jornal não chegava em nosso novo endereço (no "distante" Ahu, a seis quilômetros do Centro...). Papai resolveu então assinar a Folha de S. Paulo, o que, naqueles tempos, representava uma grande mudança!
Passei a ler a Folha. E minha leitura predileta eram as crônicas de Diaféria. No dia 1º de setembro de 1977, a Folha publicou uma crônica sua intitulada "Herói. Morto. Nós." Gostei muito do texto, que ficou marcado na minha memória. Foi a última crônica do autor que li na Folha.
O texto provocou a ira dos militares, que levaram Diaféria à prisão e ameaçaram fechar o jornal. Em protesto, a Folha publicou, na edição em que deveria sair a crônica seguinte de Diaféria, uma coluna em branco (veja aqui o relato do acontecimento no site da Folha).
Fiquei indignado. Diaféria desapareceu das páginas da Folha. Mas aquela sua crônica nunca se apagou das minhas lembranças.
Hoje, dia em que ele morreu, reli a crônica, no site da Folha. O texto me tocou, não só pelo seu conteúdo, mas pela carga emocional ligada a meu passado. Segue abaixo o texto, extraído do site da Folha.
HERÓI. MORTO. NÓS.
[Crônica publicada em 1º de setembro de 1977]
Neste texto foi mantida a grafia original da época
Lourenço Diaféria
Não me venham com besteiras de dizer que herói não existe. Passei metade do dia imaginando uma palavra menos desgastada para definir o gesto desse sargento Sílvio, que pulou no poço das ariranhas, para salvar o garoto de catorze anos, que estava sendo dilacerado pelos bichos.
O garoto está salvo. O sargento morreu e está sendo enterrado em sua terra.
Que nome devo dar a esse homem?
Escrevo com todas as letras: o sargento Silvio é um herói. Se não morreu na guerra, se não disparou nenhum tiro, se não foi enforcado, tanto melhor.
Podem me explicar que esse tipo de heroísmo é resultado de uma total inconsciência do perigo. Pois quero que se lixem as explicações. Para mim, o herói - como o santo - é aquele que vive sua vida até as últimas consequências.
O herói redime a humanidade à deriva.
Esse sargento Silvio podia estar vivo da silva com seus quatro filhos e sua mulher. Acabaria capitão, major.
Está morto.
Um belíssimo sargento morto.
E todavia.
Todavia eu digo, com todas as letras: prefiro esse sargento herói ao duque de Caxias.
O duque de Caxias é um homem a cavalo reduzido a uma estátua. Aquela espada que o duque ergue ao ar aqui na Praça Princesa Isabel - onde se reúnem os ciganos e as pombas do entardecer - oxidou-se no coração do povo. O povo está cansado de espadas e de cavalos. O povo urina nos heróis de pedestal. Ao povo desgosta o herói de bronze, irretocável e irretorquível, como as enfadonhas lições repetidas por cansadas professoras que não acreditam no que mandam decorar.
O povo quer o herói sargento que seja como ele: povo. Um sargento que dê as mãos aos filhos e à mulher, e passeie incógnito e desfardado, sem divisas, entre seus irmãos.
No instante em que o sargento - apesar do grito de perigo e de alerta de sua mulher - salta no fosso das simpáticas e ferozes ariranhas, para salvar da morte o garoto que não era seu, ele está ensinando a este país, de heróis estáticos e fundidos em metal, que todos somos responsáveis pelos espinhos que machucam o couro de todos.
Esse sargento não é do grupo do cambalacho.
Esse sargento não pensou se, para ser honesto para consigo mesmo, um cidadão deve ser civil ou militar. Duvido, e faço pouco, que esse pobre sargento morto fez revoluções de bar, na base do uísque e da farolagem, e duvido que em algum instante ele imaginou que apareceria na primeira página dos jornais.
É apenas um homem que - como disse quando pressentiu as suas últimas quarenta e oito horas, quando pressentiu o roteiro de sua última viagem - não podia permanecer insensível diante de uma criança sem defesa.
O povo prefere esses heróis: de carne e sangue.
Mas, como sempre, o herói é reconhecido depois, muito depois. Tarde demais.
É isso, sargento: nestes tempos cruéis e embotados, a gente não teve o instante de te reconhecer entre o povo. A gente não distinguiu teu rosto na multidão. Éramos irmãos, e só descobrimos isso agora, quando o sangue verte, e quanto te enterramos. O herói e o santo é o que derrama seu sangue. Esse é o preço que deles cobramos.
Podíamos ter estendido nossas mãos e te arrancando do fosso das ariranhas - como você tirou o menino de catorze anos - mas queríamos que alguém fizesse o gesto de solidariedade em nosso lugar.
Sempre é assim: o herói e o santo é o que estende as mãos.
E este é o nosso grande remorso: o de fazer as coisas urgentes e inadiáveis -tarde demais.
Minha cidadezinha natal, Cambará, na década de 60, tinha um sistema de vida muito ligado à vida rural e uma predominante mentalidade conservadora típica dos proprietários de terras. Meu pai era eleitor da Arena e assinante do Estadão. Eu vivia na alienação típica desse ambiente e de uma infância e pré-adolescência despreocupadas. O horror da ditadura não chegava àquela família classe média bem "encaixada" no sistema.
Quando nos mudamos para Curitiba, em 1976, Papai tentou assinar o Estadão, mas o serviço de entrega do jornal não chegava em nosso novo endereço (no "distante" Ahu, a seis quilômetros do Centro...). Papai resolveu então assinar a Folha de S. Paulo, o que, naqueles tempos, representava uma grande mudança!
Passei a ler a Folha. E minha leitura predileta eram as crônicas de Diaféria. No dia 1º de setembro de 1977, a Folha publicou uma crônica sua intitulada "Herói. Morto. Nós." Gostei muito do texto, que ficou marcado na minha memória. Foi a última crônica do autor que li na Folha.
O texto provocou a ira dos militares, que levaram Diaféria à prisão e ameaçaram fechar o jornal. Em protesto, a Folha publicou, na edição em que deveria sair a crônica seguinte de Diaféria, uma coluna em branco (veja aqui o relato do acontecimento no site da Folha).
Fiquei indignado. Diaféria desapareceu das páginas da Folha. Mas aquela sua crônica nunca se apagou das minhas lembranças.
Hoje, dia em que ele morreu, reli a crônica, no site da Folha. O texto me tocou, não só pelo seu conteúdo, mas pela carga emocional ligada a meu passado. Segue abaixo o texto, extraído do site da Folha.
HERÓI. MORTO. NÓS.
[Crônica publicada em 1º de setembro de 1977]
Neste texto foi mantida a grafia original da época
Lourenço Diaféria
Não me venham com besteiras de dizer que herói não existe. Passei metade do dia imaginando uma palavra menos desgastada para definir o gesto desse sargento Sílvio, que pulou no poço das ariranhas, para salvar o garoto de catorze anos, que estava sendo dilacerado pelos bichos.
O garoto está salvo. O sargento morreu e está sendo enterrado em sua terra.
Que nome devo dar a esse homem?
Escrevo com todas as letras: o sargento Silvio é um herói. Se não morreu na guerra, se não disparou nenhum tiro, se não foi enforcado, tanto melhor.
Podem me explicar que esse tipo de heroísmo é resultado de uma total inconsciência do perigo. Pois quero que se lixem as explicações. Para mim, o herói - como o santo - é aquele que vive sua vida até as últimas consequências.
O herói redime a humanidade à deriva.
Esse sargento Silvio podia estar vivo da silva com seus quatro filhos e sua mulher. Acabaria capitão, major.
Está morto.
Um belíssimo sargento morto.
E todavia.
Todavia eu digo, com todas as letras: prefiro esse sargento herói ao duque de Caxias.
O duque de Caxias é um homem a cavalo reduzido a uma estátua. Aquela espada que o duque ergue ao ar aqui na Praça Princesa Isabel - onde se reúnem os ciganos e as pombas do entardecer - oxidou-se no coração do povo. O povo está cansado de espadas e de cavalos. O povo urina nos heróis de pedestal. Ao povo desgosta o herói de bronze, irretocável e irretorquível, como as enfadonhas lições repetidas por cansadas professoras que não acreditam no que mandam decorar.
O povo quer o herói sargento que seja como ele: povo. Um sargento que dê as mãos aos filhos e à mulher, e passeie incógnito e desfardado, sem divisas, entre seus irmãos.
No instante em que o sargento - apesar do grito de perigo e de alerta de sua mulher - salta no fosso das simpáticas e ferozes ariranhas, para salvar da morte o garoto que não era seu, ele está ensinando a este país, de heróis estáticos e fundidos em metal, que todos somos responsáveis pelos espinhos que machucam o couro de todos.
Esse sargento não é do grupo do cambalacho.
Esse sargento não pensou se, para ser honesto para consigo mesmo, um cidadão deve ser civil ou militar. Duvido, e faço pouco, que esse pobre sargento morto fez revoluções de bar, na base do uísque e da farolagem, e duvido que em algum instante ele imaginou que apareceria na primeira página dos jornais.
É apenas um homem que - como disse quando pressentiu as suas últimas quarenta e oito horas, quando pressentiu o roteiro de sua última viagem - não podia permanecer insensível diante de uma criança sem defesa.
O povo prefere esses heróis: de carne e sangue.
Mas, como sempre, o herói é reconhecido depois, muito depois. Tarde demais.
É isso, sargento: nestes tempos cruéis e embotados, a gente não teve o instante de te reconhecer entre o povo. A gente não distinguiu teu rosto na multidão. Éramos irmãos, e só descobrimos isso agora, quando o sangue verte, e quanto te enterramos. O herói e o santo é o que derrama seu sangue. Esse é o preço que deles cobramos.
Podíamos ter estendido nossas mãos e te arrancando do fosso das ariranhas - como você tirou o menino de catorze anos - mas queríamos que alguém fizesse o gesto de solidariedade em nosso lugar.
Sempre é assim: o herói e o santo é o que estende as mãos.
E este é o nosso grande remorso: o de fazer as coisas urgentes e inadiáveis -tarde demais.
Friday, September 12, 2008
Por que gostamos tanto de futebol?
Sempre me pergunto por que gostamos tanto de futebol. Eu mesmo, grande apreciador desse incomparável esporte, não consigo entender meu próprio gosto. Tento forçar a memória para me lembrar como me surgiu este apego tão inexplicável. Vejo-me com 14 anos em Cambará, no interior do Paraná, minha cidade natal.
Quando nasci, Cambará vivia as últimas glórias (moderadas, é verdade...) do CAC – Cambará Atlético Clube, campeão do Norte Paranaense em 1963 e 1964, um ano antes de se retirar do futebol profissional. Foi só anos depois, em 1974, que surgiu a Sociedade Esportiva Matsubara. Transformou-se logo no time de todos nós, cambaraenses.
Com meus 14 anos, eu era, modéstia à parte, um excelente goleiro. Jogava sobretudo no campinho de areia do Clube Norte, onde era convidado pelos “mais velhos” (os jovens de 18 a 20 anos...) para jogar com eles, que chegavam a brincar dizendo que o vencedor da partida era quem ganhava no par ou ímpar para começar a escolher o time – eu, que tinha então o apelido futebolístico de “Aranha”, era sempre o primeiro escolhido, garantia de que o time não levaria gols.
Quando me mudei para Curitiba, em 1976, minha família estabeleceu-se no Ahu. Logo procurei onde assistir a bons jogos de futebol, diversão rara na cidadezinha-sede do Matsubara. Pela proximidade, comecei a freqüentar o Belfort Duarte. Lá, assisti jogos como Brasil 1 x 1 Seleção Paranaense, naqueles esquisitos tempos em que a seleção brasileira treinava jogando contra seleções estaduais (enfrentando, naturalmente, sempre uma torcida contrária!). Um dia, tive o prazer de poder assistir ao “meu” Matsubara jogar no Couto Pereira. Era em 1977, numa rodada dupla (outra coisa rara hoje!). Lembro-me de outros dois times envolvidos nos confrontos: Atlético e Coritiba. Não me lembro do quarto, provavelmente Pinheiros ou Colorado. Mas me lembro bem que o Matsubara jogaria contra o Coritiba, enquanto o Atlético enfrentaria o outro time. Fiquei, naturalmente, junto à torcida do Atlético.
Quando chegou o ônibus com os torcedores da TOM (a Torcida Organizada do Matsubara – diga-se aqui de passagem, único caso de torcida dona de estádio, pois foi a TOM quem construiu o Estádio Regional de Cambará, que leva este nome por ser capaz de abrigar toda a população urbana do município!), fui recepcioná-los na entrada para conduzi-los junto à torcida do Atlético, com todo o cuidado, esclarecendo que aquele verde-e-branco não era do rival coxa.
Foi meu primeiro contato com o calor da torcida rubro-negra. Torcemos juntos, pelo Matsubara e contra o coxa. Quando tive que escolher um time na capital paranaense, não havia como escolher outro: tornei-me atleticano.
Bem, toda essa história não responde à pergunta do título. Afinal, por que tanto gosto? Depois de muito pensar e procurar teorias explicativas, tanto na Sociologia quanto na Psicologia, elaborei minha própria resposta: é um traço da nossa ancestralidade troglodita. Não precisamos mais caçar para comer, não temos mais que disputar as fêmeas a tacape e arrastá-las pelos cabelos para nossas cavernas. Ficamos órfãos da disputa física por território, comida e garantia de perpetuação da raça. Mas milênios de “civilização” não foram suficientes para que muitos de nós nos livrássemos do gene que nos impulsiona para a luta física da sobrevivência (louvo aqueles que o conseguiram e não gostam de futebol!).
Nós, então, trogloditas mal-civilizados, transferimos para aquele retângulo de grama toda nossa energia ancestral. É lá, dentro ou em torno dele, que fazemos a catarse da nossa ancestralidade bruta. É lá que descarregamos tudo que o instinto quase-animal reclama do nosso íntimo. Enxergamos no rival aquele que nos disputa o território, o tigre-de-dentes-de-sabre a abater, o alimento a conquistar. Esse é o grande e importantíssimo papel do futebol em nossas vidas!
Portanto, senhoras esposas, namoradas, noivas e amantes: não nos censurem o gosto pelo futebol. É para o bem de todos, pela segurança das mulheres brasileiras...
Quando nasci, Cambará vivia as últimas glórias (moderadas, é verdade...) do CAC – Cambará Atlético Clube, campeão do Norte Paranaense em 1963 e 1964, um ano antes de se retirar do futebol profissional. Foi só anos depois, em 1974, que surgiu a Sociedade Esportiva Matsubara. Transformou-se logo no time de todos nós, cambaraenses.
Com meus 14 anos, eu era, modéstia à parte, um excelente goleiro. Jogava sobretudo no campinho de areia do Clube Norte, onde era convidado pelos “mais velhos” (os jovens de 18 a 20 anos...) para jogar com eles, que chegavam a brincar dizendo que o vencedor da partida era quem ganhava no par ou ímpar para começar a escolher o time – eu, que tinha então o apelido futebolístico de “Aranha”, era sempre o primeiro escolhido, garantia de que o time não levaria gols.
Quando me mudei para Curitiba, em 1976, minha família estabeleceu-se no Ahu. Logo procurei onde assistir a bons jogos de futebol, diversão rara na cidadezinha-sede do Matsubara. Pela proximidade, comecei a freqüentar o Belfort Duarte. Lá, assisti jogos como Brasil 1 x 1 Seleção Paranaense, naqueles esquisitos tempos em que a seleção brasileira treinava jogando contra seleções estaduais (enfrentando, naturalmente, sempre uma torcida contrária!). Um dia, tive o prazer de poder assistir ao “meu” Matsubara jogar no Couto Pereira. Era em 1977, numa rodada dupla (outra coisa rara hoje!). Lembro-me de outros dois times envolvidos nos confrontos: Atlético e Coritiba. Não me lembro do quarto, provavelmente Pinheiros ou Colorado. Mas me lembro bem que o Matsubara jogaria contra o Coritiba, enquanto o Atlético enfrentaria o outro time. Fiquei, naturalmente, junto à torcida do Atlético.
Quando chegou o ônibus com os torcedores da TOM (a Torcida Organizada do Matsubara – diga-se aqui de passagem, único caso de torcida dona de estádio, pois foi a TOM quem construiu o Estádio Regional de Cambará, que leva este nome por ser capaz de abrigar toda a população urbana do município!), fui recepcioná-los na entrada para conduzi-los junto à torcida do Atlético, com todo o cuidado, esclarecendo que aquele verde-e-branco não era do rival coxa.
Foi meu primeiro contato com o calor da torcida rubro-negra. Torcemos juntos, pelo Matsubara e contra o coxa. Quando tive que escolher um time na capital paranaense, não havia como escolher outro: tornei-me atleticano.
Bem, toda essa história não responde à pergunta do título. Afinal, por que tanto gosto? Depois de muito pensar e procurar teorias explicativas, tanto na Sociologia quanto na Psicologia, elaborei minha própria resposta: é um traço da nossa ancestralidade troglodita. Não precisamos mais caçar para comer, não temos mais que disputar as fêmeas a tacape e arrastá-las pelos cabelos para nossas cavernas. Ficamos órfãos da disputa física por território, comida e garantia de perpetuação da raça. Mas milênios de “civilização” não foram suficientes para que muitos de nós nos livrássemos do gene que nos impulsiona para a luta física da sobrevivência (louvo aqueles que o conseguiram e não gostam de futebol!).
Nós, então, trogloditas mal-civilizados, transferimos para aquele retângulo de grama toda nossa energia ancestral. É lá, dentro ou em torno dele, que fazemos a catarse da nossa ancestralidade bruta. É lá que descarregamos tudo que o instinto quase-animal reclama do nosso íntimo. Enxergamos no rival aquele que nos disputa o território, o tigre-de-dentes-de-sabre a abater, o alimento a conquistar. Esse é o grande e importantíssimo papel do futebol em nossas vidas!
Portanto, senhoras esposas, namoradas, noivas e amantes: não nos censurem o gosto pelo futebol. É para o bem de todos, pela segurança das mulheres brasileiras...
Um troglodita!
Passei seis dias sem internet. Seis dias! Senti-me um troglodita, um Robinson Crusoé perdido numa ilha deserta, um homem fora do mundo. Que horror! Como é possível viver sem estar ligado ao universo, a tudo, a qualquer coisa que se queira? Afinal, consegui restabelecer contato e posso, entre outras coisas, postar no meu blog. Bendita sejas, internet!
Friday, August 29, 2008
A régua
Um dos prazeres da vida adulta é poder realizar alguns desejos de criança – mesmo que, em geral, a realização seja um tanto frustrante, pois o sonho alcançado invariavelmente fica longe do sabor do sonho sonhado em tenra idade.
Lembro-me, por exemplo, do meu gosto infantil por camarão. Morávamos longe do mar, e camarão era iguaria fina e cara, ao menos para minha família. Uma vez por ano, nas férias de verão, viajávamos para a praia. Geralmente, as refeições eram em casa, com peixe fresco comprado dos pescadores à beira mar. Ou então, quando as condições do clima ajudavam, caçávamos rãs à noite para saboreá-las no almoço do dia seguinte. Sim, era uma caça, e bem primitiva: cada um com sua lanterna e seu bornal, capinhas plásticas de chuva, botas sete-léguas. Tínhamos que andar por um banhado procurando as rãs, lançar sobre seus olhos a luz da lanterna, que as hipnotizava, e simplesmente pegá-las com a mão e colocá-las no bornal.
Durante a temporada, vez ou outra, íamos a um restaurante. Meu pai não era pobre, mas tinha sido – por isso, embora não fosse nem de longe mesquinho, era econômico, o que fazia com que as poucas idas ao restaurante fossem valorizadas. Para mim, o máximo do máximo era comer camarão à grega no restaurante Baleia, em Santos. Até hoje tenho recordações daquele gosto, jamais reencontrado. Nem sei se o restaurante ainda existe – e na época devia ser meio “cafona” aquela casa com formato de baleia, parente de um congênere curitibano em forma de avião, há anos devidamente demolido...
Hoje, posso comer camarão à vontade. Não é tão caro e raro como na minha infância. E, é claro, nem tão saboroso como naqueles tempos, infelizmente...
Dia desses, lembrei-me de um desejo infantil que repousava escondido num cantinho qualquer da memória. Precisei recortar alguns jornais. Usei um estilete e uma régua, lamentavelmente torta. Fui então a uma papelaria em busca de uma régua retilineamente perfeita como devem ser as réguas. E lá encontrei, de uma só vez, a lembrança infantil e o objeto dela: penduradas em meio a incontáveis esquadros, compassos e réguas de plástico, as réguas de metal.
Meus olhos brilharam: as réguas de metal! Aquelas inacessíveis réguas com as quais sonhei em criança! Réguas caras, vinte vezes mais caras que as que meu pai comprava a cada ano quando renovávamos o material escolar. Nunca tive uma delas, sequer ousei pedir, pois eram caras, muito caras.
Emocionado, peguei uma delas. Conferi os preços: as menores, pouco mais de sete reais. As grandes, o dobro. Esse era o preço do sonho infantil! Tirei-as reverente das embalagens, medi com olhos e mãos suas silhuetas irreprochavelmente retas, retas, retas. Suspirei. Comprei duas, uma de cada tamanho.
Foi com imenso prazer que pus aquela grande régua de metal sobre os jornais. Passei religiosamente a lâmina do estilete sobre o papel, encostando-a bem na aresta dura, sem o receio de que acontecesse o acidente comum com as réguas plásticas nessas operações: o estilete afiado cortá-las junto com o papel.
Peguei todos os recortes de jornal que já tinha feito. Fui aparando-os um a um com o estilete e a régua de metal. Perfeito. Perfeito.
Minhas duas réguas estão guardadas com carinho. Sempre que posso, uso-as – uma ou outra, conforme o tamanho do papel a cortar. Mantenho-as com cuidado nas embalagens originais. Acaricio-as antes e depois do uso. Já aconteceu de alguém me surpreender pensativo tentando ver o próprio reflexo na superfície fosca do metal. Consigo ver uma imagem turva, de um garotinho quase quarenta anos mais novo que eu...
Lembro-me, por exemplo, do meu gosto infantil por camarão. Morávamos longe do mar, e camarão era iguaria fina e cara, ao menos para minha família. Uma vez por ano, nas férias de verão, viajávamos para a praia. Geralmente, as refeições eram em casa, com peixe fresco comprado dos pescadores à beira mar. Ou então, quando as condições do clima ajudavam, caçávamos rãs à noite para saboreá-las no almoço do dia seguinte. Sim, era uma caça, e bem primitiva: cada um com sua lanterna e seu bornal, capinhas plásticas de chuva, botas sete-léguas. Tínhamos que andar por um banhado procurando as rãs, lançar sobre seus olhos a luz da lanterna, que as hipnotizava, e simplesmente pegá-las com a mão e colocá-las no bornal.
Durante a temporada, vez ou outra, íamos a um restaurante. Meu pai não era pobre, mas tinha sido – por isso, embora não fosse nem de longe mesquinho, era econômico, o que fazia com que as poucas idas ao restaurante fossem valorizadas. Para mim, o máximo do máximo era comer camarão à grega no restaurante Baleia, em Santos. Até hoje tenho recordações daquele gosto, jamais reencontrado. Nem sei se o restaurante ainda existe – e na época devia ser meio “cafona” aquela casa com formato de baleia, parente de um congênere curitibano em forma de avião, há anos devidamente demolido...
Hoje, posso comer camarão à vontade. Não é tão caro e raro como na minha infância. E, é claro, nem tão saboroso como naqueles tempos, infelizmente...
Dia desses, lembrei-me de um desejo infantil que repousava escondido num cantinho qualquer da memória. Precisei recortar alguns jornais. Usei um estilete e uma régua, lamentavelmente torta. Fui então a uma papelaria em busca de uma régua retilineamente perfeita como devem ser as réguas. E lá encontrei, de uma só vez, a lembrança infantil e o objeto dela: penduradas em meio a incontáveis esquadros, compassos e réguas de plástico, as réguas de metal.
Meus olhos brilharam: as réguas de metal! Aquelas inacessíveis réguas com as quais sonhei em criança! Réguas caras, vinte vezes mais caras que as que meu pai comprava a cada ano quando renovávamos o material escolar. Nunca tive uma delas, sequer ousei pedir, pois eram caras, muito caras.
Emocionado, peguei uma delas. Conferi os preços: as menores, pouco mais de sete reais. As grandes, o dobro. Esse era o preço do sonho infantil! Tirei-as reverente das embalagens, medi com olhos e mãos suas silhuetas irreprochavelmente retas, retas, retas. Suspirei. Comprei duas, uma de cada tamanho.
Foi com imenso prazer que pus aquela grande régua de metal sobre os jornais. Passei religiosamente a lâmina do estilete sobre o papel, encostando-a bem na aresta dura, sem o receio de que acontecesse o acidente comum com as réguas plásticas nessas operações: o estilete afiado cortá-las junto com o papel.
Peguei todos os recortes de jornal que já tinha feito. Fui aparando-os um a um com o estilete e a régua de metal. Perfeito. Perfeito.
Minhas duas réguas estão guardadas com carinho. Sempre que posso, uso-as – uma ou outra, conforme o tamanho do papel a cortar. Mantenho-as com cuidado nas embalagens originais. Acaricio-as antes e depois do uso. Já aconteceu de alguém me surpreender pensativo tentando ver o próprio reflexo na superfície fosca do metal. Consigo ver uma imagem turva, de um garotinho quase quarenta anos mais novo que eu...
Piadinhas eleitorais...
Como já disse, o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV oferece diversão garantida... Em meio aos candidatos a vereador com nomes sugestivos como "Maria do Facão" e "Gogó de Ouro", algumas "pérolas"...
A candidata "Camila cantora" propõe aposentadoria para dona-de-casa. Outra promete lutar pela aposentaria para profissionais da saúde aos 25 anos de serviço. Então, descobrimos que vereadores podem legislar sobre aposentadoria...
Infelizmente, creio não ser temerário dizer que é bem provável que boa parte dos eleitores não saiba o que faz um vereador. Se um candidato diz uma coisa dessas, das duas uma: ou também não sabe e, portanto, não merece (aliás, não poderia!) ser eleito, ou quer enganar os eleitores (mais uma razão para receber o repúdio do eleitorado).
A candidata "Camila cantora" propõe aposentadoria para dona-de-casa. Outra promete lutar pela aposentaria para profissionais da saúde aos 25 anos de serviço. Então, descobrimos que vereadores podem legislar sobre aposentadoria...
Infelizmente, creio não ser temerário dizer que é bem provável que boa parte dos eleitores não saiba o que faz um vereador. Se um candidato diz uma coisa dessas, das duas uma: ou também não sabe e, portanto, não merece (aliás, não poderia!) ser eleito, ou quer enganar os eleitores (mais uma razão para receber o repúdio do eleitorado).
Wednesday, August 27, 2008
"Como é mesmo o MEU nome?"
Na Língua Portuguesa, o "s" entre duas vogais tem som de "z", como, por exemplo, em "casa", "fase", "atraso" etc. O nome da candidata do PT à prefeitura de Curitiba, Gleisi Hoffmann, é invariavelmente pronunciado nas propagandas do partido como se tivesse dois "s" ou um "c" ("Gleissi" ou "Gleici"). Será que a menina cresceu ouvindo seu nome errado e se acostumou?
Antes que alguém pergunte: não, as regras não mudam para nomes próprios, salvo quando são nomes estrangeiros pronunciados conforme a língua de origem. Nome escrito em português segue as regras da Língua Portuguesa. Se o nome Gleisi for pronunciado em alemão, por causa da ascendência da candidata, ficará algo mais ou menos como "Glaizi".
Antes que alguém pergunte: não, as regras não mudam para nomes próprios, salvo quando são nomes estrangeiros pronunciados conforme a língua de origem. Nome escrito em português segue as regras da Língua Portuguesa. Se o nome Gleisi for pronunciado em alemão, por causa da ascendência da candidata, ficará algo mais ou menos como "Glaizi".
Tuesday, August 26, 2008
Rescaldo olímpico
Algumas considerações a propósito das Olimpíadas...
1) O desempenho do Brasil na Olimpíada de Pequim, conforme esperado, foi pífio, ridículo. O Brasil está entre os dez maiores países do mundo em termos econômicos, territoriais e de população. Seria de se esperar, portanto, que estivesse entre os dez maiores medalhistas olímpicos. Mas fica longe, muito longe disso.
2) As Olimpíadas são, muito mais que qualquer coisa, um evento político-comercial a anos-luz do chamado “espírito olímpico”, que, afinal, quase não existe. Olimpíadas são a exibição de um chauvinismo exacerbado, com sua exaltação de bandeiras e hinos nacionais e um espírito de competição que muitas vezes parece beirar o belicismo.
3) Ainda sobre o “espírito olímpico”: quem compete hoje “pelo seu país”? Quase todos os atletas que lá estão buscam honra, fama, glória e dinheiro. Prova inconteste disso é a recusa de muitos atletas de ponta em participar dos Jogos, pois já lhes sobram fama e dinheiro. Ademais, há os “nacionais” fajutos, que se “naturalizam” por um país qualquer apenas para poderem competir. A lista deles na Olimpíada de Pequim é grande. Se o Comitê Olímpico Internacional quisesse coibir essa atitude, deveria estabelecer que atletas naturalizados só pudessem participar das Olimpíadas depois de pelo menos cinco anos de naturalização.
4) O esporte de alto rendimento hoje, ao contrário do que a mídia alardeia, é prejudicial à saúde, pois exige do corpo humano que vá além dos limites naturais (daí o uso tão comum de doping). Por isso, é falácia querer associar esse tipo de competição à idéia de saúde.
5) Os competidores sabem que uma medalha olímpica pode representar a redenção financeira. É a “coisificação” do homem, transformado em “máquina de ganhar”. Aos vencedores, tudo (especialmente fama e dinheiro); aos derrotados, vergonha e lágrimas.
6) Todas as críticas que possam ser feitas às Olimpíadas, entretanto, não tiram do esporte em si sua importância. A prática esportiva regular, como entretenimento e – aí sim – elemento de uma vida saudável, é importante. Mais ainda: o esporte, hoje ligado à indústria do entretenimento, é um meio de inclusão e ascensão social. Nesse sentido, o resultado de um país nos Jogos Olímpicos é um índice da importância que ele dá ao esporte.
7) Para o Brasil, mais importante que melhorar o rendimento olímpico, é estabelecer uma política séria de inclusão pelo esporte. Se o esporte for bem utilizado como elemento de inclusão e ascensão social, sobretudo a partir da prática nas escolas (incluindo universidades, “segredo” do sucesso de alguns países nas competições internacionais), um dos reflexos (insisto: dos menos importantes) será uma participação melhor do país nas Olimpíadas.
1) O desempenho do Brasil na Olimpíada de Pequim, conforme esperado, foi pífio, ridículo. O Brasil está entre os dez maiores países do mundo em termos econômicos, territoriais e de população. Seria de se esperar, portanto, que estivesse entre os dez maiores medalhistas olímpicos. Mas fica longe, muito longe disso.
2) As Olimpíadas são, muito mais que qualquer coisa, um evento político-comercial a anos-luz do chamado “espírito olímpico”, que, afinal, quase não existe. Olimpíadas são a exibição de um chauvinismo exacerbado, com sua exaltação de bandeiras e hinos nacionais e um espírito de competição que muitas vezes parece beirar o belicismo.
3) Ainda sobre o “espírito olímpico”: quem compete hoje “pelo seu país”? Quase todos os atletas que lá estão buscam honra, fama, glória e dinheiro. Prova inconteste disso é a recusa de muitos atletas de ponta em participar dos Jogos, pois já lhes sobram fama e dinheiro. Ademais, há os “nacionais” fajutos, que se “naturalizam” por um país qualquer apenas para poderem competir. A lista deles na Olimpíada de Pequim é grande. Se o Comitê Olímpico Internacional quisesse coibir essa atitude, deveria estabelecer que atletas naturalizados só pudessem participar das Olimpíadas depois de pelo menos cinco anos de naturalização.
4) O esporte de alto rendimento hoje, ao contrário do que a mídia alardeia, é prejudicial à saúde, pois exige do corpo humano que vá além dos limites naturais (daí o uso tão comum de doping). Por isso, é falácia querer associar esse tipo de competição à idéia de saúde.
5) Os competidores sabem que uma medalha olímpica pode representar a redenção financeira. É a “coisificação” do homem, transformado em “máquina de ganhar”. Aos vencedores, tudo (especialmente fama e dinheiro); aos derrotados, vergonha e lágrimas.
6) Todas as críticas que possam ser feitas às Olimpíadas, entretanto, não tiram do esporte em si sua importância. A prática esportiva regular, como entretenimento e – aí sim – elemento de uma vida saudável, é importante. Mais ainda: o esporte, hoje ligado à indústria do entretenimento, é um meio de inclusão e ascensão social. Nesse sentido, o resultado de um país nos Jogos Olímpicos é um índice da importância que ele dá ao esporte.
7) Para o Brasil, mais importante que melhorar o rendimento olímpico, é estabelecer uma política séria de inclusão pelo esporte. Se o esporte for bem utilizado como elemento de inclusão e ascensão social, sobretudo a partir da prática nas escolas (incluindo universidades, “segredo” do sucesso de alguns países nas competições internacionais), um dos reflexos (insisto: dos menos importantes) será uma participação melhor do país nas Olimpíadas.
Tuesday, August 19, 2008
"Eu como você"
TV e rádio passam hoje a ficar mais divertidos com os programas eleitorais obrigatórios. Assistir a um pouquinho desses programas é ter algum riso garantido. Hoje, diverti-me com o Pastor Oliveira, candidato a vereador pelo PMDB. Enquanto ele falava, a legenda anunciava: "Eu como você cidadão curitibano..." E a propaganda anunciava Moreira como "fazedor" e "resolvedor de problemas". Ui! Não seria mal os partidos contarem com assessoria de gente que saiba tratar bem a língua portuguesa...
Sunday, August 10, 2008
Não assista a este vídeo
Tenho alguma consciência ecológica. Como carne de vez em quando (embora possa passar um bom período sem ela, o que faço de tempos em tempos). Achava radicalismo exacerbado e um tanto ridículo o movimento contra o uso de roupas de peles de animais - afinal, se o homem é um animal carnívoro (como tantos outros) e abate animais para comer, por que não aproveitar suas peles e couro?
Entretanto, recebi recentemente pela internet o link para um vídeo da organização People for the Etichal Treatment of Animals (Peta) que mostra a extração de peles na China. A Peta é a organização que fez um cartaz contra o uso de peles com a foto (nua) da nadadora Amanda Beard, da equipe olímpica dos Estados Unidos. O vídeo é extremamente chocante e pode ser um ponto de partida para que o ser humano pense melhor sobre o modo como tem tratado os animais.
Não veja o filme se você não tem estômago forte - ele pode provocar reações orgânicas indesejadas. Aprendi algo que não sabia: para a pele ter boa qualidade, precisa ser extraída do animal ainda vivo.
Ah! Em tempo: com a crise dos alimentos, tem sido divulgada a informação de que para cada quilo de carne produzido gastam-se quatro quilos de grãos. Ou seja, muito mais que qualquer biocombustível, a produção de carne contribui para diminuir os alimentos disponíveis.
Entretanto, recebi recentemente pela internet o link para um vídeo da organização People for the Etichal Treatment of Animals (Peta) que mostra a extração de peles na China. A Peta é a organização que fez um cartaz contra o uso de peles com a foto (nua) da nadadora Amanda Beard, da equipe olímpica dos Estados Unidos. O vídeo é extremamente chocante e pode ser um ponto de partida para que o ser humano pense melhor sobre o modo como tem tratado os animais.
Não veja o filme se você não tem estômago forte - ele pode provocar reações orgânicas indesejadas. Aprendi algo que não sabia: para a pele ter boa qualidade, precisa ser extraída do animal ainda vivo.
Ah! Em tempo: com a crise dos alimentos, tem sido divulgada a informação de que para cada quilo de carne produzido gastam-se quatro quilos de grãos. Ou seja, muito mais que qualquer biocombustível, a produção de carne contribui para diminuir os alimentos disponíveis.
Monday, August 04, 2008
Fórmula "mágica"
Em entrevista coletiva após a derrota do Atlético Paranaense para o Botafogo (3x0), o presidente do Conselho Deliberativo do clube, Mário Celso Petraglia, disse que não tinha a "fórmula mágica" para fazer o time ganhar - e pediu a quem a conhecesse que lha informasse.
Pois bem, sr. presidente: a fórmula não é "mágica", e eu a conheço! Vou "revelá-la".
Para um time ser vencedor, são necessárias algumas coisas... São elas (não estão em ordem de importância):
1) Uma boa estrutura - o Atlético tem uma das melhores do Brasil.
2) Uma torcida numerosa e entusiasmada - também nesse quesito, o CAP está muito bem servido.
3) O principal: bons jogadores. Não se faz um time campeão sem bons jogadores. Esse é o "segredo de Polichinelo".
4) Secundariamente, um bom técnico.
5) Por fim a estabilidade que vem de bom patrimônico, sustentabilidade financeira (que evite negociações que desmontem o time apenas com o fim de lucro), um corpo diretivo sério, honrado, que garanta boas condições de trabalho: salários bons, pagamentos em dia, segurança, contratos convenientes para os atletas e vantajosos para o clube.
Nenhum time de futebol progride sem títulos. Títulos se ganham dentro de campo. Nas quatro linhas, o que vale é um bom time, formado por jogadores de qualidade.
E pode ter certeza de que os quase 20 mil sócios que pagam mensalidade prefeririam ter um bom time em campo a ver a Arena terminada.
Portanto, sr. presidente, nada "desconhecido", "mágico" ou mirabolante. Com as condições que o Clube Atlético Paranaense tem hoje, pode ter um time campeão. É só fazer o óbvio...
Para terminar, um pedido: não tragam o Geninho. Não agora. Quando o CAP tiver um time decente, com bons jogadores, aí sim será a hora de trazer Geninho de volta, com um longo contrato, com estabilidade, quando o clube tiver capacidade para manter bons jogadores. E então o Atlético poderá ocupar o lugar que merece, entre os melhores dos melhores do país.
Pois bem, sr. presidente: a fórmula não é "mágica", e eu a conheço! Vou "revelá-la".
Para um time ser vencedor, são necessárias algumas coisas... São elas (não estão em ordem de importância):
1) Uma boa estrutura - o Atlético tem uma das melhores do Brasil.
2) Uma torcida numerosa e entusiasmada - também nesse quesito, o CAP está muito bem servido.
3) O principal: bons jogadores. Não se faz um time campeão sem bons jogadores. Esse é o "segredo de Polichinelo".
4) Secundariamente, um bom técnico.
5) Por fim a estabilidade que vem de bom patrimônico, sustentabilidade financeira (que evite negociações que desmontem o time apenas com o fim de lucro), um corpo diretivo sério, honrado, que garanta boas condições de trabalho: salários bons, pagamentos em dia, segurança, contratos convenientes para os atletas e vantajosos para o clube.
Nenhum time de futebol progride sem títulos. Títulos se ganham dentro de campo. Nas quatro linhas, o que vale é um bom time, formado por jogadores de qualidade.
E pode ter certeza de que os quase 20 mil sócios que pagam mensalidade prefeririam ter um bom time em campo a ver a Arena terminada.
Portanto, sr. presidente, nada "desconhecido", "mágico" ou mirabolante. Com as condições que o Clube Atlético Paranaense tem hoje, pode ter um time campeão. É só fazer o óbvio...
Para terminar, um pedido: não tragam o Geninho. Não agora. Quando o CAP tiver um time decente, com bons jogadores, aí sim será a hora de trazer Geninho de volta, com um longo contrato, com estabilidade, quando o clube tiver capacidade para manter bons jogadores. E então o Atlético poderá ocupar o lugar que merece, entre os melhores dos melhores do país.
Thursday, July 31, 2008
A inviabilidade da raça humana
Visitei a exposição “Destaques do Fotojornalismo Internacional”, que reúne cerca de 100 de fotografias premiadas ao longo de 20 anos do Festival Scoop d’Angers (que acontece na França). Merece ser vista, não apenas pela qualidade técnica e informativa das fotos, mas também para uma reflexão sobre o ser humano. Muitas fotos são de tragédias humanas. Para mim, uma boa imagem da inviabilidade da nossa raça. Claro que há bolsões da fartura e tranqüilidade no planeta. Mas esse é mais um sintoma do problema do que um consolo, pois a fartura de uns se apóia na miséria de outros. Triste, esse bicho homem.
Visite a exposição (até 31/07) na Universidade Positivo (Rua Professor Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300, Campo Comprido, Curitiba – prédio da Pós-Graduação e Extensão). Vale a pena. Veja mais informações aqui.
Visite a exposição (até 31/07) na Universidade Positivo (Rua Professor Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300, Campo Comprido, Curitiba – prédio da Pós-Graduação e Extensão). Vale a pena. Veja mais informações aqui.
Monday, July 28, 2008
Um livro que precisa ser lido

“Narrativas de um correspondente de rua”: quando li esse ótimo livro do jornalista Mauri König, repórter especial da Gazeta do Povo, de Curitiba, confesso que senti justificado o pessimismo de quem olha o ser humano com um sentimento de descrença, como é o meu caso. Mas há verdades que precisam ser ditas, publicadas e proclamadas. E há verdades que só podem ser ditas por homens corajosos. E só podem ser adequadamente ditas por quem tem talento. No livro, Mauri mostra que tem a coragem e o talento necessários para dizê-las.
Por outro lado, e um tanto contraditoriamente, a obra (uma coletânea de reportagens, a maior parte premiadas, todas sobre tragédias humanas) pode dar alento e trazer um certo otimismo na consideração de que há gente capaz de olhar essa triste realidade e denunciá-la – o que já pode ser um começo de mudança. No mínimo, certamente várias dessas reportagens mudaram as vidas de seus personagens. Se não podemos devolver ao oceano – como naquela conhecida historieta – todas as estrelas do mar que secam na praia sob o sol forte, poderemos fazer toda a diferença para aquelas poucas que conseguirmos lançar ao mar.
O livro é um tapa na cara dos indiferentes, um soco na nossa indiferença. A própria capa – tão terrivelmente chocante e creio que por isso mesmo escolhida pelo próprio Mauri – é uma bofetada na indiferença. Faço votos de que o livro seja muito lido e sirva para combater o tão difundido crime da indiferença.
Por outro lado, e um tanto contraditoriamente, a obra (uma coletânea de reportagens, a maior parte premiadas, todas sobre tragédias humanas) pode dar alento e trazer um certo otimismo na consideração de que há gente capaz de olhar essa triste realidade e denunciá-la – o que já pode ser um começo de mudança. No mínimo, certamente várias dessas reportagens mudaram as vidas de seus personagens. Se não podemos devolver ao oceano – como naquela conhecida historieta – todas as estrelas do mar que secam na praia sob o sol forte, poderemos fazer toda a diferença para aquelas poucas que conseguirmos lançar ao mar.
O livro é um tapa na cara dos indiferentes, um soco na nossa indiferença. A própria capa – tão terrivelmente chocante e creio que por isso mesmo escolhida pelo próprio Mauri – é uma bofetada na indiferença. Faço votos de que o livro seja muito lido e sirva para combater o tão difundido crime da indiferença.
Narrativas de um correspondente de rua
Mauri König
Editora Pós-Escrito
Instituto Cultural de Jornalistas do Paraná
Universidade Positivo
Gazeta do Povo
336 páginas
R$ 30,00
Friday, July 25, 2008
Burrocracia
Um amigo foi aprovado no famigerado Exame de Ordem. Juntou os documentos necessários e foi à OAB pedir sua inscrição na entidade como advogado. A atendente alegou que estava faltando um documento: o certificado de aprovação no Exame de Ordem! Disse que "não tinha no sistema" a relação dos aprovados (que estava afixada num edital a três metros do balcão...) e que só poderia aceitar a solicitação de inscrição com a apresentação do certificado.
É como se alguém quisesse se associar a um clube e a atendente alegasse:
"Para isso, o senhor precisa apresentar um certificado de que pode ser nosso associado."
"E quem fornece o certificado?" - perguntaria o interessado.
"Nós mesmos. Seu nome está publicado nos jornais como aprovado - nós próprios mandamos a relação para os jornais, está também no nosso site. Mas enquanto o senhor não nos pedir um documento que ateste que sua associação pode ser solicitada, não podemos associá-lo."
Dá para entender?
É como se alguém quisesse se associar a um clube e a atendente alegasse:
"Para isso, o senhor precisa apresentar um certificado de que pode ser nosso associado."
"E quem fornece o certificado?" - perguntaria o interessado.
"Nós mesmos. Seu nome está publicado nos jornais como aprovado - nós próprios mandamos a relação para os jornais, está também no nosso site. Mas enquanto o senhor não nos pedir um documento que ateste que sua associação pode ser solicitada, não podemos associá-lo."
Dá para entender?
Thursday, July 17, 2008
Foto pirata?
Um jornal italiano (La Stampa) publicou foto do ator Daniel Dantas em matéria sobre o banqueiro homônimo. Vai ser processado. Isso cheira a jornalismo Control C + Control V, do tipo "pegar a foto na internet". Pode não ser o caso concreto (não pude identificar o crédito da foto pela internet), mas que isso acontece, não há dúvida. Tem "jornalista" que virou copiador. Gente que está cavando a cova da própria profissão...
Paraguai
Meu longo período de silêncio blogueiro se deve a mais uma viagem, desta vez ao Paraguai, de onde escrevo. Paraguai que já foi potência. Um país que tinha tudo para dar certo, mas que emperrou (depois da guerra que lhe deixou uma população reduzidíssima) em décadas de corrupção e desgovernos. País vítima do nosso preconceito - quem nunca ouvi (ou mesmo usou) expressões como "cavalo paraguaio", "produto paraguaio" e outras?
Ciudad del Este é um resumo do país. Tenho passeado por um bairro onde se vêem belas mansões cercadas por altos muros com cercas elétricas. Faz-me lembrar uma frase lapidar de Confúcio: "Num país rico, a pobreza é uma vergonha; num país pobre, a riqueza é uma vergonha."
A cidade é suja, faltam calçadas, a coleta de lixo é precária. O comércio legal e o ilegal vivem lado a lado, como a pobreza e a riqueza. Vi uma menina na rua, mendiga, de uns 14 anos, bonita. Chamava atenção - mais ainda por estar grávida. Triste.
Será que não há um país bem parecido do outro lado da Ponte da Amizade?
Ando pessimista. Não acredito na humanidade. O ser humano é péssimo. Nossa espécie não tem futuro.
Ciudad del Este é um resumo do país. Tenho passeado por um bairro onde se vêem belas mansões cercadas por altos muros com cercas elétricas. Faz-me lembrar uma frase lapidar de Confúcio: "Num país rico, a pobreza é uma vergonha; num país pobre, a riqueza é uma vergonha."
A cidade é suja, faltam calçadas, a coleta de lixo é precária. O comércio legal e o ilegal vivem lado a lado, como a pobreza e a riqueza. Vi uma menina na rua, mendiga, de uns 14 anos, bonita. Chamava atenção - mais ainda por estar grávida. Triste.
Será que não há um país bem parecido do outro lado da Ponte da Amizade?
Ando pessimista. Não acredito na humanidade. O ser humano é péssimo. Nossa espécie não tem futuro.
Monday, June 30, 2008
Bela foto

Há coisas que só uma boa foto pode mostrar - por isso o fotojornalismo é tão importante. Um exemplo é a foto de Jonathan Campos publicada na página 6 do caderno "Gazeta do Povo Esportiva" de hoje, 30/06. A foto flagra o instante exato da falta do jogador Valência (Atlético Paranaense) sobre Marlos (Coritiba), que custou a expulsão do colombiano. O "balé" dos jogadores enche os olhos, mas o que mais impressiona são as expressões de cada um, agressor e agredido. Coisas que só uma foto como essa pode mostrar. Ponto para Jonathan, um dos ótimos fotógrafos da Gazeta.
Wednesday, June 25, 2008
"Loki e Houdini"?
Quem é Loki? Como o célebre ilusionista Houdini foi ressuscitado? Para saber a resposta, leia a Gazeta do Povo (Curitiba-PR) de hoje (25/06), cuja manchete é: Loki e Houdini descobrem banco "pirata" em Curitiba.
Recordemos o que diz o Manual de Redação da Folha de S. Paulo em relação aos títulos:
"A maioria dos leitores de um jornal lê apenas o título da maior parte dos textos editados. Por isso, ele é de alta importância. Ou o título é tudo que o leitor vai ler sobre o assunto ou é o fato que vai motivá-lo ou não a enfrentar o texto. O título deve ser uma síntese precisa da informação mais importante do texto. Sempre deve procurar o aspecto mais específico do assunto e não o mais geral."
Parece que os jornalistas da Gazeta perceberam o absurdo, pois não reproduziram a manchete no portal da internet. Na rede, a manchete da capa da versão impressa não tinha destaque e até desapareceu da "capa" on-line por volta das 9h. Aliás, o texto na internet tem dados diferentes: diz que foram presas 20 pessoas, enquanto a edição em papel indicava 25 presos.
Em suma: na velocidade do jornalismo atual, a apuração passou a ser menos importante que a rapidez com que se divulga a notícia. Triste. Perde-se qualidade de informação. A credibilidade fica sob suspeita.
Nesses tempos em que a pressa cria até notícias falsas (como a inexistente queda de um avião em São Paulo noticiada pela Globo News), vale recordar a lição do mestre Gabriel García Márquez: “A melhor notícia não é a que se dá primeiro, mas a que se dá melhor.”
Recordemos o que diz o Manual de Redação da Folha de S. Paulo em relação aos títulos:
"A maioria dos leitores de um jornal lê apenas o título da maior parte dos textos editados. Por isso, ele é de alta importância. Ou o título é tudo que o leitor vai ler sobre o assunto ou é o fato que vai motivá-lo ou não a enfrentar o texto. O título deve ser uma síntese precisa da informação mais importante do texto. Sempre deve procurar o aspecto mais específico do assunto e não o mais geral."
Parece que os jornalistas da Gazeta perceberam o absurdo, pois não reproduziram a manchete no portal da internet. Na rede, a manchete da capa da versão impressa não tinha destaque e até desapareceu da "capa" on-line por volta das 9h. Aliás, o texto na internet tem dados diferentes: diz que foram presas 20 pessoas, enquanto a edição em papel indicava 25 presos.
Em suma: na velocidade do jornalismo atual, a apuração passou a ser menos importante que a rapidez com que se divulga a notícia. Triste. Perde-se qualidade de informação. A credibilidade fica sob suspeita.
Nesses tempos em que a pressa cria até notícias falsas (como a inexistente queda de um avião em São Paulo noticiada pela Globo News), vale recordar a lição do mestre Gabriel García Márquez: “A melhor notícia não é a que se dá primeiro, mas a que se dá melhor.”
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